Com Macron, renasce a esperança do reformismo possível, longe da extrema-direita

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Macron e Marine: centro-esquerda X extrema-direita

Pedro do Coutto

O resultado do primeiro turno das eleições na França sem dúvida alguma emociona, porque representa o renascimento da ideia reformista, dentro dos limites do possível e longe da extrema-direita de Marine Le Pen. Este quadro ficou claro nas comemorações no comitê central da campanha, quando ele recebeu o apoio de Fillon e praticamente uma palavra a favor de Milenchon. Milenchon concorreu pela extrema-esquerda, porém está longe de ser um comunista. Aceitou o resultado, que, aliás, assinala o êxito dos institutos de pesquisa na França.

As eleições francesas traduzem um histórico importante. Foram as primeiras no mundo, em 1965, que instituíram ou a maioria absoluta no primeiro, ou um segundo turno entre os dois mais votados. É a chamada ballotage. Sistema que funcionou a primeira vez em 65, quando De Gaulle derrotou François Mitterrand, candidato do Partido Socialista. MItterrand depois se elegeu e reelegeu presidente do país.

SEGUNDO TURNO – A origem do segundo turno, da ballotage, portanto, tem uma história interessante. No após guerra, De Gaulle assumiu o poder por escolha indireta. Enfrentou vários problemas como a guerra da Argélia, do Marrocos, da Indochina. Renunciou em 48, mas depois de uma série de crises internas, voltou ao poder em 58 com a chamada 5ª República. Era chamado um governo de salvação nacional. Cumpriu o que prometeu. Terminou com a Guerra da Argélia, o que lhe custou um atentado em que quase perde a vida. Mas esta é outra história.

Em 65 os gaullistas lançaram sua candidatura a reeleição e De Gaulle condicionou à introdução do voto direto. Foi reeleito em 65, vencendo Mitterrand, como disse há pouco. Mas criava-se na França um sistema de adesão das correntes afastadas do segundo turno a escolher o primeiro ou segundo colocado na etapa inicial. Instituía-se assim um sistema possível de adesões, evitando-se a falta de uma base parlamentar para o governo que surgia.

NOVA ETAPA – Agora descortina-se uma nova etapa da política francesa e da própria história da França. Macron, com sua juventude, parte em busca de fazer renascer a esperança do reformismo possível dentro das bases democráticas. Muitas questões terá pela frente, sem dúvida. Mas o poder nunca deixará de apresentar desafios àquele que a ele atinge. São questões relativas a emprego, ao PIB, que tem que crescer mais que a população para distribuição de renda. Há, ainda, a questão da imigração que atinge em cheio não só a França, mas a outros países da Europa.

No dia 7 de maio a decisão final entre Macron e Marine Le Pen. A população e o futuro da França aguardam o desfecho.

4 thoughts on “Com Macron, renasce a esperança do reformismo possível, longe da extrema-direita

  1. No surpreendente resultado das eleições agora Emmanuel Macron disputa com Le Pen segundo turno na França. E aí? O Partido Socialista (PS) francês errou feio sabotando Benoit Hamon, o mesmo que fez o Partido Democrata nos EUA contra O Bernie Sanders. A direita tradicional gaulista e os socialistas, fora do segundo turno pela primeira vez. A geopolítica depende de equilíbrio, como jamais na história. O extremismo tem se anunciado pior, nesses conflitos que ocorrem pelo mundo. http://www.facebook.com/valmor.stedile/posts/1880603292155933

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, um dos maiores Experts em Análise com Pesquisas de Opinião Política, ressalta entre outras coisas, que desta vez os Institutos de Opinião Franceses acertaram na mosca. Realmente a Lei dos Grandes Números, quando usadas Amostras em tamanho adequado e bem representativas, reduzem o erro a muito pouco.

    O grande problema Francês é o DESEMPREGO que se eterniza, ( Oficial 10,2%/2016, e o real +- 20% da Força de Trabalho, sendo que entre os Jovens, +- 35%, exacerbado pela Imigração legal da União Europeia de 28 Países, ( Acordo de Schengen), e ilegal do Norte da África e Oriente Médio, especialmente Síria/Iraque,etc.

    Marine Le Pen (49) do Front Nacional, propõe principalmente um Frexit ( Saída da França da União Europeia com substituição da Moeda Nacional Euro pelo antigo Franco, expulsão de todos os Imigrantes ilegais, e suspensão de qualquer Imigração. Programa Radical.

    EMMANUEL MACRON ( 39) do Partido En Marche ( 1 1/2 ano de Fundação) era do Partido Socialista PS, de Profissão Banqueiro, foi Ministro da Fazenda do atual Presidente HOLLANDE, (62) rompeu com ele por Reformas de Flexibilização, e encetou voo solo.
    Propõe basicamente Reformar/Renegociar os Acordos que a França tem com a União Europeia e que julga prejudiciais a França, manter o Euro e agir Politicamente para que o Banco Central Europeu, hoje na prática controlado pelos Alemães, injete mais Dinheiro na França, criando as condições para relançar a Economia.

    As primeiras Sondagens de Opinião dão +- 2/3 Votos para MACRON, e +- 1/3 para LE PEN.
    Deve ganhar fácil o ex-Ministro da Fazenda MACRON.
    Bom sinal para um outro Ministro da Fazenda, muito nosso conhecido.

  3. Este Emmanuel Macron esta com cara de plano B do partido socialista.
    Até outro dia era ministro do Holland, agora é candidato de um partido recém fundado, nós por cá conhecemos muito bem estas coisas.
    Vão “embrulhar” os franceses, que continuarão com o mesmo tipo de governo, só que sob nova direção.

    • É claro que ele é um plano B do establishment. Como costuma ocorrer com políticos adorados pela grande mídia, Macron carece de substância, sua retórica é vazia, com exceção de alguma hiper correção política da qual ele acabou recuando, como quando disse que não existiria uma tal coisa como uma cultura francesa. No fundo, é um pastel de vento, com algum verniz radical-chique que não o impede de servir aos interesses do capitalismo globalizado, muito pelo contrário. Será tão útil para esses fins quanto seus homólogos Tony Blair, Obama e os Clintons, e provavelmente seu prestígio popular se evaporará, mesmo que continue muito amado pelas elites e pela mídia.
      Como escreveu o colunista do New York Times, Ross Douthat, Macron tem apenas o ar de um homem destinado a presidir um desastre.
      https://twitter.com/DouthatNYT/status/855441832960036865

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