Copa de 2014 foi a mais rentável da história (para a FIFA, não para o Brasil…)

Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Jorge Béja

A FIFA reconheceu, embora escamoteando o valor verdadeiro, que a Copa do Mundo no Brasil em 2014 foi o evento de toda a história da instituição que mais rendeu a seus cofres. Foram 16 bilhões de dólares, conforme publicado um ano atrás pelo Estadão. Depois disso, o Brasil mergulhou no estado em que se encontra, com notas rebaixadas pelas agências internacionais de classificação de risco, desemprego, violência urbana extremada e fora de controle, presidente da República afastada, políticos e empresários presos, Estados e Municípios sem dinheiro para pagar o funcionalismo…

Sabemos que a Copa de 2014 não foi a única responsável por isso. Mas com tanto dinheiro público gasto com o evento, tanta roubalheira e tantas benesses à FIFA, não podemos deixar de contabilizar tudo isso como fator que pesou forte para a situação caótica do país.

E as fortunas arrecadadas com os eventos (Copa do Mundo de Futebol, Olimpíada e Paraolimpíada) estão isentas de pagamento de todos os impostos que nós, brasileiros, empregados e empregadores, seja quem for, somos obrigados a pagar ao poder público.

NA FORMA DA LEI – Houve três leis federais (12.350/2010, 12.780/2013 e 13.284/2016) que isentaram FIFA, COI e demais agremiações a elas agregadas, liberando o pagamento de Imposto de Renda, IOF, contribuições sociais, PIS, Cofins… enfim, todos os impostos que são cobráveis aos brasileiros exigíveis. Isto sim é que é legado. Não, para os brasileiros, para o povo do Rio. Mas para a FIFA e para o COI.

Em artigo anterior publicado aqui na Tribuna da Internet,  em que demonstramos que “Legado Olímpico” ou “Legado da Olimpíada” não existe, entre dezenas de leitores que comentaram e aprovaram o artigo, a leitora Teresa Fabrício considerou o texto “irretocável”. Mas como atleta que foi e continua sendo, escreveu a leitora que “o legado olímpico é muito mais do que asfalto e concreto”.

Certamente, Teresa. Legado é sempre algo benigno, material ou imaterial, que o legador, dono do bem, deixa para o legatário ou legatários que designou em testamento. O bem (legado) é dele. Após sua morte, o bem passa à propriedade de outra(s) pessoa(s) pelo legador contemplados.

NÃO EXISTE LEGADO – O que não se concebe é que um bem, ou conjunto de bens, materiais e/ou imateriais, edificado(s) e construído(s) com o dinheiro do povo, seja considerado como “legado” ao próprio povo que dele já é proprietário por natureza, visto as obras terem sido realizadas com recursos públicos. Ninguém lega a si próprio um bem que já é seu ou que foi obtido com seu recurso.

Se o COI, o COB e outras agremiações nacionais e internacionais aqui levantassem e realizassem, com recursos próprios, obras e benfeitorias para sediar a Olimpíada e depois deixassem tudo para o povo delas usufruir, aí sim teríamos a figura do “Legado Olímpico”.

Mas não é isso que acontece. O COI, a FIFA, no caso da Copa do Mundo de Futebol (embora saibamos todos que são instituições sem fim lucrativo e de uma honorabilidade a toda prova…), e uma penca de seus agregados e filiados, eles aqui chegam, dão ordens, fazem a festa, não gastam um centavo, ganham fortunas, depois vão embora e nós é que ficamos com as dívidas e arcamos com o seu pagamento.

Perdão, mas isso não é “Legado Olímpico”, mas “Fardo Olímpico”, e ainda vai custar muito caro à população nos meses e os anos que estarão pela frente.

11 thoughts on “Copa de 2014 foi a mais rentável da história (para a FIFA, não para o Brasil…)

  1. Sem contar com a quebra da Constituição concernente aos Direitos da Cidadania…

    O FACISTEMER PEDIU PENICO ! kkkkkaaaass
    09/08/2016 17h23 – Atualizado em 09/08/2016 18h40
    Recurso para voltar a proibir protesto político na Olimpíada é retirado
    Fica mantida limitar que garante o direito de protesto pacífico nas arenas.
    Justiça Federal estabeleceu multa caso medida seja descumprida.
    http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/noticia/2016/08/uniao-desiste-de-recurso-para-voltar-proibir-protesto-politico-na-olimpiada.html

  2. Vai, Brasil!!!
    O Financista 09.08.16 17:59
    “Confiamos que a boa vontade gerada pela Olimpíada neste mês continuará a recarregar o espírito das pessoas.”

    É assim que a Franklin Templeton, uma das maiores gestoras de investimentos em países emergentes, espera que o Brasil embale rumo à recuperação econômica, após os primeiros e ambíguos sinais de que o pior já passou.

    Por esse raciocínio, então, se a seleção masculina de futebol realmente ganhar uma medalha de ouro, vamos virar uma Suíça…

  3. D. Teresa, em Natal-RN, não pode-se chamar propriamente de “legado” a destuição de um estádio e ginásio públicos para em seu lugar erguer-se, com pesado dinheiro público, a ser pago em 20 anos, com patrimônio público incomensurável dado em garantia dos pagamentos, um estádio “particular”. Imaterial, idem, pois dos times daqui, o ABC, da série C, tem estádio próprio, e o América, em vias de ir à série D, está a construir o seu.

    • Este assunto já foi discutido à exaustão. O legado que me referi não é feito de concreto e asfalto, embora o Rio tenha mudado de cara e esteja ainda muito mais bonito, a um custo estratosférico, sem dúvida!
      O legado é a disseminação do esporte e a inclusão, que, como estamos vendo, é bastante eficaz.

  4. Bom, Béja, fiz o comentário e as perguntas abaixo em outro post e os repito aqui:

    A CBF é uma associação PRIVADA, cuja principal atividade econômica é a produção e promoção de eventos esportivos, que é responsável pela organização de campeonatos de alcance nacional, que subordina as Federações estaduais, responsáveis pelos campeonatos em cada Unidade da Federação e que também administra as seleções brasileiras de futebol.

    Posto isto, eu pergunto: quem ou o que lhe confere autoridade para representar o Brasil oficialmente? Há meios legais de lhe tirar esse poder, já que motivos não faltam? Já que a CBF é, a grosso modo, dirigida pela FIFA, outro antro de bandidos, quais seriam as implicações internas e externas se ela fosse destituída dos seus poderes?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *