Confirmado: Janot aproveitou a delação de Machado para tentar destruir Temer

Charge do Aroeira, reprodução do portal O Dia

Carlos Newton

Não há mais dúvida de que o procurador-geral Rodrigo Janot agiu de forma altamente leviana e irresponsável ao denunciar o vice-presidente Michel Temer ao Supremo, acusando-o de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, com a finalidade de afastar a presidente Dilma Rousseff e assumir o governo para abafar a Operação Lava Jato.

Esta denúncia de Janot ao STF foi baseada, única e exclusivamente, na delação premiada de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, na qual Michel Temer é citado por ter supostamente pedido uma “doação oficial” de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita a prefeito em 2012. E o mais grave é que Machado afirmou que a doação realmente foi feita.

Acontece que não houve esse patrocínio da Queiroz Galvão à campanha de Chalita. “Nunca vi Sérgio Machado, não o conheço. Nunca pedi dinheiro a ele, nem o presidente Michel Temer nunca negociou recursos para a minha campanha”, afirmou Chalita, acrescentando que a maior parte dos recursos de sua campanha veio do diretório nacional do PMDB.

CONTA DE CHEGAR – Como na delação Machado falou expressamente em “doação oficial” e a Queiroz Galvão não aparece como patrocinadora de Chlita na listagem da Justiça Eleitoral, agora estão inventando uma “conta de chegar”, como se dizia antigamente, para alegar que a empreiteira teria dado o dinheiro vivo ao PMDB nacional, que depois o repassara para a campanha paulistana.

Esta versão é um delírio completo. Como dar entrada a R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo no caixa do PMDB, que é abastecido exclusivamente pelo Fundo Partidário e por doações oficiais de campanha? Uma fraude contábil dessa proporção não seria concebível nem mesmo se o PMDB adotasse as maquiagens e pedaladas da “contabilidade criativa” de Dilma Rousseff, Guido Mantega e Arno Augustin.

NO DIA DO AFASTAMENTO – Por coincidência, o procurador Janot encaminhou essa denúncia ao Supremo a 12 de maio, exatamente o dia em que Dilma Rousseff foi afastada pelo Senado. Mas foi mesmo coincidência ou de propósito, para desestabilizar um governo que nem se iniciara?

Janot simplesmente teve a ousadia de denunciar ao Supremo que a ascensão de Michel Temer à Presidência da República foi uma trama diabólica para obstruir a Lava-Jato, e então pediu abertamente uma intervenção do Poder Judiciário no processo político, exatamente no dia da queda de Dilma.

Vamos então relembrar a estranhíssima advertência de Janot ao Supremo: “Os efeitos desse estratagema estão programados para serem implementados com a assunção da Presidência da República pelo vice-presidente Michel Temer e deverão ser sentidos em breve, caso o Poder Judiciário não intervenha”.

JANOT NÃO ENGANA MAIS – O fato é que o relator Teori Zavascki e os demais ministros do Supremo não embarcaram nessa teoria conspiratória urdida pelo procurador-geral da República.

Há perguntas sem respostas. Afinal, será que o procurador Janot realmente quer uma intervenção do Judiciário (leia-se: do Supremo) para trazer de volta ao poder os chefes da quadrilha que saqueou os cofres do país? Afinal, o povo paga o salário do procurador-geral da República para defender o interesse público ou o interesse do PT? É isso que está em questão.

O fato é que está cada vez mais claro que o objetivo de Janot era desestabilizar o governo Temer, para possibilitar a volta de Dilma Rousseff ao poder, acompanhada da quadrilha do PT, uma possibilidade tenebrosa, sinistra e assustadora, especialmente depois que o TCU denunciou que as pedaladas e outras ilegalidades da contabilidade criativa de Dilma Rousseff custaram ao país R$ 260 bilhões em 2015.

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PS – Conforme a Tribuna da Internet informou na madrugada desta sexta-feira, Sérgio Machado já mudou sua versão original. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira, ele já não diz que Temer pediu recurso oriundo de propina.  Pelo contrário, diz que Temer pediu “doação oficial” e apenas alega que “o vice-presidente e todos os políticos citados sabiam que a solicitação seria repassada a um fornecedor da Transpetro, através de minha influência direta”. E daí? Onde está a ilegalidade do pedido de Temer? Machado cada vez se enrola mais, e a credibilidade de Janot não existe mais. (C.N.)

