Corte de ministérios se arrasta devagar, quase parando

Deu em O Tempo

Auxiliar do vice-presidente Michel Temer na articulação política do governo, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil) afirmou nesta terça-feira (25) que as secretarias com status de ministérios são as mais indicadas para serem cortadas no enxugamento de pastas anunciado pelo governo Dilma Rousseff. E o próprio Padilha afirmou não ver problema em ele próprio ceder o cargo.

“Eu sou um quadro do PMDB cumprindo uma missão. Vou ajudar inclusive, se for o caso, cedendo o meu cargo para a reforma. As secretarias são as que correm o maior risco de serem extintas, serem integradas a ministérios”, afirmou.

Ressaltando que falava em caráter pessoal, sem embasamento técnico ou acerto com o governo, Padilha acrescentou: “Não vejo dificuldade em ter a secretaria [de Aviação Civil] integrada a um ministério. Na minha cabeça é mais fácil integrar secretarias em ministérios do que extinguir um ministério que está constituído. Acho que há uma tendência de as secretarias migrarem no rumo de ministérios.”

Hoje há 24 ministérios e 15 secretarias e órgãos vinculados à Presidência, com status de ministério. Em meio à crise econômica, o governo anunciou na segunda (24) que fará uma reforma administrativa com a meta de cortar 10 dos 39 ministérios. Além disso, promete reduzir cargos vinculados a essas pastas.

Segundo Padilha, o governo irá apresentar o modelo de corte aos partidos aliados. Após isso, e se houver acordo, caberá a cada partido fazer a negociação interna para definir onde irá cortar.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Especula-se em Brasília que a extinção de ministérios será anunciada nesta sexta-feira. Espera-se que se anuncie também o que significará isso em termos de economia de gastos de custeio. Se não houver demissão de cargos comissionados, fim de contratos com ONGs e extinção dos cartões corporativos, a extinção de ministérios não significará nada. (C.N.)

5 thoughts on “Corte de ministérios se arrasta devagar, quase parando

  1. Quase que na mesma situação de paralisia do governo Dilma, fiquei hospitalizado por sete dias, e deixei a Tribuna da Internet bem melhor com a minha ausência.
    Mas, como a alegria dura pouco …
    Uma grave crise renal me levou para uma cirurgia de emergência porque um dos rins havia parado e o outro se negava a “completar” a tarefa.
    Resultado:
    Mais um dia eu seria um paciente de hemodiálise.
    Foi a primeira vez na minha vida que baixei hospital.
    Jamais eu havia sido internado em 65 anos, e não foi uma experiência agradável ou que me faça repeti-la, ao contrário.
    No entanto, deverei passar pelo mesmo processo em 30 dias, com a retirada do cateter interno, e constatar se a cirurgia foi de fato exitosa conforme se mostraram os exames hoje pela manhã quando dei alta.
    Quero aproveitar a ocasião para deixar claro que a maioria das pessoas não sabe o que se sofre em um hospital por melhor que se esteja sendo atendido.
    As dores, o sofrimento, a solidão, as noites intermináveis, tais vicissitudes diminuem com a chegada dos familiares e amigos, que se dissipam também quando vão embora.
    A cirurgia havia sido marcada para domingo último passado, ao meio dia, pois desde quinta-feira, 3/9, eu me encontrava hospitalizado.
    Claro que a expectativa é enorme. Os nervos ficam à flor da pele, a ansiedade é grande, mas o que mais me chamou a tenção e perturbou, confesso, foi a passagem pela UTI, antes das salas de cirurgias, e ver os pacientes ligados a tubos, mangueiras, máquinas, computadores, pessoas tomadas de aparelhos para respirar, controlar a pressão, sangue, alterações vasculares, um laboratório de seres humanos na esperança que a ciência e a tecnologia ou ajudem a resolver seus males, suas deficiências orgânicas e mentais.
    Neste intervalo de dois/três minutos que levei percorrendo esta seção, a minha cama empurrada por dois enfermeiros para evitar qualquer batida em outras macas, vi o empenho do corpo clínico em atender os pacientes.
    A calma, a voz suave, os gestos de amparo, o carinho ao esfregar-lhes os cabelos, percebi que ainda existe dentro de nós um sentimento que prepondera sobre aqueles que não enaltecem a grandiosidade do homem, tais como a vaidade, o orgulho, a ostentação, a falsidade, o ódio.
    Dentro de um hospital e precisando de um estranho que nos auxilie de qualquer jeito, percebemos como somos frágeis, toscos, um monte de carne e ossos que se amontoam em si mesmos se não têm a mão erguida para ajudar, levar ao banheiro, limpar, dar remédios, conceder palavras de incentivo, e suportar os gemidos, o sofrimento alheio.
    Permaneci no quarto 1523, 5º andar, do Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, de sexta-feira até hoje, uma semana, e conheci homens e mulheres que eu os conceituo como heróis anônimos.
    Dedicados, profissionais, competentes, atenciosos, gente comum que faz o incomum, pois lavar um doente que não pode ir ao banheiro, trocar-lhe as fraldas, dar-lhe de comer, massagear-lhe a pele, os músculos, os pés, são funções que muitos familiares se negam, sentem nojo, enquanto que esses anjos terrenos se esmeram em fazer o melhor, em se doar, em transmitir tranquilidade, paz e bem-estar.
    Agradeço aos meus anjos e anjas que me trataram nesta semana.
    Prometo que em homenagem a tanta dedicação e desvelo, tentarei ser melhor, mais compreensivo, mais tolerante, pois fui alvo de atenções de gente especialíssima, de pessoas amorosas, de seres humanos, verdadeiramente.
    Muito Obrigado à equipe médica e clínica que atende o 1523.
    Francisco José Bendl
    Paciente que reclamava querer ir embora todo o tempo, que passou por uma cirurgia de instalação de um Duplo J, mas que sente saudade do acolhimento extraordinário que lhe concederam nesses últimos sete dias.
    Um forte e fraterno abraços a todos.

