Continua a turnê nacional do jornalista Amaury Ribeiro Jr. para divulgar seu livro A Privataria Tucana,

Marcelo Delfino

Terça-feira, Amaury Ribeiro Jr. esteve na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, num debate baseado no livro. O debate contou com a presença do sociólogo Emir Sader, do jornalista Fernando Brito (editor do Tijolaço de Brizola) e de Luiz Fernando Emediato, editor da Geração Editorial.

O debate foi aquela coisa positiva que se esperava. Ali se discutiu seriamente o processo de privataria da Era FHC, e tudo relacionado: pagamento de propina, enriquecimento ilícito, evasão de divisas, internação de dinheiro em paraísos fiscais, venda de empresas estratégicas com preços subfaturados e financiamento público, etc.

Não deixaram de ser citados nominalmente algumas das personalidades da privataria, destacando os dois principais personagens do livro: José Serra e seu tesoureiro de campanha Ricardo Sérgio. Também foram citados acusados pelo livro de lavagem de dinheiro, desde Paulo Maluf a Ricardo Teixeira.

Abriram espaço para seis pessoas fazerem perguntas para os quatro debatedores. Dentre eles, apareceu até um ex-funcionário de bancos estatais privatizados do Espírito Santo e do Distrito Federal, dizendo saber muita coisa podre sobre a privataria do banco capixaba. Apareceu também uma servidora da saúde do estado de São Paulo, para perguntar ao Amaury se ele tinha algum dado sobre as OSs que estão participando do processo de privatização da rede do SUS no estado hoje governado por Geraldo Akckmin. Amaury prometeu averiguar.

Também apareceu um aposentado do BNDES afirmando que os concursados do banco na época da privataria trabalharam honestamente em seu dia a dia sem participar das privatarias, no que a plateia concordou. O problema é que o cara trouxe um calhamaço de papel para tentar provar que a cúpula também não participou da bandalheira tucana, e que o processo não teve propinas.

No que foi rechaçado por muita gente, inclusive pelo Amaury. O aposentado também disse que o livro era incompleto e mal escrito, e não tinha linguagem acadêmica. Teve um cara da plateia que sugeriu ao aposentado que publicasse o calhamaço em livro ou que mandasse para Merval Pereira, ironicamente, um acadêmico, ao contrário de Amaury, que disse explicitamente que não é acadêmico, e sim jornalista.

Fui lá, mas não pude fazer as perguntas que queria. Além da falta de espaço, aquele debate estava cheio de adoradores de Lula, daqueles que não admitem sequer uma semelhança entre os governos tucanos e o governo lulo-dilmista, e não admitem sequer um questionamento a respeito do presidente Lula, mesmo de seus eleitores.

Havia exceções, claro. Conversei a sós com o ex-funcionário de bancos estatais, que concordou comigo no raciocínio de que o governo Lula-Dilma não está interessado em levar adiante as investigações sobre a privataria tucana, para fazerem a deles. Há parlamentares governistas interessados em participar da CPI sobre o assunto, mas pouca gente ou ninguém do governo propriamente dito quer apoiar.

Por fim, destaco algo dito por Amaury e seu editor. O problema não são as privatizações em geral, em todas as épocas e lugares do mundo. Pode-se ser a favor delas ou ser contrário, dependendo do caso. A privataria tucana é que tem todos aqueles problemas específicos: pagamento de propina, enriquecimento ilícito, evasão de divisas, internação de dinheiro em paraísos fiscais, venda de empresas estratégicas com preços subfaturados e financiamento público, etc. Coisas que devem ser rechaçadas por qualquer pessoa decente, independente do pensamento político que tenha.

www.mjdelfino.blogspot.com
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