Como será a relação do prefeito Crivella com os eventos católicos no Rio?

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Crivella vai mesmo respeitar a tradição católica do Rio?

Jorge Béja

Os cariocas que se preparem. Marcelo Crivella vai ter dificuldade para administrar a cidade do Rio como prefeito. O povo da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro é tradicionalmente católico. E católicos fervorosos.  Exemplos de manifestações coletivas e de multidões é que não faltam. Se repetem e a cada ano com mais fervor.  O 23 de Abril, dia de São Jorge, é feriado e nas duas igrejas de São Jorge (no Campo de Santana e no bairro de Quintino) as filas de milhares de fiéis para entrar nos templos e beijar a fita do santo começam no final do dia anterior (22/4) e terminam depois da meia-noite do dia seguinte, o 23 de abril. Isso sem falar na alvorada de fogos que começa às 4 da madrugada.

O dia 20 de Janeiro é consagrado a São Sebastião, padroeiro da cidade. Desde às 6 da manhã e com missa de hora em hora, a Igreja dos Padres Capuchinhos na Tijuca (Rua Haddock Lobo) fica permanentemente lotada de devotos de São Sebastião. Depois, à tarde, vem a procissão, da Igreja na Tijuca até à Catedral Metropolitana da Avenida Chile.

No dia 28 de Outubro, louva-se a São Judas Tadeu. Vimos semana passada que a Igreja dedicada ao santo no Cosme Velho é local onde comparecem milhares de fiés.

NOS ARCOS DA LAPA – Toda Sexta-feira Santa a prefeitura sempre patrocina, junto com a Arquidiocese do Rio, o Auto da Paixão nos Arcos da Lapa. São cerimônias católicas que a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), da qual o prefeito eleito Marcelo Crivella é bispo, não aceita e hostiliza. E a maior das hostilidades ocorreu em 1995 quando um outro bispo da IURD, Sérgio Von Helder, apareceu na TV Record chutando a imagem de Nossa Senhora Aparecida, no 12 de Outubro, Dia da Padroeira do Brasil e de Brasília e, por isso, feriado nacional.

Estamos apenas fazendo referência a São Jorge, São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida. E a imagem do Cristo Redentor no alto do Corcovado, símbolo da Cidade do Rio de Janeiro e também do Brasil e que o mundo inteiro conhece? Dizem que o Estado é laico. Mas de laico pouco ou nada tem. Prova disso são os feriados religiosos, quando o Estado  oficialmente para suas atividades.

Outrora a Cidade do Rio de Janeiro sediou o XXXVIIº Congressso Eucarístico Internacional, evento realizado pela Igreja Católica. Os Papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco vieram ao Brasil e Francisco promete retornar ao Rio em 2017.

UMA GRANDE DÚVIDA – Como será a relação do prefeito-bispo-IURD Marcelo Crivella com esses eventos da Igreja Católica e seus representantes? O protocolo exige a presença do prefeito do Rio. E a Lei nº 5146/2010 do Município do Rio obriga a presença do prefeito nas festividades religiosas da Igreja Católica:

“Artigo 8º – Constitui feriado do Município do Rio de Janeiro o 20 de Janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da Cidade do RJ, quando o Poder Executivo dará todo apoio às festividades religiosas em louvor ao Padroeiro da Cidade, das quais obrigatoriamente participarão o Prefeito e o Presidente da Câmara. Será insusceptível de transferência de data qualquer que seja o dia da semana em que ocorra”.

Vamos aguardar para ver o que vai acontecer do dia 1º de Janeiro de 2017 a 31 de Dezembro de 2020, quando o bispo Marcelo Crivella estará à frente da prefeitura da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Crivella é IURD, a IURD é Crivella e a IURD despreza os católicos (e todos os outros credos e religiões) e vilipendia as imagens dos santos. E o povo do Rio não aceitará atos ou omissões da parte de Crivella que signifiquem desafio e desrespeito à sua fé, às tradições religiosas do povo da cidade. Ouve-se falar que na Irlanda os conflitos de rua são por motivos religiosos. Ou políticos com roupagem religiosa. Seja como for. O que ninguém deseja é que a Cidade do Rio de Janeiro se transforme numa Dublin, numa Belfast, na gestão do bispo Marcelo Crivella como prefeito.

38 thoughts on “Como será a relação do prefeito Crivella com os eventos católicos no Rio?

