Cresce a descrença

Tostão (O Tempo)

Os conflitos de interesses decorrentes das várias atividades de Ronaldo são óbvios. O comentarista Ronaldo, que é membro do comitê da Copa, vai opinar sobre a organização do Mundial e sobre a atuação de jogadores, que têm relações comerciais com o empresário Ronaldo. A empresa que vende assentos para os estádios da Copa possui negócios com a empresa de Ronaldo, que, repito, é membro do comitê da Copa.

Na coluna anterior, citei a inteligência espacial e cinestésica de Ronaldinho. Tento explicar melhor. A ciência já mostrou que o grande craque, em uma fração de segundos, é capaz de mapear tudo o que está a sua volta, perceber os movimentos dos jogadores e calcular a velocidade da bola, dos companheiros e dos adversários. Ele sabe, sem saber que sabe. Faz.

Quando jogava com Pelé, ele, antes de a bola chegar, parecia me dizer, com seu olhar expressivo, tudo o que ia fazer. A comunicação analógica é inexata, porém, mais ampla e mais rica que a digital. O corpo fala primeiro. E não mente.

Para ser um grande craque, não basta ter inteligência espacial e cinestésica. São necessárias uma excepcional técnica e ótimas condições físicas e emocionais.

Após as ótimas atuações de Thiago Silva e Daniel Alves e o bom desempenho de Lucas, no primeiro tempo, na partida entre Barcelona e Paris Saint-Germain, renovam-se as esperanças de que a seleção possa ter uma boa equipe. Se Ronaldinho jogasse, na seleção principal, contra bons adversários, metade do que joga no Atlético, melhoraria muito o time brasileiro.

Dois anos atrás, achava que a maior deficiência da seleção era individual. Hoje, mesmo com poucos craques, penso que é coletiva. Não me refiro aos sistemas táticos (4-2-3-1, 4-4-2 e tantos outros). Isso não tem importância. Qualquer técnico medíocre conhece os sistemas táticos. O jogo coletivo e os detalhes estratégicos vão muito além disso.

Cresce a descrença com a seleção e com a Copa no Brasil, por causa do exagerado gasto de dinheiro público e da falta de importantes legados à população. Além disso, só os comprometidos querem e toleram Marín na presidência da CBF. Há inúmeros outros graves problemas. O último absurdo, mostrado pela repórter Gabriela Moreira, da ESPN Brasil, é que o novo Maracanã, que custou mais de um R$ 1 bilhão, terá de ser reformulado, após a Copa, para ser usado nas Olimpíadas.

Alguns falam que vão torcer contra o Brasil, pois, para eles, será a única maneira de se fazer uma limpeza no futebol brasileiro, dentro e fora de campo.

Quando a bola rolar na Copa do Mundo, haverá um grande número de possibilidades e de sentimentos contraditórios, racionais, emocionais, nacionalistas, ufanistas, de revoltas e de protestos. Não dá para prever o que vai acontecer.

VIOLÊNCIA

Enquanto a maior parte da imprensa brasileira, especialmente a mineira, colocou toda a culpa nos jogadores argentinos, a imprensa internacional, especialmente a da Argentina, enfatizou a truculência da polícia brasileira. A foto do policial com a arma apontada para os atletas correu o mundo e deixou os estrangeiros mais preocupados com a Copa no Brasil.

É evidente que tudo começou com a agressão dos jogadores do Arsenal-ARG, que não sabem jogar futebol e que querem ganhar no grito e na violência.

Isso não tem nada a ver com os grandes times argentinos do passado recente, que, com frequência, venciam com talento, e não com catimba, como se falava muito no Brasil.

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