Confronto entre estratgicas econmicas

Carlos Chagas

A reunio ministerial de ontem serviu para ampliar o fosso entre duas estratgias que h muito dividem a opinio dos tericos sobre o desenvolvimento econmico nacional. Com intensidade raras vezes vista desde que os companheiros tomaram o poder, a presidente Dilma deixou claro caber ao Estado, quer dizer, ao governo, gerir, liderar e definir os caminhos da economia.

Coincidncia ou no, um dos porta-vozes do neoliberalismo, o ex-ministro da Fazenda, Malson da Nbrega, publicou artigo numa revista semanal estrilando e sustentando o oposto: a importncia de o Estado e o governo sarem de cena, deixando iniciativa privada estabelecer os rumos do desenvolvimento conforme suas prprias concepes e interesses.

Essa controvrsia centenria, chegando outra vez a um clmax perigoso, como chegou no passado. A presena do Estado, de orientador e at tutor da economia, tem criado problemas e solues. Se o poder pblico perdulrio, gasta mal e s vezes de forma errada, tambm verdade que empresa privada falta a preocupao com o sentido de nacionalidade e com as questes sociais, voltada apenas para o lucro e o objetivo de enriquecer.

Dilma no deixou dvidas ao enfatizar a necessidade de o pas crescer com segurana, estimulando o crdito para a produo e o consumo interno, assim como impulsionando programas sociais de combate misria, obras pblicas voltadas para as carncias econmicas e os resultados sociais.

Do outro lado, os neoliberais insistem, pelo seu representante, na presena do Estado e do governo apenas como fornecedor de recursos e de financiamento para seus projetos. Rejeitam ingerncias ao tempo em que exigem favores.

Comearam a reagir no mesmo dia em que a presidente reafirmou o papel do poder pblico na definio do desenvolvimento econmico. Desse confronto de tendncias, vai sair fasca…

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A INSEGURANA CONTINUA

A segunda-feira chegou e passou sem nenhuma outra reforma ministerial alm das pontuais, comeando pelo deslocamento de Alosio Mercadante para a Educao e da escolha de um tcnico para Cincia e Tecnologia.

Isso significa estarem garantidos os demais ministros, inclusive aqueles sem dilogo com a presidente Dilma, meros representantes dos partidos da base assentados em fatias do governo?

Nem pensar. Apenas, a reforma da equipe no se fez num s gesto cirrgico. A chefe do governo ter tido suas razes para no desarrumar o quadro partidrio, mas no ter desistido de amoldar a equipe administrativa aos seus conceitos de competncia e probidade. Da reunio de ontem em diante, continuam em aberto as substituies, capazes de acontecer individualmente em uma semana, em um ms ou durante o ano, mas evidentes.

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DENOMINADOR COMUM

Apesar das diferenas de concepo poltica, das ambies e at da prevalncia de vrios egos, um denominador comum une Geraldo Alckmin, Fernando Henrique Cardoso, Acio Neves, Antnio Anastasia, Marcone Perilo, Teotnio Vilela, Tasso Jereissatti, Srgio Guerra e outros integrantes do Alto Tucanato. Todos concluem pela inviabilidade de Jos Serra vir a tornar-se pela terceira vez candidato presidncia da Repblica, em 2014.

Acima e alm das pesquisas, est no ar que eles respiram a evidncia de virem a faltar condies ao ex-governador de So Paulo para disputar o poder com Dilma Rousseff. O problema saber quem vai colocar o guiso no gato, at agora resistindo a saltar de banda, o que aconteceria caso aceitasse disputar a prefeitura de So Paulo.

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UM ANO ANTES, A BRIGA DE FOICE

No final de fevereiro Jos Sarney e Marco Maia presidiro as sesses de reabertura dos trabalhos do Senado e da Cmara. Ambos estaro impossibilitados, pela lei, de disputar outra vez as presidncias das duas casas do Congresso.

Havia, at pouco, a perspectiva de um acordo muito falado mas jamais celebrado, a respeito de, como no xadrez, PMDB e PT realizarem um roque. No caso, os companheiros passarem a presidir o Senado e os peemedebistas, a Cmara. Havia at candidatos cogitados, l e c.

O problema que alm de se terem deteriorado as relaes entre os dois partidos, vem prevalecendo a natureza das coisas. Se o PMDB continua majoritrio entre os senadores, por que entregar o ouro? Vale o mesmo para o PT, entre os deputados.

claro que essa tertlias parecem longe de ser lineares. As oposies e os grotes costumam desarrumar entendimentos verificados nas cpulas. Por conta desse jogo de presses que j comeou, um ano antes das decises, prevalece a evidncia de nada estar delineado, a no ser o fato de que Sarney e Marco esto fora.

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