15 thoughts on “Confirmado: Janot aproveitou a delação de Machado para tentar destruir Temer

  1. Estã tentando confundir a Lava Jato com a PGR.
    São tão diferentes quanto Moro e Janot.
    Atenção,
    Na Itália acabaram com a Mãos Limpas plantando esse tipo de contrainformação!
    Que Deus proteja a equipe da verdadeira Lava Jato!

    • Cara Vera, estamos vivendo sob o Efeito Bisol II.
      O efeito “mani puliti” não vingará no Brasil. O Juiz Moro já está trabalhando nesse sentido. O Planalto também.

  2. Caro CN

    A tradução oficial é essa! o fio da meada…Janot pensou enrolar os politicos profissionais e será ou melhor ja está enrolado …e como! isso é um claro desvio de conduta e está apenas protegendo seus bandidos de estimação…Brava posição da Tribuna denunciando e traduzindo para os cegos e analfabetos o que está escrito nas entrelinhas ou mesmo escondido no texto sujo dessa crise. Obrigado CN

  3. O que se vê, o que não se vê

    Eliane Cantanhêde – O Estado de S.Paulo

    17 Junho 2016

    Estamos todos prestigiando o que se vê e se ouve nas delações de Sérgio Machado, mas desprezando algo que é igualmente importante: o que não se vê e não se ouve nessas mesmas delações. Juntando as duas pontas – o que ele disse e o que ele não disse –, chegaremos às possíveis consequências desse tsunami que se abate não apenas sobre o governo interino, nem só sobre Brasília, mas sobre todo um sistema de financiamento de campanhas que se embola com a roubalheira pura e simples.

    O que se vê e se ouve quanto ao presidente interino Michel Temer na versão de Machado, que presidiu a Transpetro de 2003 a 2014, é que Temer, como vice, teria pedido a intermediação de Machado para obter doações de R$ 1,5 milhão para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo em 2012.

    O que não se vê nem se ouve é que, apesar de Machado dizer que desviou mais de R$ 100 milhões para a cúpula do PMDB, ele citou Renan (R$ 32 milhões!), Sarney, Jucá e o insaciável Edison Lobão, mas excluiu desse bolo justamente o próprio presidente do partido, que era Temer. Não disse que despejou dinheiro em campanhas, em contas ou no bolso de Temer. No máximo, disse que ele voltou a presidir a sigla para desempatar a disputa entre deputados e senadores peemedebistas por dinheiro. Se a cúpula toda do PMDB estava no “rachuncho”, o presidente não deveria estar? Pela delação, não estava.

    Tem-se que, pelo que se tem até agora, a situação de Temer no caso Machado está menos para a de Renan, Sarney, Jucá e Lobão, que recebiam boladas milionárias e até mesadas, e mais para, por exemplo, a de Jandira Feghali (PC do B), Cândido Vaccarezza, Jorge Bittar e Luiz Sérgio (PT) e José Agripino Maia (DEM), citados por receberem doações registradas como legais por empreiteiras. Detalhe: eles teriam pedido para eles próprios, enquanto Temer teria pedido para terceiros, ou seja, Chalita.

    Nunca se sabe o que ainda pode vir de delações, gravações e versões atingindo o presidente interino e, além disso, foi temerário (sem trocadilho) Temer dizer que “alguém que tivesse cometido esses delitos irresponsáveis não teria condições de presidir o País”, referindo-se à acusação de Machado. E se, amanhã ou depois, surgirem evidências de que os dois se encontraram na Base Aérea e discutiram financiamento de Chalita às vésperas da eleição de 2012?

    “Você acha que eu preciso de intermediários para falar com empresário, para pedir doação de campanha para a empresa X, Y ou Z? Ainda mais de um sujeitinho (Machado) como esse?”, me disse Temer ontem, relatando que recebeu Machado, pelo menos uma vez, no gabinete de vice-presidente e na residência do Jaburu e que, de fato, vez ou outra, para ganhar tempo, mantém conversas na Base Aérea, mas não se lembra desse encontro de 2012.

