CPMF “com nova roupagem” pode afugentar o investimento do país, apontam economistas

Charge do Cazo (blogdoaftm.com.br)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

O ministro da Economia, Paulo Guedes, insiste em emplacar a ideia de recriar a CPMF “com nova roupagem”, sobre transações eletrônicas, para ser uma compensação para a desoneração da folha. Contudo, de acordo com especialistas ouvidos pelo Correio, a proposta, em vez de ajudar na retomada da economia, pode afugentar o investimento do país.

Para eles, a proposta do Executivo ainda não está clara, pois não foi colocada à mesa para ser estudada, apesar de Guedes estar prometendo entregá-la há um ano. O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, considera a CPMF, seja com qual formato for, prejudicial para a retomada da economia, que, pelas estimativas dele, deverá encolher 6,4% em 2020, ante os 4,7% projetados pelo governo.

GASTOS TRIBUTÁRIOS – “É uma escolha muito ruim. Deveriam, sim, diminuir os gastos tributários. Infelizmente, o governo opta por uma solução mais fácil, mas pior”, lamenta. Para Vale, a proposta de reforma tributária que já está sendo discutida pela Câmara, a PEC 45, é a mais adequada para o momento.

“As compras eletrônicas já pagam imposto. O governo sabe que bens e serviços são muito sobretaxados no Brasil, mas quer outro imposto em cima, em vez de sinalizar o sistema pela PEC 45, que é o que precisamos”, defende.

A desoneração da folha proposta por Guedes em troca de uma nova CPMF não é um consenso como uma boa medida para estimular o emprego, pois, durante o governo Dilma Rousseff, foi implementada em vários setores da economia e não surtiu efeito positivo no emprego, muito menos na atividade.

ESTUDOS  – Aliás, estudos não faltam comprovando isso, inclusive, um do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), assinado por um dos integrantes da atual equipe econômica, o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida.

O documento do Ipea destaca que, a “despeito das intenções positivas da lei de desoneração, pode-se dizer que, pelas avaliações ex post já realizadas, o que inclui o presente estudo, não há evidências robustas de efeitos reais positivos da desoneração. Sobre a geração de empregos, este resultado está se consolidando”.

“Não faz nenhum sentido econômico postergar a desoneração da folha. Esse é um dos problemas no Brasil: coisas temporárias não acabam nunca. Isso tem que acabar, e a desoneração, também, pois é cara e não preserva empregos”, destaca o economista e especialista em contas públicas Gabriel Leal de Barros. 

DETALHES – “Se for um tributo digital, similar ao que a União Europeia acaba de anunciar, não é, necessariamente, ruim. A questão são os detalhes, mas, em tese, isso é algo muitíssimo debatido lá fora pelos países da Zona do Euro”, acrescenta

Na avaliação de Vale, da MB, a desoneração da folha é necessária, mas poderia ser feita de forma escalonada, tirando um ponto percentual por ano. “Já temos a regra do teto para controlar do outro lado o que vamos perder de receita do outro”, diz.

DISTORÇÃO –  O especialista em contas públicas José Roberto Afonso, que já escreveu vários artigos demonstrando que a desoneração da folha não surtiu os efeitos desejados na economia, afirma que a CPMF tem uma distorção que atrapalha o investimento no país.

“É unânime que se precisa aumentar muito, e urgentemente, os investimentos para o país sair da crise. Ou o governo se endivida ainda mais e investe, ou ele estimula o setor privado a investir. (A CPMF) Agravará ainda mais a depressão, pois aumento de impostos desestimula o investimento. A CPMF tem essa distorção”, explica.

O melhor, para ele, é que a reforma promova uma justiça tributária. “A CPMF, como era cobrada antes no Brasil, atinge igualmente quem sonega e quem não sonega”, acrescenta o economista, um dos pais da Lei de Responsabilidade Fiscal.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O problema é que o ministro Paulo Guedes se julga o dono da verdade e não leva em conta o resultado desastroso da desoneração aprovada no governo Dilma Rousseff. Guedes é um tremendo cabeça-dura.. (C.N.)

8 thoughts on “CPMF “com nova roupagem” pode afugentar o investimento do país, apontam economistas

  1. Marco Antonio Villa falou que este é o pior de todos os governos da História Republicana
    – e olha que o Villa é Historiador (hein!)

    • Concordo que este seja o pior governo que o Brasil já teve. E deve muito disso ao ser mais burro que já existiu nesse planeta: um imbecil chamado PAULO GUEDES. Este desgraçado será amaldiçoado até o fim dos tempos. Só mesmo um idiota como o boçalnato para contratá-lo.

