Como dizia Rubem Braga, a poesia é necessária

Hoje, vamos publicar mais uma poesia da prata da casa. Os emocionantes versos são de Batista Filho, um dos comentaristas mais assíduos do Blog da Tribuna.

LAÇOS

Batista Filho

quando, por vezes
esqueço do próprio nome
tomas minha mão delicadamente
e dizes de segredos que são meus, que são nossos

nessas horas nem sei se creio
mas há tanta ternura e solicitude na tua voz
que não quero te magoar com a minha descrença
e por esse querer-bem a nós, mesmo sem lembrar quem sou
ou quem és, deixo que me conduzas por caminhos, que dizes, um dia te conduzi

e assim, (re)descubro o êxtase de ver o claro/escuro do dia e da noite
(re)descubro nos recantos da tua/minha memória, pedaços d’uma história
que vem das brumas d’outro tempo/lugar, que determinar não sei, mas pressinto
e se não há total entendimento do que (não) vejo e sinto
antes e mais que qualquer coisa, percebo

te percebo, desde quando?!…

… não sei, mas sinto tanta
ternura e solicitude na tua voz
quando tomas minha mão, delicadamente
e dizes de segredos que são meus, que são nossos
que deixo que me conduzas por caminhos
segundo dizes
um dia te conduzi

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