Como vice, Sarney vicejou, de 1989 a 2009, esmoreceu

Logo depois do recesso (e ainda mais no fim de semana, quando Brasília costuma ficar sem parlamentares), houve reunião de 6 senadores, para tratar exclusivamente da questão Sarney. Só um era da oposição propriamente dita, outro mais ou menos, quatro da “base”.

Revelei, registrei, noticiei o que a partir da ultima quinta-feira começou a frequentar órgãos de comunicação: pretendiam convocar a Comissão de Ética mesmo no recesso, para julgar Sarney.

Com 6 senadores, (embora não fossem da Comissão, falavam pelos partidos) dava para convocar e acreditavam que reunida com esses seis, outros surgiriam imediatamente. Até mesmo para impedir uma decisão com a qual não concordavam ou não concordariam.

Nas conversas de horas, duas unanimidades. 1) Nenhuma contrariedade em decidir no recesso. 2) Concordância absoluta no que já era quase um movimento nacional, com um slogan, que de novo só tinha o nome: “Fora, Sarney”. Mas a partir daí, divisão total como as três palavras que se apresentam para desconstruir o futuro de Sarney: LICENÇA, DEMISSÃO, RENÚNCIA.

Surpreendentemente a palavra que parecia representar a maioria, pois tinha pelo menos três votos, era a LICENÇA. Só que projetada para a Comissão, esses três votos ficavam totalmente em minoria , quase que certamente não passariam daí, talvez chegasse a quatro. Num total de 11 membros.

Por que isso? A LICENÇA talvez agradasse Sarney e ao próprio governo (mesmo de cara amarrada), se o vice-presidente, que teria de assumir, não fosse o ex-governador de Goiás, Marconi Pirillo. Além da situação não ter nenhuma confiança nele, a própria oposição não fica muito satisfeita, tem grandes restrições a ele.

Se essa palavra LICENÇA, que parece a menos hostil, as outras duas, DEMISSÃO e RENÚNCIA, não só encontravam o veto total do próprio Sarney, como se constituía num obstáculo intransponível, por causa de uma consequência: quem seria eleito para o lugar de Sarney?

O (ainda?) presidente do Senado, que no início das denúncias até admitia conversar sobre uma licença de 30 dias, agora não aceita mais nada. E justifica a intransigência com a explicação: “Já perdi tudo, me abandonaram e massacraram, por que vou compor com alguém, seja de que lado for?”.

Não há dúvida que está certíssimo. As coisas começaram como uma denúncia, agora representam uma infinidade, que rima, mas não tem nada a ver com imunidade ou impunidade.

Mas a constatação que mais atinge Sarney nos últimos tempos, não é manejada ou presente, mas sim manipulada pela ausência, ou seja, CREDIBILIDADE, lógico, a falta dela. E o que antes era jogado apenas em cima de Sarney, (dito o “patriarca”), hoje cobre todos os setores da família. Filhos, netos, sobrinhos, até namorado da neta, que fez um esforço físico muito grande para arranjar o emprego.

Ninguém tem a menor idéia de como terminará terminará ou pelo menos se desenvolverá esse drama, farsa, fraude, hipocrisia, ou mesmo tragédia. A cada dia surgem novas dúvidas, entrelaçando pessoas, desgastando partidos, confundindo oposição e situação.

Os dois principais personagens, Sarney pelo fato de ser o maior acusado, Lula, por se colocar desabrida e ostensivamente na defesa, deveriam ter a maior importância, nada poderia ser resolvido sem a participação dos dois. Ou pelo menos de um deles.

O recesso acaba dia 6 de agosto, faltam 10 dias. Não há mais tempo para resolver agora por vontade dos senadores sem ouvir a Comissão de Ética. E esta tem autonomia para alguma coisa? Pode até ser Comissão, mas de Ética?

*  *  *

PS- Sarney não se salva, não se recupera, não se coloca em pé. A professora perguntou ao aluno como chamaria a queda de pessoa. Resposta: “Diria que ela caiu prostituída no chão”.

PS1- Correção da professora: “Você confunde uma pessoa que caiu, prostrada, trocando a circunstância pelo habitual, prostituída”.

PS2- No caso de Sarney, as duas palavras são rotineiras e eternas na sua identificação.

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