Começam a ser divulgadas as “aparições” de um dos funcionários-fantasmas do Ministério dos Transportes, que representava o deputado Valdemar Costa Neto.

Carlos Newton

Não há dúvida de que se trata de um funcionário-fantasma bastante operoso e eficiente. Há dois meses, por exemplo, foi anunciada a assinatura de um contrato de R$ 48,4 milhões no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes) para a construção de dois viadutos em Mogi das Cruzes (SP). Por trás das negociações, estava um dos mais polêmicos integrantes do grupo de do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP). Era justamente Frederico Dias Costa, o funcionário-fantasma que falava em nome do governo e despachava no ministério, sem ter um cargo público.

Ou seja, além de emplacar a “turma” de Mogi das Cruzes no Ministério dos Transportes, o deputado Valdemar Costa Neto com facilidade conseguia aprovar obras para a cidade, seu reduto eleitoral, que escaparam da chamada faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff.

Fred Dias, como é conhecido, era um fantasma com aparições até em campos de futebol. Em 2005, quando presidia o União Futebol Clube, principal time de Mogi, sofreu impeachment por vender, sem aval dos conselheiros, os refletores do antigo estádio da equipe:

O boletim de ocorrência de apropriação indébita de 18 refletores, avaliados em R$ 80 mil, foi registrado na delegacia de polícia. “Ninguém sabe do dinheiro. Foi colocado em votação, e 15 dos 30 conselheiros aprovaram o impeachment” – revela o presidente do conselho, Alexandre Emilio Ribeiro, acrescentando: “Depois disso, o Fred sumiu da cidade. Foi para Brasília”.

O episódio não foi suficiente para barrar a ida de Fred para o Dnit. Em dezembro de 2005, teria sido contratado por uma empresa terceirizada para trabalhar no governo, segundo o Dnit, que informou que Fred foi demitido no último dia 14, sem explicar qual terceirizada o contratou, numa história muito mal contada.

Na região, Fred despachava como autoridade federal. Algumas obras defendidas por ele e Valdemar estão sob suspeição, como o lobby feito pela dupla para a contratação de uma empreiteira em Barretos, cidade que lhe concedeu ao funcionário-fantasma, em 2009, o título de cidadão honorário, a pedido de um vereador do PR, vejam a que ponto chegamos.

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