CPI do Cachoeira terá depoimentos de Pagot, ex-diretor do Dnit, e de Cavendish, da Deltar? Claro que não.

Carlos Newton

A CPI do Cachoeira, que andava meio devagar, até corria o risco de voltar ao centro dos acontecimentos, quando se anunciou que o ex-diretor-geral Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot,. vai prestar depoimento no próximo dia 28. A data foi confirmada pela secretaria da Comissão.

Como no célebre filme de Hitchcock, Pagot é o homem que sabia demais. Tem dado algumas dicas sobre a corrupção, às vezes até ameaça abrir o verbo, mas até agora, nada. Se tivesse uma crise de consciência e contasse o que sabe, as paredes da República iriam estremecer, podem ter certeza. Mas há sempre uma forma de os empreiteiros se acertarem com ele, que continua frequentando o Ministério e fazendo lobby, como se não tivesse acontecido nada.

O dono da empreitera Delta, Fernando Cavendish, também foi convocado, mas entrou com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para que não seja obrigado a prestar depoimento na CPI do Cachoeira.

A presença de Cavendish na comissão está prevista para o próximo dia 29. No pedido enviado ao Supremo, a defesa do empresário alega que, embora a convocação o classifique como testemunha, “tal condição não se amolda” a Cavendish, uma vez que, nos requerimentos, o empresário é “inequivocamente apontado como pessoa sujeita a investigação”.

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CAVENDISH

Cavendish deixou a direção da construtora após a Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal, revelar relação da Delta com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Interceptações telefônicas da PF identificaram ligações do ex-diretor da construtora no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, com integrantes do grupo de Cachoeira. A Delta afirma que os problemas se restringiram à conduta do ex-diretor.

No habeas corpus protocolado no Supremo, a defesa de Cavendish ainda pede que, caso a participação do empresário na comissão não seja negada, que ele tenha os mesmos direitos de outros convocados, ou seja, que possa permanecer calado.

Detalhe: a ministra do Supremo Rosa Weber indefiriu um mandado de segurança impetrado pelos deputados federais Rubens Bueno (PPS-PR) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) contra a atitude do comando da CPI do Cachoeira de dispensar depoentes que se recusam a falar à comissão. Isso significa que Cavendish terá de ir depor.

O depoimento dele ficou marcado para o dia 29, mesmo dia em que será ouvido o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) e ligado ao PSDB de São Paulo.

Caramba, Cavendish e Paulo Preto juntos, ao vivo e a cores! Mas acontece que os dois não falarão nada. Ficarão fechados em copas, como se diz nas mesas de baralho. O único que pode falar alguma coisa é Pagot. Mas daqui até lá, os empreiteiros certamente já terão se acertado com ele, que também ficará cego, surdo e mudo.

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