Consequencias da suposta condenação de José Dirceu

Carlos Chagas

O ministro Joaquim Barbosa fechou o triângulo. Primeiro relacionou Marcos Valério ao Banco Rural. Agora, une esses dois ângulos ao terceiro, José Dirceu. Dificilmente deixará de condenar o ex-chefe da Casa Civil, como fez com o publicitário e com a diretoria do banco. Até agora a maioria dos ministros do Supremo tem acompanhado o relator. Não há indicações de mudança, apesar de os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli discordarem.

Dirceu no banco dos réus

A suposta condenação de Dirceu seria o que de pior poderia acontecer ao PT, tanto faz se depois do primeiro turno das eleições municipais, certamente antes do segundo. Essa perspectiva explica a irritação crescente do ex-presidente Lula, cuja preocupação principal é ver Fernando Haddad prefeito de São Paulo. A primeira batalha, de colocar o ex-ministro da Educação no segundo turno, aparece mais renhida do que a definitiva.

Os companheiros dão mostras de estarem tão exasperados quanto o chefe. Sabem adiantar muito pouco tentar evitar a vitória de Celso Russomano na votação inicial, por isso concentram suas baterias nos fartos índices de rejeição de José Serra. O favorito ficaria para a etapa posterior, mesmo sabendo que nesse caso os tucanos votariam em peso no primeiro colocado. Desenha-se, assim, o previsível para 2014: a disputa entre PT e PSDB pela presidência da República. Com farta vantagem para a reeleição da presidente Dilma, ainda que debaixo das nuvens do imponderável, senhor de todas as eleições.

De qualquer forma, o roteiro do julgamento no Supremo parece definido, ainda mais com a simpatia do presidente Ayres Britto pela antecipação de seu resultado através de sessões extraordinárias de votação. A pedra de toque no processo chama-se José Dirceu. Sua condenação influenciará os resultados das eleições municipais. Quanto às nacionais, daqui a dois anos, nem com bola de cristal…

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PERIGO IMINENTE

Nesta semana que poderá ser a última de funcionamento do plenário do Senado, antes das eleições, coube a Roberto Requião um alerta de graves proporções. Porque tramita na casa projeto de lei privatizando as penitenciárias, coisa que ele disse abominar. Se aprovada a iniciativa, seria a prevalência do dinheiro no sistema penitenciário nacional. Os ricos logo transformariam suas prisões em hotéis de cinco estrelas, com direito a regalias de toda espécie, ao tempo em que os presos pobres passariam pior do que já passam.

Quando governador do Paraná, Requião retomou umas poucas penitenciárias que haviam sido privatizadas. Recusou o argumento de haver economia para os cofres públicos, lembrando posicionamento do economista Paul Krugman no New York Times, para quem, nos Estados Unidos, esse regime não trouxe qualquer vantagem, muito pelo contrário. Em New Jersey comprovou-se não ter havido recuperação dos presos pelo trabalho, como se apregoava. Aconteceu a degradação das funções do Estado por razão da lógica interna do capitalismo, que busca o lucro e despreza a solidariedade. Não há como entregar à iniciativa privada funções que são do Estado.

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