Copa do Mundo: vamos partir em busca do hexa

Pedro do Coutto

Estamos às vésperas da primeira partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010, a décima nona na história das Copas, torcendo intensamente para conquistarmos o hexa campeonato. Será mais um título histórico para nosso futebol, portanto para nós mesmos, que entramos em campo com  o escrete e fazemos de sua aventura a nossa aventura, e fazemos de seu êxito o nosso próprio êxito. Na verdade, uns mais apaixonados, outros menos, no fundo todos nós nos orgulhamos de nosso futebol, e traduzimos suas conquistas heroicas como nossas próprias vitórias.

Tivemos seleções de ouro em 58, 62 e 70, ganhamos jogando fora de nosso estilo em 94, recuperamos o brilho em 2002, com Felipão que, na Ásia, soube assegurar o equilíbrio psicológico de um gênio como Ronaldo, que, hoje, embora  em atividade no Coríntians, já pertence ao passado. E agora em 2010, na África do Sul?

Não esperemos um futebol arte como o do passado, de belos lances, de brilho individual, de alta criatividade. No sistema traçado por Dunga, que já ficou claro nas vitórias que alcançamos na Copa das Américas e na Copa das Confederações, atuaremos fechados com quatro zagueiros, quatro homens no meio campo, sejam quais forem, dois jogadores na frente, Luís Fabiano e Robinho. Cacá e provavelmente Elano vem tocando de trás e chegam na área adversária logo após Fabiano e o craque do Santos. Vai ser assim. Que fazer? Não há de ser por isso que deixaremos de vibrar.

A preferência será defensiva com muita preocupação com o meio campo e o tempo de posse de bola. Dunga possui a visão de que termina vencendo quem mantém por mais tempo o domínio da esfera, atualmente a Jabulani que desperta controvérsias. Que fazer? Vamos em frente vestindo verde e amarelo.

Seja qual for o time, embarcaremos com ele rumo à vitória. Vamos novamente formar a corrente que nos levou a cinco conquistas históricas e imortais. Se alcançarmos o hexa, teremos estabelecido um novo recorde, que, através do tempo, através do futuro, será muito difícil de vir a ser batido. Inclusive porque vitoriosos na África do Sul, nada impede que sejamos novamente campeões daqui a quatro anos, no Brasil, no Maracanã, cenário em que perdemos a final para o Uruguai em 50, primeira Copa disputada no após guerra. Ganhando no continente negro, estaremos na meta da hepta. Mas esta é outra questão.

A comunicação do treinador Dunga com a torcida não vem sendo boa. Deveria ser, através da imprensa, da mídia, que é efetivamente o canal que motiva a opinião pública. O meio que assegura a corrente de vontade, um elo inquebrantável entre a Seleção e o povo. Mas temos também que levar em consideração que o futebol mudou. Ontem, as equipes eram formadas por onze jogadores. Hoje, são quinze. Surpresa? Sim. Mas esclarecemos. Antigamente os dois laterais não atacavam, atualmente defendem e atacam. Temos aí, portanto, mais duas posições no espaço do jogo. No passado, dois homens de meio campo não voltavam obrigatoriamente para as ações defensivas. Hoje voltam sempre. E assim se completam as quinze posições a que me referi.

Portanto, o campo da disputa passou a ser muito mais ocupado. A marcação é mais intensa, reduz-se o espaço para a arte. São as regras modernas do jogo. Não podemos fugir delas ou evitá-las pensando no estilo, digamos, da Copa de 70. Mas sigamos em frente. Firmes em nossa torcida. Firmes ao lado da Seleção Brasileira. Temos orgulho de sua bela e insuperável história. Vamos à Vitória.

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