    De qualquer forma, a metralhadora giratória de Sérgio Machado é muitíssimo grave, atinge o coração do PMDB, alveja sete partidos, inclusive o PSDB, e reforça duas questões muito delicadas: 1) qual a alternativa ao governo Temer agora?; 2) se não sobra ninguém e nenhum partido, que candidatos teremos em 2018?

    O bloco PSDB/PMDB/PPS/DEM ameaça incluir na acusação contra Dilma Rousseff, no processo de impeachment, o relatório preliminar do TCU apontando 23 irregularidades e/ou crimes de responsabilidade nas contas dela em 2015. Já a turma PT/PC do B/PDT contra-ataca tentando anexar as gravações e delações de Machado na defesa dela. Nada disso deve ter efeito prático, mas aumenta o descrédito geral.

    Aliás, bastou a Dilma botar o pé fora do Planalto para o PT trocar de posição com o PMDB: era alvo principal desde o mensalão, agora cedeu a vez ao PMDB de Temer. Confirmando que a munição mais pesada e a maior publicidade (para o bem e para o mal) são sempre para quem está no poder.

  4. Caro Newton, essa questão das pericias, é um bofetda no TCU, que tem rejeitado as CONTAS DE Dª Dilma, INFELIZMENTE O stf, do pt, deu apoio ao descalabro da desgoveernça que impera profundamente, nos colocando neste OCEANO DE LAMA.
    A Bandeira vermelha de uma estrela, ditatorial e corrupta, não substituirá a verde amarela, com céu azul estrelado e a “ORDEM E PROGRESSO”,
    Que o Cidadão eleitor, tenha VERGONHA NA CARA, VOTE COM CONSCIÊNCIA E DIGNIDADE, APESAR DO VOTO SER OBRIGATÓRIO e não reeleja a corja que infelicita À NAÇÃO.
    QUE DEUS NOS AJUDE, MAS FAÇAMOS NOSSA PARTE, ESCLARECENDO O SIGNIFICADO DO VOTO EM NOSSAS VIDAS, AO ZÉ POVINHO; VOTO OBRIGATÓRIO É DEMOCRADURA E FONTE DE CURRAIS ELEITORAIS, DOS POLITIQUEIROS.
    31 DE JULHO, PASSEATA PACIFICA PARA TRAZER O BRASIL AOS TRILHOS DO PROGRESSO.

  5. Sr. Carlos Newton,
    Parabéns pela sua luta e da TI pela verdade.
    O Sr. vai constatar que, até o fim do governo TEMER, o SILÊNCIO de todos será comprado. Lembra-se da matéria da ESQUISOFRENIA de DILMA?. A doença incurável poderia ser usada no impeachment.
    Mas, quem se atreveria?

  6. A AERANÁUTICA NÃO TEM MAIS OS REGISTROS DA BASE AÉREA , DEVEM TER SUMIDO JUNTO COM A LISTA OFICIAL DE VOOOS DA ROSE …. CIRCO !!!

    Sexta-feira, 17/06/2016, às 07:25, por Helio Gurovitz
    Temer diante de uma encruzilhada
    A crise política deflagrada pela delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado lança dúvidas imediatas sobre o futuro do governo do presidente interino, Michel Temer. Está em jogo não apenas o esfacelamento de seu ministério, com a queda do terceiro ministro alvejado pela Operação Lava Jato, Henrique Eduardo Alves, do Turismo. Estão em jogo também as medidas econômicas que precisam de apoio no Congresso e a sobrevivência do próprio Temer no cargo.

    “Se tivesse cometido crime, não poderia presidir o país”, afirmou Temer ao negar a acusação de Machado, qualificada por ele de “irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa”. Machado respondeu que comprovaria o encontro mantido com Temer na Base Aérea de Brasília em 2012. Na ocasião, diz Machado, Temer lhe solicitou obter doações para a campanha do então candidato à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita. MAchado afirmou que conseguiu R$ 1,5 milhão de modo ilícito para a campanha.