  2. Voltamos ao começo de tudo!
    Os cidadãos querem pagar menos impostos.
    Os cidadãos querem serviços de qualidade.
    Os cidadãos querem mais serviços, mas sem pagar impostos.
    Os cidadãos querem escola, transporte e merenda.
    Os cidadãos querem transporte públicos subsidiados.
    Cidadãos querem casa, luz, água, saneamento, escola para os filhos e um rancho, tudo sem pagar impostos.
    Cidadãos querem filhos, trocar de marido e de mulher,
    Os cidadãos querem segurança,,cidadãos querem …, quererem, querem, ……
    Os legislativos, nos tres níveis, não querem reduzir número de seus integrantes, nem seus auxiliares, seus salários, duas despesas.
    No judiciário, a mesma coisa. Ninguém abre mão de nada. São conquistas. O resto dos servidores, a mesma coisa. Tudo é garantido, nada pode ser retirado.
    O estado brasileiro devendo trilhões.
    se não arrecadar mais, quebra e não paga salários dos servidores, dos aposentados.
    Se emitir moeda, a inflação volta.
    Vender estatais? Como se são património do povo (ou é do polvo!)
    A sonegação rolando solta. Se apertarem demais, quebram empresas.
    A corrupção continua. Se apertar demais, quebra empresas. Moro foi acusado de quebrar muitas! Até hoje, ninguém disse como deveria ter sido feito, mas continuam repetindo esta bobagem!
    Para por aqui- quase meia-noite.
    Quem indica como sair disto?
    O Brasil precisa de um pai rico ou de um mágico! Conhece algum?
    Fallavena

  3. Situação do Governo Federal/2020 em Números aproximados:
    Orçamento Federal/2020…………..R$ 3.600 Bi.
    Deficit Primário ante-Pandemia……R$ 124 Bi.
    Deficit induzido pela Pandemia……R$ 700 Bi.
    Total Deficit Primário…………………..R$ 824 Bi.

    Arrecadação ante-Pandemia/2020..R$ 1.600 Bi.
    Arrecadação c/ Pandemia…………….R$ 1.350 Bi.

    Diferença R$ 3.600 Bi. – R$ 1.350 Bi. = R$ 2.250 Bi. a ser levantado com Vendas de Títulos novos para pagar Títulos velhos Vincendos e Deficit Nominal ( o que leva em conta o Custo do Carregamento da Dívida Pública hoje próxima a 85% do PIB – Reservas de +- US$ 400 Bi. (Benditas Reservas).

    Disso vemos claramente que o Governo deve diminuir sua Despesa e aumentar sua Arrecadação. Na Folha de Pagamentos Civil/Militar de +- R$ 400 Bi. o Governo está engessado por decisão do STF de diminuir Vencimentos mesmo dos altos Vencimentos, e com Carga Tributária de +- 35% do PIB ( perto da situação de Dominância Fiscal que é quando se aumenta a Carga Tributária e não se Arrecada Mais), então o Governo só Arrecada mais com o CRESCIMENTO da Economia.

    O Ministro da Fazenda PAULO GUEDES quer fomentar o CRESCIMENTO desonerando Folha de Pagamentos das Empresas compensando com criação de uma CPMF 0,2% ( Digital) + Taxação de Dividendos atualmente Isentos, Taxação de Fundos Fechados e outros penduricalhos que vai apresentar hoje a tarde no Congresso.
    Trata-se de desonerar a Produção compensando com Imposto que são retirados da Sociedade em geral. O que se ganha com excedente nas Empresas ( desoneradas) que poderia gerar Investimento, se perde em Poder de Compra da Sociedade em geral, o que deprime a Demanda Agregada que gera CONSUMO. As Empresas não Investirão uma vez que, em geral, estão com capacidade ociosa de +- 40% e sem perspectiva de crescimento do Consumo.

    Essa seria uma Política Econômica boa para Tempos Normais. Mas estamos em Tempos de Recessão profunda induzida pela Pandemia Covid-19.
    O que o Governo BOLSONARO/MOURÃO GUEDES deveria fazer é criar PODER DE COMPRA na População via um Mini-Plano MARSHALL como o Ministro Gen BRAGA NETTO esboçou, e em nossa opinião bem maior do que o esboçado, para ativar as Obras paradas, financiado com larga emissão de CRÉDITO pelo Banco Central, como se estivéssemos em uma Guerra. Até hoje nenhum País perdeu uma Guerra por falta de DINHEIRO. O Governo não pode produzir RIQUEZA, mas pode produzir DINHEIRO que ativa a geração de RIQUEZA.
    Temos +- 20 Milhões de Desempregados/Desalentados e + 30 Milhões de Conta-Propistas que vivem de “bicos” que querem e necessitam TRABALHAR.
    É o CRESCIMENTO Econômico que aumentará de verdade a Arrecadação Federal.

    • Muito boa sua análise mas acho que o Sr. Guedes não aceitará suas sugestões nem a da Solange, que indica a auditoria da dívida. Ele é homem da banca e tem obsessão pela cpmf. Pobre Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *