Continua a embromação para atrasar ou evitar o “depoimento  presencial” de Jair Bolsonaro

Charge: Enquanto isso no STF. -

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Para quem ainda tinha esperanças de que o ministro Celso de Mello iria até o fim no inquérito sobre a briga entre o presidente Jair Bolsonaro e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, é preciso esclarecer que na política brasileira as aparências quase sempre nos enganam. Conforme já assinalamos aqui na Tribuna da Imprensa, trata-se de uma tremenda embromação do decano do Supremo, que está jogando para a arquibancada, já de olho no vestiário, digamos assim.

Em O Globo, a reportagem Carolina Brígido, que faz cobertura do Supremo, confirma nossa informação e diz que três ministros já lhe afirmaram, em caráter reservado, que discordam da decisão de Celso de Mello, por não ter permitido que o presidente Jair Bolsonaro possa depor por escrito à Polícia Federal na investigação sobre as acusações de Moro, que denunciou Bolsonaro de tentar interferir indevidamente na PF.

O TEMPO VOA – Falta menos um mês e meio para o decano abandonar o gramado e ele faz um esforço supremo para fingir que está correndo atrás da bola. Não só aparenta obrigar o presidente a depor, como deixou aos federais a missão de marcar dia e hoje. Tudo jogo de cena, fazendo cera para o tempo passar.

A Advocacia-Geral da União, que defende Bolsonaro, afirma que vai recorrer ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, mas vai deixando a bola rolar. Só vai recorrer depois que a Polícia Federal marcar a data do depoimento. Mas nada impede que a Casa Civil, quando a intimação enfim chegar ao Planalto, responda que, infelizmente, o chefe da nação já agendara uma viagem ao Piauí, e estamos conversados.

Quando a AGU recorrer, faltará menos de um mês para a saída de Celso de Mello, que abandona o time no dia 30 de outubro, uma quinta-feira. Ou seja, não haverá depoimento algum.

MUITOS ARGUMENTOS – Estrategicamente, Celso de Mello deixou uma porção de brechas em sua decisão. Primeiro, inventou a jogada de considerar que presidente investigado é obrigado a depor presencialmente. Isso “non ecziste”, diria Padre Quevedo, revoltadíssimo. E Arnaldo Cesar Coelho concordaria, explicando que a regra não diz nada disso.

Além do mais, Bolsonaro não é “investigado” no inquérito, pois quem está escalado nessa posição é o ex-ministro Moro, alvo da petição inicial  do procurador Augusto Aras, que deu origem à questão.

Por fim, Celso de Mello cometeu pênalti ao determinar que o ex-juiz Moro (o verdadeiro investigado) possa comparecer ao depoimento de Bolsonaro (autor da denúncia) e até fazer perguntas a ele.

FORA DA LEI – Aliás, em que lei se baseou Celso de Mello para isso? Conforme já assinalamos aqui na TI, tudo não passa de uma “interpretação” solitária do ministro

Está mais do que claro que ele finge agir com rigor máximo, mas na verdade está  facilitando a defesa de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que o transforma em “perseguido político”, do tipo Lula da Silva.

O mais cômico foi o relator ter deixado a critério da Polícia Federal a marcação da data. Qual será o delegado escolhido para intimar Bolsonaro. E se o presidente não atender, haverá condução coerciitiva?

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P.S.Meu amigo Saulo Ramos tinha razão sobre Celso de Mello. Realmente, trata-se de um “juiz de merda”. (C.N.)

9 thoughts on “Continua a embromação para atrasar ou evitar o “depoimento  presencial” de Jair Bolsonaro

  1. Mauro, deixe a estupidez e burrice em casa: não confunda Celso de Mello com Marco Aurélio de Mello.
    Mais: acredito que Marco Aurélio autorizará-permitirá, agora que passou a relator do pedido da defesa do presidente, que decidirá para Bolsonaro defender-se por escrito.

    • Só se for para ser cassado e preso. O cara está envolvido em corrupção até o pescoço! Mas concordo: é a hora de mostrar que é macho (o que duvido) ou mostrar que sua macheza não passa de encenação.

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