Com placar desfavorável, governo estuda recuar na reforma da Previdência

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

O governo poderá ter de ceder ainda mais do que os cinco pontos anunciados na última quinta-feira, se quiser, de fato, aprovar a reforma da Previdência no Congresso Nacional. A duas semanas da previsão de votação do texto na Comissão Especial da Câmara, o Planalto e a equipe econômica sabem que dois tópicos estão na mira dos congressistas: o tempo de contribuição de 49 anos e o estabelecimento de uma idade mínima diferente para homens e mulheres. Poderá haver uma convergência para que as mulheres se aposentem com 62 anos, e não aos 65 anos previstos como regras para homens.

O Planalto começará a se debruçar, efetivamente, sobre a planilha de votações a partir de segunda-feira, para municiar o presidente Michel Temer nas conversas individuais com os parlamentares. Os números apresentados até o momento são assustadores para o governo.

MAIORIA É CONTRA – Segundo levantamento do Instituto Pública, em parceria com Sindilegis, 54% dos deputados vão votar contra o texto. A pesquisa mostra que dos 513 parlamentares, 279 disseram que não apoiam o texto. Apenas 186 são a favor da PEC 287/16 — destes, 111 fazem ressalvas ao projeto,15 deputados estão indecisos e 33 não responderam à pesquisa. Para ter o documento aprovado pelo Plenário, o Executivo precisa de 308 votos.

Nilton Paixão, presidente da Pública Central do Servidor, chama a atenção para o fato de que 56,9% dos deputados favoráveis, da base de governo, têm duvidas. “Pensam que a reforma poderia e deveria ser diferente, seja pelo senso de oportunidade, seja por tratar questões desiguais de modo igual e assim cometer diversas injustiças”. O flagrante da intenção de voto neste momento, lembrou, sinaliza a grande dificuldade do governo para aprovar sua proposta. “Revela a influência da opinião pública sobre os parlamentares”, reforçou.

MENOR ECONOMIA – Com as mudanças já propostas, a economia pretendida inicialmente pelo governo diminui. A meta inicial era que a reforma pudesse aliviar os cofres em R$ 678 bilhões entre 2018 e 2027. As alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pensão por morte, aposentadoria de policiais e professores, trabalhadores rurais e regras de transição diminuem em R$ 115,26 bilhões essa economia — ou 17% do valor original.

Analistas de mercado acreditam que, se esse número baixar ainda mais, para algo em torno de 30% da meta original prevista para o governo — o que representaria uma economia final de R$ 474,6 bilhões no mesmo período, ainda assim a reforma valeria a pena para o país. É um sinal claro de que ainda há margem para novas concessões. O ponto de consenso, irredutível, é a idade mínima de 65 anos para aposentadoria dos homens. Se for o mesmo para as mulheres, melhor.

TRABALHAR OS LÍDERES -Para o economista Cesar Bergo, sócio consultor da OpenInvest, os números divulgados pelo Instituto Pública não são tão ruins quanto parecem. “Não depende de quantidade e sim de qualidade. As estatísticas mostram que o governo tem que trabalhar os líderes. Convocando um, os liderados vêm junto”, disse. Deve ainda escolher interlocutores com credibilidade. “Falta uma equipe capacitada. Quem pode fazer esse papel é Henrique Meirelles (Fazenda). Mas o governo está perdendo vontade política e colocando a sua cabeça na bandeja. Só ele dá más notícias. Depois, o Planalto ameniza”, reclamou.

Para José Matias-Pereira, especialista em contas pública da Universidade de Brasília (UnB), as pesquisas atuais retratam o momento. “O que está faltando é habilidade na comunicação com a sociedade. O governo tem que combater as informações equivocadas, maldosamente jogadas nas redes sociais.” Ele disse, ainda, que já conversou com vários parlamentares e teve outra percepção. “A impressão é de que a reforma caminha para a aprovação”, disse Matias-Pereira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA charge do Bruno Galvão explica tudo. E acontece que a previdência dos bancos não garante rendimento vitalício, é apenas um fundo de investimento. Se a pessoa ficar doente ou se acidentar, não recebe nada, tem de consumir as reservas. (C.N.)

15 thoughts on “Com placar desfavorável, governo estuda recuar na reforma da Previdência

  1. “O que está faltando é habilidade na comunicação com a sociedade”

    Frase candidata a piada do ano.

    Habilidade em dar notícias ruins não existe, a notícia será sempre ruim.

    Hoje à tarde na NBR estava passando uma reunião sobre a reforma da previdência, com o secretário, um economista e mais algumas pessoas. Todas a favor da reforma.

    Precisamos é de debates com pessoas contra e a favor, explicando com números a Previdência Social.

    Precisa recuar muito com essa reforma, mas muito mesmo.

    Melhorar pensões.

    Poder acumular aposentadoria com pensão, tendo um teto.

    Diminuir a idade para 60 anos.

    E aposentadoria integral com 35 anos.

    E o mais importante, não desvincular as receitas da seguridade social.

  2. Enquanto não baixar a taxa selic para inflação mais 2% não se resolverá nada do déficit fiscal.

    E negociar com os credores um alongamento do perfil da dívida.

    E por fim uma auditoria.

  3. O melhor é pagar a previdência social e fazer em paralelo uma poupança.

    A previdência social funciona também como um seguro em caso de invalidez ou morte.

    Já a previdência privada é o que o Sr. Eduardo escreveu, apenas título de capitalização com incidência de IR no resgate, se antecipar é pior ainda.

    Fundo de pensão de empresa, esse sim é bom, pois o empregado poupa uma parte e a empresa outra parte, a parte do empregado é dobrada com a contribuição da empresa.

    • Milhões deixarão de pagar o GPS.

      Temer é um sem noção, prepotente, cercado de gente da pior espécie.

      O Brasil se aprovar esta loucura, terá em breve uma legião de idosos desvalidos, vagando pelas ruas da miséria.

      Deus ajude o Brasil!

    • Esquizofrenia Paranoica.

      Difícil controle pelo visto.

      Uma hora sou Flávio, outra Pimentel, depois sou agente da Empirikus, outra envio E-mails sem saber o endereço do sujeito, depois invado a página do Facebook, e etc …

      Trolley você é fantástico!

  4. A questão é simples. Se votarem a favor como está, não vão se reeleger. Não há credibilidade, nem do governo, nem dos bancos. Façam as contas… Uma poupança de 30 anos vai render depois disso, uma aposentadoria até os 100 anos, no mínimo. Se vc morrer antes disso vai sobrar aí dá pra família. Já se for pela previdência, o que sobra vai pro governo.

  5. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que “80% dos exames de imagem no SUS (Sistema Único de Saúde) têm resultado normal” e que isso representa “desperdícios que precisam ser controlados”. Barros participou ontem pela manhã, em Cambridge (EUA), da Brazil Conference, evento sobre o Brasil organizado pela Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT). Em apresentação e posteriormente em entrevista à BBC Brasil, defendeu a necessidade de controlar a prescrição de exames. “Temos que ter controle da demanda que os médicos fazem destes exames e passar a avaliar como utilizam sua capacidade de demandar do SUS. Se o médico solicita muitos exames que dão resultado normal, ele não está agindo de forma correta com o sistema”, afirmou Barros (foto) à agência BBC Brasil. Segundo o ministro, exames de imagem (como tomografias e ultrassonografias) que não identificam problemas ou doenças sugerem que os médicos não estariam fazendo diagnósticos clínicos de forma correta. Questionado se os exames precisam revelar problemas para serem considerados necessários, Barros disse que não quer interferir na capacidade de tomada de decisões dos médicos. “Mas os médicos não podem pedir exame como forma de transferir sua responsabilidade de emitir diagnósticos. Os exames só devem ser usados quando há necessidade, não como rotina para diminuir a responsabilidade que o médico tem de fazer um diagnóstico a partir dos elementos clínicos.”

    ASSIM COMO NA MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA AONDE COLOCOU UM POLITICO BOÇAL QUE NÃO ENTENDE NADA DO ASSUNTO E QUER APROVAR UMA REFORMA SUPER POLEMICA, NO MINISTÉRIO DA SAÚDE COLOCOU OUTRO BOÇAL MAIOR AINDA. ESSA DECLARAÇÃO DESSE ELEMENTO, MOSTRA QUE É UM MINISTRO QUE NÃO TEM A MINIMA COMPREENSÃO DO SISTEMA DE SAÚDE. ATÉ NÓS COMO LEIGOS,COMPREENDEMOS A EXTREMA NECESSIDADE DE EXAMES PARA UM BOM TRABALHO DIAGNÓSTICO, COMO É QUE UM ENERGÚMENO DESSE ENXERGA APENAS O GASTO DE CURTO PRAZO, GASTO ESSE QUE EVITA GASTOS MUITO MAIORES NO FUTURO COM OS PROCEDIMENTOS CARÍSSIMOS DE TRATAMENTO. ELE DEFINITIVAMENTE É CONTRA O VELHO DITADO, QUE MAIS VALHE A PENA PREVENIR DO QUE REMEDIAR! SÓ ENXERGA EM CORTAR OS GASTOS DE CURTO PRAZO, JÁ QUE OS DE LONGO PRAZO(TRATAMENTO) JÁ VAI SER PROBLEMA DE UM FUTURO GOVERNO! É LAMENTÁVEL!

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