Comportamento do Judiciário é uma afronta ao cidadão. Mas como dizia Zelia Cardoso de Melo, “o povo é apenas um detalhe”.

Carlos Newton

Quando surgiram as primeiras notícias de que o Supremo reconhecera o direito de todos os juízes, desembargadores e ministros receberem pagamentos de auxílio-moradia desde 1990, ficou até difícil de acreditar. Como pagar auxílio-moradia a um juiz ou desembargador que trabalha na cidade onde sempre morou?

É inacreditável, revoltante e asqueroso que o Supremo Tribunal Federal tenha autorizado esse tipo de pagamento desmotivado e irregular com recursos públicos, que já ultrapassam alguns bilhões de reais, segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Só para a Justiça trabalhista, em 2008, quando começaram a ser pagos, esses “benefícios” foram calculados em R$ 1 bilhão. O auxílio foi concedido até para quem morava na cidade em que trabalhava, repita-se, para mostrar a que ponto chegamos em matéria de desmoralização do Poder Judiciário, que não fica nada a dever ao Executivo e ao Legislativo.

Na semana passada, os jornais exibiram que nove dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça receberam de uma vez só neste ano pagamentos de auxílio-moradia atrasados dos anos 1990. Os valores, somados, superam R$ 2 milhões. É o mesmo benefício recebido pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cezar Peluso, e pelo ministro Ricardo Lewandowski.

No caso, não se pode contestar o pagamento, pois os ministros moravam em outras cidades e foram convocados a trabalhar em Brasília. Mas por que pagar auxilio-moradia a quem trabalha onde sempre viveu? Esse execrável direito foi reconhecido em 2000, quando o Supremo decidiu que todos os magistrados do país deveriam ter ganho aquilo que era pago apenas aos congressistas federais, que não moravam em apartamentos funcionais.

Que decadência, hein. Como diz Silvio Santos e seu festivo programa, é tudo por dinheiro. Mas acontece que, no caso, é dinheiro público, que sai do bolso do cidadão, ou seja, do povo.

Mas o que é povo? Como dizia a então ministra Zélia Cardoso de Melo, de saudosa memória, “o povo é apenas um detalhe”.

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