Comandante da Marinha critica Comissão da Verdade

Moura Neto diz que sua declaração foi publicada pela metade

Está rolando na internet uma explicação do comandante da Marinha, Alte. Moura Neto, sobre a declaração atribuída a ele em apoio ao relatório da Comissão Nacional da Verdade, recentemente divulgado. Confiram o texto escrito pelo comandante da Marinha, enviado à Tribuna da Internet pelo sempre atento comentarista Mário Assis.

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Prezados amigos da Turma Mendes

  1. Nesses últimos dias, tenho recebido pesadas críticas de companheiros, indignados com uma manchete dos jornais de sábado, na qual eu teria dito: “A Comissão da Verdade cumpriu o seu papel”.
  1. Pela amizade que sempre nos uniu e pelo apoio que nunca me faltou por parte da Turma Mendes, encaminho a todos o e-mail enviado aos Almirantes-de-Esquadra da ativa e da reserva, no qual são dados alguns esclarecimentos:

“A fim de dirimir quaisquer dúvidas geradas sobre as minhas declarações em resposta aos questionamentos relacionados à entrega do relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), durante a entrevista coletiva concedida em dia 12 de dezembro, por ocasião da cerimônia de inauguração do Prédio Principal do Complexo do Estaleiro de Construção de Submarinos, esclareço que:

  1. a) Determinei a leitura minuciosa e analítica do relatório final da CNV, a fim de mapear todos os dados relacionados à Marinha do Brasil (MB) constantes nesse documento. Enquanto esse processo é executado, aguardar-se-ão as orientações do Governo Federal, a fim de adotar as medidas cabíveis para a defesa do posicionamento da Força; e
  1. b) A declaração de que CNV “cumpriu seu papel” não denota a concordância com o conteúdo do relatório. “Cumprir seu papel”, nesse caso, significa tão somente o reconhecimento de que as tarefas atribuídas àquela Comissão, descritas na Lei nº 12.528/2011, sancionada pela Presidenta Dilma Rousseff, foram concluídas com a produção do relatório final apresentado em 10 de dezembro.

Por oportuno transcreve-se abaixo o texto, na íntegra, que foi mencionado por mim e publicado na mídia:

– A Comissão Nacional da Verdade cumpriu o papel dela. Fez o relatório sobre o qual nós não tivemos a oportunidade de nos debruçar. Então não podemos analisar o que foi escrito – disse o almirante, na terceira vez em que foi perguntado sobre as conclusões da CNV.

Por fim, ressalta-se que continuarei perseguindo, incansavelmente, a preservação da imagem da Força, conquistada com o árduo trabalho de homens e mulheres que, com honradez e retidão de caráter, construíram uma instituição sólida e coesa, respeitada pela sociedade brasileira.”

  1. Além disso, gostaria de levar a vocês:
  2. a) A minha preocupação, que é grande, quanto ao que o Governo fará com o Relatório. Não creio que haja interesse em discutir o assunto pela imprensa. A polêmica não ajuda.
  3. b) Devo dizer-lhes que não concordo com o teor do documento. Estou encaminhando Ofício ao MD, com o meu repúdio e o da Marinha, quanto ao fato de serem incluídos nomes de Chefes Navais que merecem todo o nosso respeito, além de outras inverdades.
  1. c) Fiquem certos que sempre procurarei fazer o melhor pela Força, dentro da minha responsabilidade de conduzi-la, bem como de preservar os seus projetos estratégicos, mesmo que isso não seja compreendido por alguns companheiros.

Um abraço,

Moura Neto

4 thoughts on “Comandante da Marinha critica Comissão da Verdade

  1. Importante a CNV resgatar a verdade sobre fatos ocorridos durante a ditadura militar. Também importante seria que a análise e avaliação abrangesse todos os fatos, não apenas de um lado. Relatório feito, questionamentos são livres. afinal, estamos ou não numa democracia?

    Agora, aproveitando a experiência dela, quem sabe criarmos a outra COMISSÃO DA VERDADE BRASIL. Qual seria? Uma comissão que investigasse, a fundo, sem regalias, os ganhos e o patrimônio adquirido por nossos homens/mulheres que ocuparam cargos eletivos ou por indicação, nos três níveis do poder, nos últimos 30 anos?

    Quem será que não assinaria esta proposta?

    • Francisco
      Nós pagamos. Nós pagamos sempre. Até a mula roubada nos pagamos.
      Mas, ainda bem que esta “comissão” não é em percentual.
      Abraço

  2. Prezados,

    Mais uma meia verdade, desta vez proferida pelo Comandante da Marinha, pois a comissão nacional da verdade não cumpriu a sua missão estatuída na Lei no 12.528, de 2011 que a criou.

    Senão vejamos:
    O escopo estatuído na lei era, conforma seu artigo 1, e que não restringia o âmbito dos agentes que teriam cometido “as graves violações de direitos humanos”.

    Art. 1o É criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade, com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional.
    A própria comissão da verdade, em sua resolução 2 restringiu, a seu bel prazer e interesse ideológico, esse âmbito dos praticantes às violações de direitos humanos limitando-o a praticadas por agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio no interesse do Estado. “

    Art 1 º A Comissão da Nacional da Verdade cabe examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, por agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio no interesse do Estado

    Ora, na Marinha, aprendemos, em sua doutrina (disseminada principalmente na Escola de Guerra Naval), que a missão (no caso o objetivo fixado na lei: esclarecer as graves violações de direitos humanos, sem especificar quem praticou estes violações) é constituída por objetivo mais finalidade. Quando o objetivo (ação) não é atingido, a missão não foi cumprida!,
    Assim, como a CNV, a seu bel prazer, alterou (sem a aprovação de seu superior – alteração da Lei 12.528), reduzindo-o, o escopo do objetivo da missão, deixou de cumprir sua missão.
    Deste modo, o Comandante da Marinha, conhecedor e guardião mor da doutrina naval, não poderia nunca afirmar que a CNV cumpriu o seu papel – cumpriu sua missão, pois seu objetivo foi auto limitado, sem o devido amparo legal, não tendo atingido o objetivo inicial que lhe foi fixado pela Lei 12.528 – mais amplo que o autorizado.

    Entendimento do Adalberto Nunes Neto

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