  2. Meus agradecimentos profundos pelos telefonemas diários que o nosso Dr.Béja entrava em contato comigo.
    Ouvir as suas palavras de ânimo e incentivo, seu carinho por um comentarista deste espaço extraordinário, serviam como bálsamo para aquele dia, pois uma pessoa que não conheço pessoalmente se preocupava comigo e me desejava o mais rápido restabelecimento.
    O nosso advogado e admirado articulista sabe do poder que as palavras de alento têm quando proferidas com sinceridade, amizade, preocupação e consideração.
    Agradeço esta demonstração de amizade inequívoca, pura, consciente, que me deixava ao mesmo tempo orgulhoso e desejando que eu superasse o mais rápido possível o grave problema de saúde que eu me encontrava, de modo que eu pudesse voltar ao convívio daqueles que gosto, admiro, que me fazem bem, que conversam e dialogam comigo, inclusive debatendo e discutindo.
    Aceitem, de coração, o meu desejo de muita saúde a todos, indistintamente, mas acreditem que, na mesma medida, a importância da amizade tem a sua eficácia e eficiência como se fosse o melhor remédio para qualquer doença, então coloco a minha amizade à disposição dos meu colegas de forma absoluta e inegociável.
    Obrigado, caríssimo Dr. Béja.

    • Prezado Chicão,

      Seja bem-vindo, Chicão, você sabe que a casa é sua. Estávamos preocupados, liguei para você e seu filho médico me tranquilizou.

      Nosso amigo Béja é uma figura monumental, um ser humano diferente. Tive o prazer de conhecê-lo na Tribuna da Imprensa e passei cerca de 30 anos sem vê-lo. Na semana passada, foi uma emoção reencontrá-lo, de surpresa, Perguntei: “Você é o Béja?”. Ele respondeu: “Não, sou o Ricardo”. Aí eu olhei bem para ele e o reconheci, é um tipo inesquecível, como os personagens da revista Reader’s Digest.

      Na próxima semana vou levar o Werneck para conhecê-lo e ouvir belos clássicos, interpretados pelo próprio Béja, ao vivo e a cores, no piano de cauda que ele tem em casa. É um oportunidade que ninguém pode perder.

      Um abração do teu tamanho,

      CN

Deixe um comentário para Francisco Bendl Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *