Com Trump, as relações entre China e Estados Unidos mergulham na incerteza

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Ilustração reproduzida do Business Insider

Marcos Troyjo
Folha

A Guerra Fria não acabou em nocaute, mas em W.O. Impossibilitada de prosseguir na dispendiosa confrontação bipolar, a URSS abandonou os Estados Unidos na condição de única superpotência. A atual eleição nos Estados Unidos determinará o engajamento global de Washington. Dela depende a forma com que o “G2” (EUA e China como protagonistas) moldará a ordem mundial.

Com Hillary, os EUA continuariam seu “pivô para a Ásia”. Dada a ascensão chinesa nos quesitos poder, prosperidade e prestígio, isso elevaria o potencial cooperação-conflito com Pequim. No entanto, para os chineses, que lidam com Hillary há 20 anos, ela é o diabo conhecido.

Com Trump, as relações sino-americanas mergulham na incerteza. De tal escuridão pode resultar, entre outros pesadelos, uma guerra comercial. Mas é também plausível, dada a retórica antiglobalização de Trump, que os Estados Unidos se retirariam da Ásia. A China seria assim “abandonada” como principal núcleo de poder na região.

FALANDO GROSSO – Em temas comerciais, o candidato republicano fala grosso com Pequim. Quando o assunto é geopolítica, é mais duro com Tóquio ou Seul. Trump deseja refazer as contas dos gastos de defesa que os Estados Unidos mantêm com Japão e Coreia do Sul – hoje “aliados estratégicos”. Eles teriam de pagar pela “proteção” americana.

Isso soa como música para Pequim, que deseja estabelecer-se como ator geopolítico inquestionável na Ásia.

No Mar do Sul da China, epicentro de tensões por soberania, os chineses rechaçam no discurso oficial a atuação de potências externas (numa clara alusão aos Estados Unidos) e de seus vizinhos. A eles, numa reunião da ASEAN em 2010, o então chanceler chinês Yang Jiechi advertiu: “A China é um país grande. Vocês são pequenos.”

PRETENSÕES DA CHINA – O isolacionismo de Trump cai como luva para uma China que não dissimula pretensões globais. A China hoje é a maior fonte de financiamento para o desenvolvimento – função em que supera instituições lideradas pelo Ocidente, como o Banco Mundial.

Pequim comanda nova agência para investimento em infraestrutura na Ásia, em detrimento do banco regional liderado pelo Japão com endosso de Washington. E com o Banco dos Brics, sediado em Xangai, Pequim pode viabilizar projetos sem restrições geográficas.

Peça fundamental da política externa Obama-Hillary para a Ásia é o Tratado Transpacífico (TTP) – principal ingrediente para contrapor-se à hipercompetitividade da economia chinesa.

FALTA APROVAÇÃO – Trump rasgará o Tratado, o que só enfraquecerá os EUA perante a China. Hillary, que o negociou, dele distanciou-se durante a campanha e agora torce para que o Congresso americano o aprove antes da posse presidencial.

Divisões internas repercutirão numa política externa americana de que se pode esperar tudo – até mesmo a retração. E isso num momento em que Pequim se move, na Ásia e no mundo, em pronunciada extroversão.

9 thoughts on “Com Trump, as relações entre China e Estados Unidos mergulham na incerteza

  1. Os americanos elegeram um presidente fanfarrão,preconceituoso e imbecil.
    O “boca de ovo” vai levar o mundo a uma situação insustentável, é só esperar!?
    Muitos americanos se arrependerão.Quem for vivo verá?Verá!

  2. Sem duvida que esse presidente e’ um Donald…
    Pode até vir a ser o Collor americano, louco de pedra, só que amarelo, dessa vez …
    Na hora que soltar o primeiro “quáaaac”, se o bicho pegar, o Japão será o primeiro a sumir do mapa, na hora…
    .
    O ultimo Donald influente na Casa Branca foi uma desgraça, o Rumesfelde…

  3. O redator da Folha até que fez uma previsão razoável, se considerarmos o presente momento e as circunstâncias que envolvem o clima entre EUA e a China.
    Mas, em termos de fatos, o ultimo paragrafo do texto, na minha opinião, por ora, é um exagero.
    Trump tem a posse prevista pata 20 do janeiro do ano que vem, ou seja, ainda nem pegou no bastão.
    Até lá,,aos poucos, a mídia americana dará conta dos acontecimentos prevendo as intenções iniciais quanto aos projetos do novo presidente.
    Outra coisa é falar “grosso” na campanha e depois cair na real.
    O cartunista Chico Caruso, de O GLOBO, na edição de hoje, faz gozação com o “Trumpinho Paz e Amor” com cartaz\ “I love Hilary”.
    Os americanos devem estar hoje com efeitos de uma ressaca…

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