Corrupção alucinada, uma tragédia brasileira

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Charge do Junião (www.juniao.com.br)

Pedro do Coutto

O título está inspirado na obra de Theodore Dreiser, Uma Tragédia Americana, que deu margem ao filme Um Lugar ao Sol, de George Stevens, com Montgomery Cliff e Elizabeth Taylor. Uma história baseada na ambição humana. No Brasil, a tragédia, na vida real, como revela a reportagem de Jailton de Carvalho, edição de quarta-feira, no O Globo, é muito mais ampla. A corrupção generalizou-se. A honestidade tornou-se defeito. As posições se inverteram através de uma ponte tripla ligando os setores empresariais, políticos e administrativos. O prejuízo econômico causado ao Brasil é imenso.

Ultrapassou de longe todos os limites. O que era exceção, a desonestidade, transformou-se em quase uma nova regra na vida nacional. Concorrências são fraudadas, obras superfaturadas, termos aditivos exponenciados. Uma desordem total.

REGIME ANÁRQUICO
Vivemos, de fato, a atmosfera de um regime anárquico, com a velocidade dos roubos se repetindo de forma incessante. Pasadena é um exemplo, como revelou Nestor Cerveró. Mas o recorde se encontra na Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco. Orçada em 2 bilhões de dólares, no final, custou 17 bilhões. O país foi assaltado por uma estrada de corrupção em volta da Petrobrás.

São episódios marcantes, destacando uma conivência excepcionalmente profunda. As delações premiadas sucedem-se de forma ininterrupta. A cada esquina das investigações, surge um caminho novo desvendado. O resultado foi – e está sendo –catastrófico, levando a prejuízos incalculáveis. Pois nenhum fato, no fundo, é isolado de um conjunto de adições. A economia explodiu. O desemprego disparou, o congelamento salarial é mais uma das consequências de um desastre colossal.

PEDIDOS DE PRISÃO
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF diversas prisões. Na lista, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros.

Prisioneiro, sobretudo, de todo esse processo, está o povo brasileiro. Espoliado, perdendo renda sucessivamente diante da inflação que se acumula, sem contar com os serviços básicos de saúde, segurança, educação, longe de um horizonte que leve à esperança. A população está presa num túnel distante da saída, se houver saída, pelo menos ela levará alguns anos para se aproximar do anseio coletivo.

O que faz o governo Michel Temer, de concreto? Quase nada. Até agora, revelou somente intenções, nada de ações concretas. Pelo contrário. Recorre a retóricas evasivas que não levam a lugar algum.

FALTAM AS PROVIDÊNCIAS
Palavras no lugar de atos. É fácil concordar com intenções. O povo brasileiro entretanto, espera ações. Os últimos fatos que estão marcando o cenário do país indicam praticamente a impossibilidade do retorno da presidente Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. Mas tal perspectiva tem um preço muito alto.

A população não pode e sobretudo recusa-se a pagar por ela. O preço desloca-se para a omissão em outro sentido, a convivência de papeis diferentes, mas na maioria dos casos com os mesmos atores e atrizes. A forma de atuação dos personagens muda, o conteúdo não.

MANTER O ESQUEMA
O objetivo final permanece o mesmo. Manter o esquema de vantagens individuais e de grupos, ultrapassando as faixas que separam a honestidade da desonestidade. Principalmente, a honestidade de propósitos. E esta deve ser a diferença maior entre os campos de atuação das correntes políticas.

Mas afinal o que representam, elas? Absolutamente nada. O presidente Michel Temer precisa agir. Em primeiro lugar, estabelecer um rumo definido ao seu mandato.

14 thoughts on “Corrupção alucinada, uma tragédia brasileira

  1. O que mais incomoda o cidadão de bem é a desconfiança de que o próprio combate à corrupção se tornou uma arma política contra o impeachment.
    Enquanto Janot e Teori não se manifestarem sobre Lula, Gleisi, Lindberg e os demais petistas, fica difícil confiar no Supremo e na PGR.

  2. os políticos brasileiros deitam e rolam… fazem e acontece… sem a menor cerimônia, sem a menor vergonha na cara. Executivo e Legislativo estão “podres”. Ou TEMER mostra a que veio ou vamos afundar de vez, pois essa “corja” não tem limites. “Perdem os dentes, mas não largam o osso”, para se ter uma ideia do quanto é vantajoso ser político no Brasil, o quanto “mamam nas tetas” do dinheiro público. É vergonhoso!!! O PT conseguiu, com seu projeto de poder, enlamear a todos e são poucos os que ainda conseguem respirar. Nunca pensei que a desonestidade pudesse chegar a tanto.

  3. Acho que o Rodrigo Janot quer tirar o PT de foco. Não sou jurista, mas comparo os pedidos de prisão um absurdo; pensava que tinha que ter provas para prender – depois da acusação provada. Olha o PT saindo de fininho do foco

  4. “A lei de Maluf” por Sergio Lazzarini, revista Veja 08/06
    “Trabalho terça, quarta e quinta metade do tempo. Faço de conta que estou trabalhando”.
    ***
    São gastos no congresso 10 bilhões por ano, é dinheiro jogado no lixo!

  5. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, diante da enxurrada de denúncias de “mal-feitos em Comissões” nos Negócios Públicos, pede Ação ao Governo TEMER. Mas o Governo TEMER é refém de 54 Votos no Senado, e tem que caminhar ” sobre o fio da navalha”, até o Julgamento do Impeachment da Presidenta DILMA no Senado, daqui a +- 90 dias.

    Julgo não termos Informações suficientes para analisar bem o que está acontecendo, mas sinto que estão preparando a OPINIÃO PÚBLICA para em médio Prazo (+- 2 anos ), antes da Eleição Presidencial de Out/2018, fazer uma REFORMA POLÍTICA para melhor.

    Ninguém aguenta mais o CUSTO da nossa Política, a maneira como é FINANCIADO direta/INDIRETAMENTE pelo Dinheiro Público, e essa Turbulência Política contínua e aumentada.

    Suponho que até lá (2018) teremos um Sistema Político mais SIMPLES e EFICIENTE, tipo: +- 5 Partidos com Financiamento parcial de Dinheiro Público, os outros não, e daí “acaba a Festa de fundar Partido Político), Cláusula de Barreira, Fim da re-Eleição com Mandatos de 5 Anos para Executivo, Voto Facultativo, possibilidade de Candidatos Independentes, Recall de maus Eleitos, etc, etc.
    E até lá a Classe Política estará tão “Desmoralizada” que terá que ACEITAR.

    • Bortolotto, quando Thomas More escreveu a utopioa talvez ele estivesse perto da tua proposta, embora a utopia daquela época fosse outra e que foi recusada, agora, na Suiça. Aliás, sobre este tema ( a recusa pelo povo suiço de um sálario para todos, independentemente se o indivíduo estivesse trabalhando ou não, inclusive para os menores de 18 anos) eu gostaria de ouvir os especialistas da Tribuna.

  6. Atrás dos amigos o Temer não vai ???

    Por Painel
    Empurrãozinho Michel Temer recebe pressão de parlamentares para propor um Refis (programa de refinanciamento de dívidas) específico para débitos previdenciários. Deputados propõem o lançamento do programa em troca de uma reforma da Previdência menos amarga. A Receita é historicamente contra a medida por considerar que ela estimula a cultura da inadimplência. O Refis já foi usado diversas vezes nos últimos anos. Em 2014, o governo Dilma arrecadou R$ 20 bilhões com o programa.
    Mina de ouro? Cálculos iniciais indicam que hoje há cerca de R$ 370 bilhões em dívidas previdenciárias com a União. No total, o estoque de débitos federais chega a quase R$ 2 trilhões.
    Termômetro Para a Fazenda, a votação da DRU (Desvinculação das Receitas da União) é a “antessala” da proposta de limitar o gasto público. Será um teste sobre a capacidade do governo de aprovar teto para as despesas.
    Roda mundo Já há no PMDB do Senado quem veja um risco de ingovernabilidade se desenhando a partir dos pedidos de prisão feitos por Rodrigo Janot, o que pode dar força à proposta de novas eleições diretas.

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/06/1779343-empresarios-marcam-ato-de-apoio-a-temer-apos-desgaste-politico.shtml?cmpid=softassinanteuol

  7. Vamos por partes : 1 – Sr. Daniel Labeli – A Lei Maluf já foi aperfeiçoada. Atualmente o deputado chega a Brasilia na quarta feira pela manhã. Vai a Câmara e procura desesperadamente um holofote e uma câmara de TV e fala qualquer coisa, preferencialmente acusando. Vai ao plenário e aparece falando algumas bobagens . À noite volta para sua cidade natal. Honestidade, decência, educação, ética…

  8. Licença, Newton.

    Dia 22 de JUNHO a Globo News mostra programa com o falecido PC Farias. O PC, que dizia que ‘madame gasta muito’ e que acendeu charuto com nota de 100. Por onde anda o irmão dele, Augusto, que sumiu do mapa?

    Até eu tive pena da morte do PC. Olhando a pessoa, era uma pessoa, não há como reagir friamente a um assassinato. Suzana Marcolino?Que nada!

    O que temiam que PC Farias fizesse, falasse? Ele era uma aquífero de informações, com certeza.

    Águas abundantes, que talvez vejamos agora inundar a política, aqui e ali.

    Quem quiser revisitar o passado deve ligar na Globo News dia 22, à noite. Horário não prestei atenção, mas as chamadas para o programa se sucedem.

    Naquela época perguntaram a PC o que ele sabia sobre A RELAÇÃO DAS EMPREITEIRAS COM O GOVERNO. E ele disse: “Nada. Não sei nada.”

    S A B I A M U I T O.

    Faz 20 anos que PC morreu, em junho de 1996, na praia de Guaxuma, Alagoas. Ele e a namorada, Suzana Marcolino. Ambos com tiro
    de revólver.

    Armaram um lelelê daqueles para justificar a morte de ambos como homicídio por ciúme, seguido de suicídio. Que ela matou e se matou.

    Apesar do laudo de Badan Palhares, um especialista, contraditado por Sanguinetti, não foi crime passional, com certeza.

    Collor disputou as eleições com Lula, o pavor das ‘zelite’. Muito dinheiro rolou ali. E, pra mim, continuou rolando, rolando, rolando…

    Saturnino Braga, ex-prefeito do Rio, disse em entrevista na TV, já não me lembro a quem, que ao entrar no governo vieram perguntar a ele qualquer coisa sobre o pixuleco (não tinha este nome) que ele levaria, se estava bom tal quantia.

    O secretário de Saturnino foi quem levou a notícia. Inocente na política, Saturnino disse que não, não precisava nada não. Dito por ele, Vi o programa.

    Saturnino deixou a cidade do Rio de Janeiro quebrada. Mas não roubou. Foi pra casa com o seu fusquinha. Era despreparado para governar e roubar. Um bom sujeito.

    Pobre Brasil, onde o suborno vem desde a Colônia, em forma de açúcar e caras goiabadas.

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