Contradictio in terminis? Ou realmente existem “promotores vagabundos”?

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Fernando Orotavo Neto

Intriga, espanta e admira, a declaração prestada pelo ex-procurador-geral do Rio de Janeiro, Claudio Lopes, ao jornal O Globo, publicada neste sábado (pág. 4), no sentido de que “promotores vagabundos estão vazando documentos para prejudicar a imagem da instituição”. Isto porque, a meu ver, nada prejudica mais a imagem da instituição do que o ex-procurador-geral declarar que, no MP, existem “promotores vagabundos”. Ademais, se existem promotores vagabundos no MP, cabe perquirir: quem são?

Ora, no momento em que o ex-procurador-geral declara que “há um monte de promotores vagabundos”, deveria o Dr. Claudio Lopes dar nome aos bois, pois a sociedade brasileira tem o direito de saber quem são os vagabundos cujos salários são pagos com o dinheiro do povo do Rio.

Mas como o Dr. Claudio Lopes não nominou os promotores vagabundos, prefiro acreditar que a expressão por ele cunhada não passa de uma contradictio in terminis (contradição entre termos), pois a outra hipótese, vale dizer, tratar-se de um oxímoro, parece ser bem pior para a sociedade fluminense.

Assim, ficamos todos bem, certos de que promotores vagabundos não há no MP e de que a infeliz frase cunhada pelo Dr. Claudio Lopes não passou de um justificado arroubo, próprio daqueles que pensam que “a melhor defesa é o ataque” ou que “um erro justifica o outro”.

Cada país tem o servidor público que merece, mas não há como deixar de sentir pena do Rio, que atravessa a maior crise de moralidade administrativa de sua história…

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm tradução simultânea, oximoro é uma figura de linguagem em que ocorre falso paradoxo, com uso de palavras de sentido contrário. Ou seja, se fosse verdade a existência de promotores vagabundos, seria ainda pior para todos nós. Quanto ao procurador Cláudio Lopes, parece ser um exemplo concretude de vagabundagem funcional. (C.N.)

6 thoughts on “Contradictio in terminis? Ou realmente existem “promotores vagabundos”?

  1. 1) Acredite se quiser…

    2) A coisa de algum tempo participei de uma reunião com vários representantes de diferentes religiões e lá pelas tantas um Pai de Santo disse:

    3) “O povo brasileiro ainda vai sofrer muito”…

    4) 14 milhões de desempregados, mas este mesmo povo tem uma característica interessante:

    5) Brinca com coisas sérias, vão para a Economia Informal e caem no samba …

    6) Vai entender…

  2. Para mim, eminentíssimo doutor Fernando Orotavo Neto, nem “contradiction in terminis”, nem “oximoro”, mas “sine pudoris”, “nullus honestatis”. Ou ambos. Este promotor assumiu a obrigação de indicar quem é ou quais são os seus pares “vagabundos”. A acusação é seria. Não admite contemporização. Se não indica, causou dano moral coletivo a todos os que integram a instituição. E o baixo vocabulário que empregou faz recair sobre si próprio o significado e peso da carga ofensiva do adjetivo que usou.

  3. Ministro do STF, Luís Roberto Barroso, depois de votar no STF a favor, aprovando que ministros do supremo, juízes, promotores, desembargadores e outros marajás do serviço público podem acumular funções públicas, recebendo acima do teto constitucional de R$ 33 mil, afirma em entrevista que o STF está “tentando refundar o País”.
    Agora sabemos para quem serve essa refundação.
    https://goo.gl/shkloR

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