Considerações sobre a lentidão das reformas no Brasil e desamparo do cidadão

Gilson Devita Costa

Na Tribuna da Internet, Flavio Jose Bortolotto fez o seguinte pergunta:
“Qual a melhor estratégia para aumentar rápida e continuamente o padrão de vida de um Povo, ainda em estágio pré-industrial?” A resposta remete-se à questão da regulação política.

Há a Economia de Poder Centralizado via partido único em que não há negociações políticas, segundos turnos, os altíssimos custos das eleições etc. Há a Economia de Capitalismo Liberal com pouquíssimas regulamentações, coisa que alguns denominam ‘capitalismo selvagem’. E ainda há a Economia Capitalista Superregulada da democracia representativa de multipartidarismo, que quase engessa o Sistema.

Segundo Bortolotto, “a prática sempre demonstrou que o Capitalismo, principalmente o bem regulado, (o que não é o caso do Brasil), é o Sistema mais produtivo. Muito mais do que a Centralização Dirigida, via Plano Central das Economias Socialistas, que não conseguem ter a criatividade e a eficiência dos mercados bem regulados. [Ainda assim], o Sistema Chinês é muito mais produtivo do que o nosso. O nosso é muitíssimo ineficiente.”

No Brasil de hoje temos um partido que chegou ao poder prometendo reformas e até o momento nenhuma realizou. Preferiu trocar seus objetivos de estado (de origem, estratégicos para o país), por meros objetivos de governo, mergulhando-se inteiramente no jogo político da regulamentação.

Os três poderes tanto quanto os sindicatos das várias tendências ideológicas — que só se diferem pelo grau de fisiologismo — estão no mesmo jogo. “Para sobreviver é preciso jogar o jogo”.

O Brasil de hoje é o Brasil de sempre, a população não possui nenhum tipo representação política consistente. Os partidos de esquerda se transformaram em direita, isto porque se ocupam, em todo o seu tempo, unicamente de seus próprios interesses, e para isso, assumiram o papel de intermediador e mantenedor dos interesses unicamente da elite econômica presente no jogo do poder político-econômico.

A população não tem como defender, nem sequer, seus interesses mais comezinhos, até mesmo os de consumidor. O sistema brasileiro anda tão mal regulado, que as empresas que prestam serviços essenciais ao grande público — empresas de serviços concedidos e bancários, inclusive as controladas pelo governo – se dão ao luxo da esbórnia de humilhar os clientes cobrando até por serviços que não prestaram, se apropriando da economia e do tempo dos consumidores. Estes, não têm como se defender, inexiste ação das agências reguladoras, nada funciona a seu favor, tudo demanda tantas provas e tanto tempo que fica impossível reaver direitos, só lhe resta pagar.

O consumidor, na maioria desprovida da educação necessária à formação da consciência de cidadania, não entende bem a questão e não se sente suficientemente humilhado para reagir. Ainda não aprenderam usar as armas da pressão reivindicatória do voto e outra nas instâncias. E a esbórnea se perpetua.

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