Como identificar os corruptos?

Carlos Chagas

Quando a população inteira foi para a rua, no início de 1984, não era apenas para  reivindicar o direito  de votar para presidente  da  República. A  campanha das “diretas já” significava  mais.  Exprimia o cansaço e a indignação nacional diante do regime  militar. Cada cidadão que engrossava os comícios monumentais  estava dizendo para  os detentores do poder algo como: “vão  embora!”, “eu  não   gosto de  vocês!”.

Ainda que possa crescer e multiplicar-se,  a movimentação prevista para continuar amanhã em  diversas  capitais, “contra a corrupção”,  lembra apenas pela metade sua ancestral das “diretas já”.  Porque há 27  anos havia um sujeito específico para os protestos populares, o regime  militar. Agora, qual  o objeto  das manifestações contra a corrupção?  Não dá para ser o governo, tendo em vista recentes demissões de ministros  e muitos  altos  funcionários. Muito menos o Congresso, onde convivem personalidades de todos os  matizes.   Seria injustiça, também, fazer  pontaria apenas  nos políticos, porque,  conforme a natureza das coisas, onde há um corrupto haverá  também um   corruptor, empresário  ou funcionário público. Não há mais ditadura, para acusar os ditadores.  

Sendo assim, a “campanha contra a corrupção”, para prosperar,  precisa encontrar logo o seu alvo principal.  Que tal os bancos? O Poder Judiciário? A imprensa? Quem quiser que arrisque um palpite, mas é preciso classificar   os corruptos para que as manifestações  prossigam.

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OPORTUNIDADE PERDIDA

Não apenas os presidentes da Câmara e do Senado, como também os presidentes  das comissões técnicas das duas casas perderam excelente oportunidade de  marcar sessões  deliberativas para esta semana, envolvendo   projetos de alta significação. Seria uma forma  de  o Legislativo afirmar-se diante  da opinião pública, demonstrando que feriados ou dias santos  durante  a semana não devem nem podem perturbar os trabalhos.

O problema é que não havendo expediente depois de amanhã, quarta-feira,  pouquíssimos  parlamentares virão trabalhar hoje  e manhã. E como não vieram, não terão porque permanecer em Brasília quinta e sexta-feira. Uma semana inteira perdida por  conta de um  só dia.  Marco  Maia e José Sarney ficam devendo uma pauta   densa e  importante para a próxima vez em que um dia santo   ou um feriado  caírem no meio da semana.

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OUTRA VEZ CHURCHILL E MONTGOMERY

Viviam às turras o primeiro-ministro da Inglaterra, Winston Churchill, e o general  Bernard Montgomery, vencedor dos alemães na África e na   Sicília, chefe de parte dos exércitos aliados na invasão da  Europa,  vitorioso na progressão pelo território inimigo.

Presunçoso  e  arrogante,  Montgomery reuniu os jornalistas e explicou as razões de seu sucesso: “É porque eu não bebo, não fumo e não  jogo”.  Churchill, irritado, mandou chamar os repórteres e pediu que anotassem: “Eu bebo, fumo, jogo e sou o chefe dele…”

A historinha se conta a propósito  das  relações entre o governador Geraldo Alckmin e o ex-governador José  Serra…

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