    A Aeronáutica informou que não dispõe mais dos registros de entrada na Base Aérea. Ainda não se sabe, portanto, como Machado tentará provar o que disse. Ele disse ter chegado ao local num carro alugado da Localiza. Mas um simples registro de aluguel não basta para comprovar o encontro. Será preciso apresentar o depoimento de outras testemunhas. Será que elas existem?

    Independentemente de quem esteja certo, a simples controvérsia é suficiente para aumentar as dúvidas a respeito do cenário futuro. Vários empresários voltavam a pensar em investir no país diante dos primeiros sinais de recuperação emitidos pela economia e das propostas sensatas do governo, como o estabelecimento de um teto para o crescimento dos gastos públicos. Diante das dúvidas, voltará a prevalecer a cautela.

    O futuro do governo está, no fundo, nas mãos do Congresso Nacional. Duas votações de resultado ainda incerto serão centrais para defini-lo. A primeira é a própria Medida Provisória a respeito do teto de gastos. A segunda é o julgamento no processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff.

    Ao montar seu governo, Temer privilegiou a distribuição de cargos para conquistar uma base sólida no Congresso. Até agora, não sofreu nenhuma derrota, e seus projetos foram aprovados por maiorias expressivas. Mas o teto de gastos é uma medida de natureza diferente, por interferir no interesse imediato de vários congressistas, os principais interessados nesses gastos. Eles precisarão, acima de tudo, ter confiança na permanência de Temer no poder para bancá-lo.

    É aí que entra em questão a votação decisiva, a do impeachment. Cinquenta e quatro senadores são necessários para condenar Dilma. Até agora, pelas informações disponíveis, os votos declarados contrários a ela não somam 40. Há entre 20 e 25 indefinidos, número suficiente para virar a votação para um lado ou para o outro ao sabor da conveniência.

    O caso mais ilustrativo é o próprio presidente do Senado, Renan Calheiros. Ele mantém uma desavença histórica com Temer no PMDB. Acabou aderindo meio a contragosto à tese do impeachment, diante da força política da denúncia. Seu principal temor é a Lava Jato. Pelas gravações de Machado, acreditava que o governo Temer seria capaz de detê-la. Não foi. Recentemente, Renan voltou a se mostrar hesitante e, na festa junina da senadora Kátia Abreu, contrária ao impeachment, chegou a dizer “sou Dilma”.

    Está em curso um roteiro político cujo desfecho, a esta altura, ninguém tem condição de prever. Com exceção da economia, área para a qual indicou os melhores nomes disponíveis, Temer adotou as práticas da política tradicional para montar seu ministério. Apostou na governabilidade, no velho “tomá-lá-dá-cá” de cargos e verbas. Paga um preço alto por isso, à medida que a Lava Jato avança sobre Brasília.

    O benefício teórico de sua aposta é a maioria no Congresso. Ela deveria bastar para aprovar as medidas mais que sensatas propostas por Meirelles e para afastar o espectro da volta de Dilma. Nada disso estava 100% garantido, mas era um cenário mais que provável sem as denúncias. Agora, a batalha de Temer se tornou mais dura. O país não deveria ter de escolher entre as medidas urgentes para reerguer a economia e o combate implacável à corrupção. Infelizmente, é nisso que o governo Temer parece ter se transformado.

  7. Newton, Chalita há três mêses estava em negociações com o PDT para ser candidato a prefeito. Escrevi ao Lupi dizendo para ter cuidado que Chalita estava sendo investigado. Não sei se está denunciado. O certo é que tem um “imbroglio” para resolver.

  8. Bravo, C.Newton!
    Um texto corajoso e uma análise lógica, pontuada em fatos reais, e uma conclusão insofismável e dura, porém verdadeira.
    Para nós, simples mortais, é o desfecho de uma trama ignóbil, perpetrada por um servidor público às ordens da Justiça, que ao invés de lutar contra o GOLPE, deu guarida ao diabo lulista e alimentou-o sob a sua toga, que deveria proteger a Lei e não a Orcrim petralha.
    Enfim, Janot não passa de uma janota, segundo Collor.

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