  1. Até prova em contrário, Marcelo Crivella sempre me pareceu um sujeito ponderado! Deve ter aprendido com os erros do tio Edir Macedo, que já apareceu em vídeos falando e fazendo muita bobagem e talvez por isso mesmo nunca se atreveu a entrar diretamente na politica.
    Posso estar enganado, que o Marcelo seja mais um lobo em pele de cordeiro, mas mesmo assim, se for por esse caminho que o colunista teme, com certeza não vai ter vida longa em cargos majoritários como prefeito e governador.E principalmente em uma cidade tão critica como o Rio de Janeiro, que levanta e derruba lideres com uma facilidade impressionante.Que o digam o finado Brizola,César Maia e mais recentemente Garotinho e Cabralzinho.
    Acho que talvez ele esteja mais para o atual prefeito de Londres que é muçulmano de origem paquistanesa, foi eleito e é bem quisto pela população de uma das cidades mais civilizadas do mundo.

  2. Caro jurista,

    Creio que, se o Marcelo for inteligente, não misturará as duas coisas: A crença pessoal e a administração da cidade.
    Quem sabe também não patrocine os eventos de outros credos?
    Abraços.

  3. Não temos leis mas no Rio de Janeiro. Continua o preconceito contra o Bispo, ou será que as leis não serve para pautar as loucuras de seus políticos. Que tal partimos para lavagem de dinheiro deslavados em dito religião, e a pedófila que está nas asas dos católicos. Mas o que importa é o feriado dos santinhos e suas verbas. O roubo descarado do PMDB no Rio é tratado meia que faz de conta.

    • A Pedofilia dentro das igrejas evangélicas é velado, esse é um assunto tabu, deve-se vociferar sobre os católicos, mas os evangélicos são santos, do pau oco mas santinho.
      Numa igreja de um cidade da Bahia dessas esquecidas por Deus, o Bispo tinha trabalho extra em casa, ungia as criancinhas, era democrático, não fazia distinção de sexo, resultado, ao ser descoberto alegou ser coisa co capeta e os santinhos o perdoaram a direção da Igreja/empresa apenas o deslocou para outra cidade, onde ele deve estar servindo ao seu patrão.
      Vamos aprender: evangélicos são pessoas iguais a todos nos, com tentações, invejas e também virtudes!

  4. Dr. Béja, por favor, se puder, responda à pergunta abaixo relativa à matéria cujo link segue abaixo também. Obrigado, Alverga.

    http://www.tribunadainternet.com.br/supremo-praticamente-extinguiu-o-direito-de-servidor-publico-fazer-greve/

    Concordo plenamente com o Newton. Trata-se de uma Suprema Corte que transgride a Constituição que deveria proteger. Pergunta jurídica para o Dr. Béja: a repercussão geral em sede de recurso extraordinário tem o mesmo efeito jurídico que a súmula vinculante? Pergunto isso porque a jornalista é imprecisa na matéria. Num trecho escreve que “A ação tem repercussão geral – ou seja, a decisão do STF deve ser aplicada por juízes de todo o país no julgamento de processos semelhantes.”

    Noutro trecho afirma que “Formaram a maioria no STF os ministros Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Gilmar Mendes, Luiz Fux e a presidente, Cármen Lúcia. Eles fixaram uma tese para servir de parâmetro aos juízes na análise de processos sobre greve no serviço público.” Uma coisa é aplicar a decisão do STF literalmente, outra é servir de parâmetro. Como resolver essa contradição, Dr. Béja? Obrigado, Alverga.

    • Caro Carlos Frederico Alverga,
      Antes de qualquer consideração é preciso esclarecer que estes institutos foram criados pelo legislador ordinário visando DESOBSTRUIR os Tribunais Superiores (STF, STJ, TSE, TST, STM), pois, por exemplo no STF os Ministros recebiam cada um por ano em torno de 100 mil processos.
      Em tais condições, a repercussão geral possibilita que o Supremo deixe de apreciar recursos extraordinários que não tenham maiores implicações para o conjunto da sociedade.
      É um filtro que permite ao STF julgar somente os recursos que possuam relevância social, econômica, política ou jurídica. Ao mesmo tempo, determina que as demais instâncias judiciárias sigam o entendimento da Suprema Corte nos casos em que foi reconhecida a repercussão geral, evitando assim a multiplicação de processos sobre questão idêntica.

      Já a edição, bem como o cancelamento e a revisão de súmulas vinculantes dependem da aprovação de, no mínimo, dois terços, ou seja, 8 (oito) dos 11 (onze) ministros do STF, após pronunciamento do procurador-geral da República.
      As súmulas têm efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, garantindo a segurança jurídica e evitando a multiplicação de processos sobre questão idêntica.
      A seguir transcrevo notícias do STF sobre esses dois institutos veiculadas no início do ano de 2015.
      Espero que os esclarecimentos acima lhes tenham sido úteis.

