Com medo de Renan, o diretor do Senado diz que cumpria “ordens superiores”

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Onde se lê “ordens superiores”, deve-se ler “ordens de Renan”

Jailton de Carvalho
O Globo

Diretor afastado da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que mandou fazer varreduras em endereços de senadores e ex-senadores porque apenas cumpria ordens superiores. Araújo não disse, no entanto, de quem partiam as ordens. Araújo e mais três outros policiais do Senado foram presos na sexta-feira. Eles são acusados de promover contraespionagem para dificultar investigações da Operação Lava-Jato contra determinados políticos.

Dos quatro detidos, o diretor afastado é o único que permanece preso. Os outros colaboraram com as investigações e foram soltos depois de prestarem depoimento. Araújo prestou depoimento no final da manhã desta segunda-feira. O interrogatório durou aproximadamente duas horas.

Ao ser perguntado pelo delegado Felipe Alcântara de Barros Leal sobre as razões da varreduras, o diretor da polícia respondeu que cumpria ordens. O delegado quis saber de onde viriam as ordens. Araújo deixou a pergunta sem resposta.

NA CASA DE CUNHA – O diretor também confirmou que mandou fazer varredura na residência oficial da presidência da Câmara na época em que o ex-deputado Eduardo Cunha era o presidente da instituição. Os policiais fizeram a varredura na tentativa de localizar equipamentos de escuta alguns dias depois da Polícia Federal apreender documentos na casa ocupada por Cunha. As buscas foram pedidas pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, e determinadas pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Barros Leal considerou as declarações do diretor insuficientes. Araújo deve permanecer preso até amanhã, quando termina o prazo da prisão provisória decretada semana passada pelo juiz da 10ª Vara Federal, Vallisney Oliveira. O caso não está em sigilo, mas ainda assim a polícia decidiu manter reserva sobre os últimos dias da chamada Operação Médis. A investigação teve origem a partir da delação do policial Paulo Igor Bosco Silva. Segundo ele, as varreduras guardavam vínculos com o momento de determinadas ações da Lava-Jato.

Entre os beneficiários das varreduras estão os ex-senadores José Sarney (PMDB-AP), Edson Lobão Filho (PMDB-MA) e os senadores Fernando Collor (PTC-AL) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Os policiais fizeram varredura num gabinete particular de Sarney ano passado, quando ele já não era mais parlamentar. Segundo Geraldo César de Deus Oliveira, um dos policiais presos, confrontado com o fato de Sarney estar fora do Senado, Araújo teria dito que não haveria problema. Bastaria dizer que se tratava de uma ação precursora a uma visita do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao colega de partido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os “superiores” hierárquicos do diretor da Polícia do Senado são a diretora-geral Ilana Tromkla, o secretário‐geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, o diretor-adjunto Gustavo Soriano Lago, os integrantes da Mesa Diretora e qualquer senador. É assim que funciona. Mas na realidade quem dá ordens superiores é o presidente do Senado, que se chama Renan Calheiros, a quem os diretores se reportam diretamente. Mas o diretor Pedro Ricardo Araújo sabe que, se mencionar Renan será demitido do cargo. Por isso, fala aleatoriamente em “ordens superiores”. (C.N.)

 

 

6 thoughts on “Com medo de Renan, o diretor do Senado diz que cumpria “ordens superiores”

  1. Quando, afinal, o STF vai tomar vergonha e priorizar os processos de autoridades com foro privilegiado? Quanto maior a autoridade, mais rápido deveria ser o processo. Já é hora de se acabar com o abuso de poder de gente com folha corrida de malfeitor. O Renan é hours concours na lista de suspeitos de corrupção, mas continua cantando de galo, como se santo fosse.

  2. É o “rabo abanando o cachorro” e o “intestino grosso dando ordens ao cérebro…”, fatos considerados totalmente normais pelas nossas autoridades jabuticabas.
    -Se o meu subordinado for criminoso, mando ele para o olho da rua!
    -Agora, se o criminoso for o meu chefe… eu é que corro o risco de ser demitido se não andar direito, digo, errado!

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