Conversa com leitor-comentarista, sobre a promessa de “Lula” de no disputar a sucesso em 2014, em reunio com a bancada do PT.

Ricardo Sales: Helio, no caf da manh com a bancada do PT, o presidente Luiz Incio Lula da Silva reafirmou quinta-feira que no pretende disputar as prximas eleies presidenciais. Se eu quisesse disputar a eleio em 2014, eu teria escolhido um candidato para perder e no para ganhar (em 2010), disse.

Comentrio de Helio Fernandes:

Como analista tenho que reconhecer que faz todo o sentido. Qualquer que seja o ngulo da viso, nenhuma restrio. E como at adversrios reconhecem que perderam para ele e no para ela, Lula poderia tentar realmente lanar algum com menor chance do que Dona Dilma ou derrot-la.

Os problemas da eleio de 2010 se resumem em dois itens. No existia no PT ningum mais disponvel ou mais frgil eleitoralmente, do que Dona Dilma. 2 Tendo lanado abertamente um candidato, (no caso, a primeira mulher da Histria), no podia derrot-lo, pois a derrota seria colocada, irreversivelmente, na sua conta.

Assim, est destruda a credibilidade da afirmao que fez no caf da manh no Planalto, como voc afirmou, Ricardo. E a falha no tua, voc no tem a menor culpa, divulgou apenas uma informao, sem nenhuma opinio.

Acredito que HOJE ningum mais importante poltica e eleitoralmente do que Luiz Incio Lula da Silva. D a impresso da maior satisfao, exibe uma arrogncia fora do comum, mas surpreendentemente, no arrogncia agressiva nem exibicionista.

Tem tudo para se meter em qualquer assunto, diz o que quer, no liga para a repercusso que suas declaraes de ainda presidente provocaro. Indicou praticamente todos os ministros, vetou quem quis, e muitos avaliados e avalizados por ele, esto a, garantidos de verdade.

E faz coisas espantosas, extraordinrias e at assustadoras para um cidado que ainda presidente, mas sabe que dentro de alguns dias haver outro presidente, com outro nome, com as mesmas funes, e mais importante: ELEITO (no caso, ELEITA) por ele. Pois apesar de tudo isso, Lula entrou numa polmica pblica com um ministro dele e que continuar ministro de Dona Dilma, a sucessora.

Se no perceberam, Guido Mantega, Ministro da Fazenda de Lula e entregue a Dona Dilma, todo coberto de proteo de luxo, resguardado e apresentado ao mundo, num seminrio internacional. Apesar (ou ser que por causa disso?) de Dona Dilma ter dito, vou controlar a rea econmica. Foi aceito com um Festival Wagner de homenagens ruidosas.

Mantega ficou satisfeito, no comparecia com Lula a acontecimentos internacionais. E quando ia, era apenas como coadjuvante, a estrela era o Ministro Celso Amorim. Lula aproveitou para demitir o chanceler, sem aviso, ele que j se considerava garantido, pelo menos at vagar a embaixada esperada.

Dessa forma, Ministro de Lula (que ainda presidente), indicado e retumbado por ele, recepcionado com a mesma importncia e imponncia por Dona Dilma, que no demora a assumir o Planalto inteiro, Mantega considerou normal e compreensvel mostrar planos e decises para 2011.

Tinha todo o direito de admitir que falava como Ministro da Fazenda do governo que saa e do governo que entrava. Na verdade, essa localizao, entrava e saa, no tem sentido, Lula e Dilma tentam convencer (ou mais do que um convencimento?) que se alimentam da mesma realidade.

S que Mantega falou sobre o PAC, vamos cortar 8 BILHES dessas obras. Nem imaginou, mas Lula considera que o PAC um pacto com ele e no com o pas ou o presidente. E imediatamente respondeu, duas vezes inacreditvel. Por considerar que havia sido atingido e por polemizar com um ministro, publicamente.

Ainda considerando que tudo ia bem, o Ministro da Fazenda foi para a televiso e acionou os jornales, reafirmando: A presidente Dilma j disse que em 2011 vamos cortar gastos, concordo inteiramente, e esses gastos tm que ser cortados do PAC.

Aconselhado de vrios lados a no triplicar, pois Mantega era servidor de dois amos, Lula no aceitou ponderaes ou conselhos, voltou ao assunto, num evento pblico. Com todos os ministros presentes (os seus e os de Dona Dilma), reafirmou: Obras do PAC no sero cortadas, as verbas sero mantidas.

Mas a, quem quiser que se surpreenda com Lula, praticou um ato que s um homem como ele (ainda presidente) pode praticar. Rindo muito, e se dirigindo ao auditrio, aconselhou: Quem estiver em dvida entre a minha afirmao e a do Mantega, fique com a dele. E continuou rindo.

***

PS Impossvel fazer anlise sobre um presidente que se comporta dessa forma. Que tanto pode ser desprendida, audaciosa, generosa. Mas tambm tem muito de arrogante, pretensiosa, eu sei o que estou falando. Escolham.

PS2 Se isso, que acontece agora, merece a denominao de impossvel, logicamente muito mais I-M-P-O-S-S-I-V-E-L definir candidaturas ou acontecimentos, com quatro anos pela frente. Tanta coisa vai acontecer, e tem que acontecer, que eu no analisaria nem mesmo o ano de 2011, apenas ele.

PS3 Sem citar o autor, ainda presidente, Collor gostava muito de dizer e repetir: O tempo o senhor da razo.

PS4 Sem imitar nem copiar ningum, Lula poderia dizer sem exagero e sem riscos: O tempo o senhor da sucesso.

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