Como diz o Financial Times, o sofrimento está só começando

Wagner Pires

Corretíssima a avaliação sucinta do Financial Times. Diante de tanta coisa negativa que se pode enxergar, sobressalta um dado positivo, que é o fato de os Estados Unidos não terem conseguido ampliar sua própria inflação de algo em torno de 1,5% ao ano. para algo entre 2,0% e 3,0%.

Portanto, será difícil este ano e provavelmente em 2016 que o FED (Banco Central americano) comece a praticar a elevação de juros por lá.

Isso traz um pouco mais de conforto para nós, na medida em que, permite ao nosso Banco Central estacionar a nossa taxa básica de juros (Selic) no patamar atual e esperar que a inflação comece a recuar, dando-nos esperanças da possibilidade da queda de juros já no final de 2016 ou início de 2017. O que será essencial para a retomada dos investimentos – principalmente privados -, necessários para a retomada, também, do crescimento econômico.

CÂMBIO ADEQUADO

Isso porque, se o FED resolve aumentar a sua própria taxa básica de juros, aqui no Brasil, forçosamente, seremos obrigados a, também, aumentar a nossa taxa básica, em busca da permanência de um fluxo positivo de dólares em relação ao nosso país, de modo a proteger as nossas reservas e evitar uma desvalorização cambial mais profunda.

Neste momento, entretanto, acho salutar que o câmbio se desvalorize um pouco mais, indo em direção aos R$4,0 por dólar, de modo a aumentar indiretamente a nossa produtividade e estimular, ainda mais, as nossas exportações. Uma justa compensação à nossa indústria que está se desfazendo frente à concorrência externa e a deterioração da demanda interna.

CORTAR OS CUSTOS

É preciso ter em mente que enquanto o governo não começar a cortar os gastos correntes na profundidade exigida para um ajuste fiscal, o Brasil estará na berlinda da recessão, empurrando para a frente a possibilidade de adoção de uma política monetária que permita novo ciclo de crescimento econômico.

Portanto, como o governo não está se mostrando capaz de executar o saneamento das contas públicas de modo a produzir equilíbrio o necessário equilíbrio fiscal, o Banco Central vai mantendo os juros em duas casas decimais para enxugar o excesso de liquidez (excesso de dinheiro em circulação) decorrente do desequilíbrio fiscal, isto é, do excesso de gastos governamentais.

GASTOS CORRENTES

Estamos todos pagando por esse desajuste nas contas públicas promovido por Dilma e seu ministro mendaz – o Guido Mantega.

A questão é: até quando Dilma vai continuar empurrando para frente a necessidade de corte de gastos correntes (de manutenção da máquina estatal)? O processo eleitoral já acabou e a necessidade de enganar a população com pedaladas fiscais, represar os preços públicos e dizer muita mentira paga publicitariamente já não tem efeito. O real descarrilamento do trem econômico está em processo e vai piorar substancialmente até 2018!

Como o FT disse: “nosso sofrimento está apenas no começo”.

3 thoughts on “Como diz o Financial Times, o sofrimento está só começando

  1. “O governo mais uma vez joga nas costas do povo a conta por suas irresponsabilidades”, disse o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), ao comentar o anúncio feito pelos ministros da área econômica de que a CPMF será recriada.

    Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) falaram sobre medidas relativas ao orçamento na tarde desta segunda-feira (14) em entrevista coletiva.

    Freire lamentou que o governo tenha partido para a recriação e aumento de impostos e feito cortes “insignificantes” nas suas despesas. “Na questão da austeridade, o governo continua não dando nenhum exemplo”, salientou.

    “O corte (de gastos) é insignificante, de R$ 26 bilhões, quando a receita dos novos impostos prevista é quase o dobro, de R$ 45 bilhões”, observou Roberto Freire. Na redução de ministérios e de cargos de confiança a expectativa de economia é de apenas R$ 200 milhões.

    O presidente do PPS avalia que o aumento da carga tributária terá “muita dificuldade” de ser aceito pela sociedade brasileira e pelo Congresso Nacional.

    “É tanta irresponsabilidade que o governo mandou um orçamento para o Congresso com um déficit de R$ 30,5 bilhões porque não teve a coragem de assumir isso que agora está assumindo”, lembrou Freire.

    Segundo ele, o Planalto só tomou essa postura agora “não por respeito à sociedade brasileira, mas pelo temor de que outras agências de classificação (responsáveis por avaliar o grau de investimento) também rebaixem a nota do Brasil”. “É antes de tudo um governo covarde e que não responde à sociedade brasileira”, salientou.

    O parlamentar lembrou que o governo não fez aquilo que sua própria base, inclusive o PMDB, indicou, que era enxugar despesas e evitar elevação da carga tributária. “Eles fizeram o contrário”.

    Sobre o termo usado pelo ministro Joaquim Levy de que a proposta é de prorrogação da CPMF, Freire retrucou: “Não tem prorrogação nenhuma. É mais uma vez um governo mentiroso. Estão tentando recriar a CPMF”.

    Ao ser questionado sobre quais medidas esperava ver o governo tomar, Freire, afirmou que não espera mais nada da administração Dilma Rousseff. “Esperava que saísse, que pedisse o chapéu e fosse embora. Seria o melhor para o Brasil”.

  2. Excelente e realista artigo do sr. WAGNER PIRES. Quando uma Economia como a do Brasil consome mais do que produz, traduzido por Deficit do seu Balanço de Pagamentos Internacional, hoje na ordem de +- US$ 100 Bi/Ano, e o Governo Federal gasta mais do que arrecada traduzido por seu Deficit Fiscal de +- 9% do PIB = 9% de R$ 5.500 = R$ 495 Bi/Ano, com isso elevando violentamente a Dívida Pública Federal, e se esgota o antigo Modelo baseado na DEMANDA ( aumento real do Salário Mínimo e expansão máxima do CRÉDITO), se tem que fazer AJUSTE FISCAL e mudar o Modelo para um priorizado na OFERTA, vai se passar uns 2 anos de TRANSIÇÃO DOLORIDA. Os
    Economistas dizem dessa Transição que: ANTES DE MELHORAR, AINDA VAI PIORAR.
    Nessa fase tem-se que amparar o melhor possível os que vão perder o Emprego. Mas daqui há +- um ano e meio, re-equilibradas as Contas Públicas, teremos criado as novas Bases para novo Ciclo de Crescimento.
    Já passamos por isso antes e vamos vencer essa etapa também. Abrs.

  3. O Congresso também tem boa dose de responsabilidade no fracasso do ajuste fiscal original enviado a ele pelo Executivo (aquele de R$ 18 bi), tendo acabado com o fator previdenciário, estendido a todos os benefícios do INSS a mesma sistemática de reajuste do salário mínimo e aprovado o reajuste do Judiciário. Apenas para dar um exemplo: cada um dos 591 parlamentares (513 deputados e 81 senadores) pode nomear 25 assessores sem concurso para seus respectivos gabinetes, o que representam 14.775 cargos. Não seria possível cortar pelo menos metade disso (7387)? Isso sem falar no apadrinhamento no Judiciário na União e nos Estados, no Executivo na União, Estados, DF e Municípios e no Legislativo nos Estados, DF e Municípios. Sobre a relação da atual política monetária e sua influência nociva sobre a política fiscal, recomendo o texto cujo link segue abaixo.
    http://pedrojucamaciel.com/?p=135

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