      Súmula vinculante e repercussão geral são destaques em dez anos da Reforma do Judiciário

      Há dez anos, começava a vigorar a Emenda Constitucional (EC) 45, que instituiu a Reforma do Judiciário e permitiu uma série de mudanças no funcionamento e na organização da Justiça brasileira. A busca pela agilidade no julgamento de processos a partir da criação das súmulas vinculantes, a filtragem dos recursos que sobem para a Suprema Corte a partir do uso do critério de repercussão geral e a estruturação e o funcionamento dos Conselhos Nacionais de Justiça (CNJ) e do Ministério Público (CNMP) são considerados grandes avanços no sistema Judiciário brasileiro.
      Pela sistemática da repercussão geral, os processos que tratem sobre tema com repercussão geral reconhecida ficam sobrestados nas demais instâncias do Poder Judiciário até que o STF profira decisão sobre a matéria. Fixada a tese pelo Supremo, as instâncias anteriores aplicam o entendimento do Tribunal aos demais casos sobrestados.
      Previsto no parágrafo 3º do artigo 102 da Constituição Federal, o instituto é regulamentado pela Lei 11.418/2006 e pelo Regimento Interno do STF. Para analisar a existência ou não de repercussão geral em determinado tema, foi instituído o Plenário Virtual, sistema eletrônico por meio do qual os ministros analisam a admissibilidade do recurso, com base na manifestação do relator do caso.
      De acordo com dados atualizados do Tribunal, dos 785 temas que foram submetidos à apreciação, 543 tiveram repercussão geral reconhecida pela Corte e 242 tiveram tal status negado. Com relação os recursos com repercussão geral, 230 já tiveram decisão de mérito proferida pelo STF.
      Súmula Vinculante
      Em 30 de maio de 2007, o Plenário do STF aprovou as três primeiras súmulas vinculantes criadas para pacificar entendimento e dar agilidade ao julgamento de casos semelhantes em curso em outras instâncias da Justiça, onde haja controvérsia entre órgãos judiciários ou entre esses e a Administração Pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Desde então, já foram editadas pela Suprema Corte 37 súmulas vinculantes.
      A súmula vinculante foi instituída a partir da inclusão do artigo 103-A na Constituição Federal por meio da EC 45/2004, que confere ao STF, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, a possibilidade de editar verbetes com efeito vinculante que contêm, de forma concisa, a jurisprudência consolidada da Corte sobre determinada matéria. A edição, o cancelamento e a revisão de súmulas vinculantes têm de ser aprovados por, no mínimo, oito ministros do STF, o equivalente a dois terços da composição da Corte, após manifestação do procurador-geral da República.
      O objetivo desse instrumento processual é impedir que juízes de outras instâncias da Justiça brasileira decidam de forma diferente da jurisprudência firmada no STF. A súmula vinculante tem poder normativo, conforme estabelece a lei que a regulamentou (Lei 11.417/2006), razão pela qual vincula ainda a Administração Pública em todas suas esferas a adotar entendimento pacificado da Suprema Corte sobre o enunciado.

  5. O Malafaia já está faltando em ” Chora Capeta “.
    O Crivella não vai fazer isto o projeto da IURD , desde 1989 é a presidência, o Rio é apenas um trampolim a mais.

  6. Estado Laico não é um Estado sem Deus. Estado laico apenas se pauta em leis que não são simples e exclusivamente os mandamentos de uma determinada crença. Mas não significa que Deus seja carta fora. A política administra o bem comum, logo o bem comum é uma das formas de manifestar-se a Deus. Não vejo com maus olhos a escolha dos cariocas. Foi escolhido um prefeito e não um bispo. Quem venceu foi o programa de governo do bispo e não os dogmas da igreja deste bispo. Que Deus abençoe o novo prefeito!

  7. O Freixo disse hoje que pretende ser senador. Mas não tem votos suficientes. Conta, apenas, com o apoio de artistas que se julgam intelectuais, mas a maioria jamais leu um livro. Essa maioria vive de aparências. E as aparências sempre enganam. Noto que alguns deste blog têm manifesta simpatia pela esquerda. Uma pena. A esquerda acabou no Brasil.

  8. A burguesia Zona Sul chora, além da campanha de ódio de Freixo, Crivella varreu o PMDB, de Paes, Cabral, Pezão, Cunha e Picciani, mais a esquerda. Golpe mais baixo é apelar para religiosidade, de extrema canalhice.

  9. Sei não Dr. Beja! Acho que não existe mais católico fervoroso, mormente no Rio. Hoje ele sai da Igreja Católica, vai para um terreiro de macumba e/ou para um Centro Espirita.

  10. O receio do nobre jurista quanto à administração de Crivella a respeito dos feriados religiosos católicos e afro-brasileiros é procedente.
    Ainda consta na memória do povo o comportamento bestial de um dos pastores da Universal, igreja de Crivella, chutando a imagem de Nossa Senhora Aparecida tempos atrás, quando esta seita não possuía a quantidade de seguidores de hoje e tampouco havia eleito qualquer representante na política, quanto mais uma prefeitura e do porte desta, do Rio de Janeiro.
    Acredito, no entanto, que o eleito prefeito não misturará as crenças, pois se assim o desejar, poderá ser passível de impeachment e ter o seu mandato interrompido antes de terminar de rezar o Credo e Salve Rainha!

  11. Continuo sem entender tamanha preocupação de Jorge Béja com as festas católicas quando todas as outras áreas da administração – qualquer uma – são muito mais importantes. É a mesma coisa que dar mais valor ao obaoba de outorgas de comendas pela Câmara Municipal do que à seriedade das legislaturas propriamente ditas.

    De mais a mais, é preciso alertar que o Rio de Janeiro é, ao contrário do que Béja afirma, a capital brasileira com o menor percentual de católicos – em 2010, em tendência de baixa, tinha 51,1% e, em tendência de alta, 25,9% de evangélicos (dados do Instituto Pereira Passos). Com um detalhe a mais a ser considerado: no estado do Rio de Janeiro os católicos são apenas 45,8%, principalmente graças aos municípios da baixada – ou seja, do Grande Rio – onde o número de evangélicos cresce assustadoramente. No estado eles já são 29,4%.

    Ao enfatizar essa questão religiosa mais uma vez aqui na Tribuna, Béja passa a impressão de considerar que a religião católica é superior às outras e, como tal, merece tratamento especial. Uma visão bem estreita para um homem conhecimento tão amplo.

      • Não, meu caro, apenas procuro ser justo.

        Que tal se a Arquidiocese do Rio de Janeiro passasse a bancar suas tradições, como o fazem os evangélicos? Não seria mais justo?

        Apenas como esclarecimento, dou muito valor à influência que o catolicismo teve na minha vida, ainda que por meios indiretos, e abomino o neoevangelismo midiático, mas não posso deixar de criticar essa soberba e muito menos de condenar quaisquer intrigas religiosas envolvendo a política. Tais práticas são o caminho mais curto para o fundamentalismo religioso, de cujos exemplos nefastos o mundo já está farto.

    • Dois candidatos disputando o primeiro lugar. Terminar a eleição o Crivevela, em primeiro, Freixo em terceiro. Nunca tinha visto isso. Dois na disputa mas no final o segundo é oficialmente em terceiro. A zona sul nunca vai engolir a democracia, quando essa é desfavorável seus princípios.

  12. Prezado Sr. João Amaury Belém, muito obrigado por seus esclarecimentos. O efeito jurídico dos dois institutos é praticamente idêntico. A diferença deve ser que o recurso extraordinário deve ter efeito só inter partes, enquanto a súmula vinculante tem efeito erga omnes, tal qual ocorre em relação a outros dois institutos jurídicos que têm natureza semelhante mas efeitos diferentes, como é o caso do mandado de injunção a ADIN por omissão.

  13. Prezado Carlos Frederico Alverga,
    De fato a decisão exarada no recurso extraordinário ela faz COISA JULGADA entre as partes.
    Mas a REPERCUSSÃO GERAL do APELO EXTREMO (RECURSO EXTRAORDINÁRIO) e a REPERCUSSÃO GERAL do APELO NOBRE (RECURSO ESPECIAL) é criar um FILTRO, respectivamente, para desobstruir as pautas do STF e do STJ, de modo que o recurso paradigma julgado pelo Plenário do STF e o STJ sobre a questão jurídica versada neles obriga que os outros tribunais sigam essa orientação da Suprema Corte e do Superior Tribunal de Justiça.

  14. O comentarista, sr. Froes, não esclareceu as razões pelas quais cresceu mais a ramificação cristã evangélica que os católicos.
    Certamente não é pela constatação que as igrejas neopentencostais são verdadeiras e o Catolicismo passou a ser questionado, claro que não.
    Atribuiríamos este aumento de seguidores evangélicos mediante uma única questão:
    Midiática.
    A inauguração dessas seitas através da televisão, e por esses veículos de comunicação passaram a propagar suas crenças com base na prosperidade, atendeu aos desejos de seres humanos que não aceitavam a pobreza – a grande “sacada” evangélica ao separar o espírito do corpo, pois a pobreza que Jesus se manifestava era espiritual e não material, da mesma forma Buda assim agiu quando deixou as riquezas palacianas e passou a viver na miséria para fugir das tentações da opulência -, e com as pregações de bispos e pastores “souberam” que poderiam atingir a salvação mesmo ricos!
    A aproximação dos “templos – cinemas desativados, lojas vazias, galpões – com a população, que estava distante das igrejas católicas, foi outra decisão de marketing muito bem feita, e na medida que impunha com rigidez o dízimo e campanhas para arrecadar somas vultosas de dinheiro, o espetáculo fornecido pelos representantes dessas novas seitas evangélicas impressionou um público acostumado com a liturgia católica, onde os padres se mantinham discretos nas missas, e havia pouca participação dos fiéis.
    As doações mais o dízimo possibilitaram que os velhos locais se transformassem em belíssimas construções, dando a entender que o progresso era mesmo divino, esforços das principais seitas, Universal, Mundial e Internacional, em se tornarem tão visíveis quanto às igrejas católicas e seus locais tradicionais.
    Não interessava que os bispos ou chefes das seitas enriqueciam a cada dia; não vinha ao caso a riqueza dos representantes dessas três crenças se nadavam em dinheiro e residiam em mansões;
    O importante é que “Deus reservava ao seu lado aquele que demonstrava fé, e esta era medida através do dinheiro doado”.
    Exploração da crendice alheia, estelionato, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, que são crimes permitidos pela lei que isenta as religiões de pagarem IR, proporcionaram que meia dúzia de espertalhões atingissem patamares absurdos de riqueza pessoal e ostentação, cujos exibicionismos comprovam o quanto “deus” abençoa quem nele crê, e incentivando a obediência radical às determinações dos pastores, bispos e apóstolos, sobre a vida que seus seguidores deveriam levar, desde não se relacionarem com pessoas que não comungam da mesma crença, até a exigência de contribuições maiores que o dízimo, comprovação absoluta de “fé”!
    E tem sido notório o combate contra as seitas afro-brasileiras, o espiritismo, inclusive o catolicismo na figura do Papa, que consideram a reencarnação do demônio, basta ter em mãos um exemplar do jornal da Universal e ler as agressões contra as outras demais religiões e praticantes.
    O jurista tem razão com a sua preocupação neste sentido, que poderá levar o prefeito Crivella a tomar decisões favoráveis em requerimentos onde seus postulantes se identifiquem como evangélicos, e deixar de lado aqueles que não comungam de suas convicções religiosas, neste caso caracterizando a sua administração como tendenciosamente inclinada aos denominados “crentes”, em detrimento de munícipes ateus, agnósticos, católicos, espiritualistas, umbandistas e ritualistas.
    Não acredito que Crivella colocará o povo na sua ordem de tarefas como mais importante que Deus, portanto, haverá um dia que o prefeito se deparará entre a cruz e a espada, optando naturalmente pela seita que lhe deu fama e fortuna ou porque no seu entendimento foi “abençoado” pelo Criador.
    O tempo, senhor da razão, mostrará a maneira como Crivella irá se comportar, se em favor da cidade do Rio de Janeiro ou em benefício do povo evangélico, sem outra alternativa!

  15. Não acredito que o Crivella vai misturar religião com política, haja vista que ele não é burro, seria o fim de sua carreira política.
    Jesus não deixou nenhuma religião. As religiões foram criadas, com o propósito de comandar as massas e seu próprio enriquecimento, algumas usaram até de violência para seu crescimento, outras exploram a ignorância do povo. Mas todas tem as mesmas finalidade, ficar ricas e ter influência poplítica. Foi com a influência política que os sacerdotes judeus conseguiram que Cristo fosse crucificado.
    Qual a religião que é a certa? cada um dirá que é a sua. Quem tem razão? todos, cada um de acordo com seu entendimento.

  16. Sr.Froes,

    ” Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5;3).
    Talvez para o senhor as razões do crescimento evangélico sejam óbvias, para outras pessoas ainda se faz necessário algum esclarecimento.
    Optei, portanto, em me estender no comentário para não deixar dúvidas a respeito, e porque nem todos possuem seus conhecimentos sobre esta questão.

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