Crescimento da TV a cabo não abala a Globo no canal aberto

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo de domingo 19, além de reportagem de Keila Jimenez sobre a liderança da Rede Globo, publicou também matéria publicitária assinada pelo Ibope apresentando os níveis de audiência registrados na semana de 30 de maio a 6 de junho. A Vênus Platinada, nome inspirado na atriz do passado, Jean Harlow, e atribuído à emissora do Jardim Botânico, mantém firme sua liderança, como vimos em artigo anterior, absorvendo, em todos os horários, 50% do mercado. Nas 24 horas do dia, média em torno de 17 pontos, SBT, Bandeirantes, Rede TV somadas, perdem por um ponto.

Vamos dizer que haja um empate. A diferença é muito grande.
Mas este é um dos aspectos da questão. Outro, assinalado por Keila Jimenez, é o de que, exceto a Rede Globo, nenhuma outra alcança audiência superior a 15 pontos. A que mais se aproxima desta escala é a Record com o Domingo Espetacular conduzido por Paulo Henrique Amorim. Dá 14. Perde para o Fantástico que pontua 20%.

Audiências bem mais altas, só as novelas da Globo, principalmente Insensato Coração e o Jornal Nacional. Insensato Coração atingiu 41 pontos. O Jornal Nacional a média de 36. Morde e Assopra, segunda novela, também o segundo programa em audiência, 35 pontos.

O JN de William Bonner e Fátima Bernardes, seus principais titulares na apresentação, beneficia-se de estar situado entre dois programas de alta procura. Mas ele também acrescenta na medida em que transmite à opinião pública a certeza de estar com ela compartilhando a informação. Para uma parcela do povo só acontece o que o Jornal Nacional deu. Houve um tempo, anos atrás, que ele pautava reportagens nos jornais do dia seguinte. De uns tempos para cá, entretanto, é o contrário. Principalmente em relação à Folha de São Paulo e, nos finais de semana, à Revista Veja. Mas este á outro aspecto da questão.

O foco central, indiretamente iluminado pelo levantamento do Ibope está mais na comparação relativa. Aliás, em duas comparações relativas.A primeira referente à participação percentual dos líderes de audiência em relação aos aparelhos ligados. Que apenas na Copa do Mundo passam de 95%. Normalmente nos espaços de pico, das 19 às 22 horas e 30 minutos, a taxa de ligados aproxima-se de 80%. Sempre foi assim. Mas recentemente, com o avanço da TV a Cabo, canais por assinatura, é necessário analisar-se melhor. Pois é provável que a TV Aberta não esteja mais com o índice máximo de 80, e sim com uma faixa variável de 65 a 70%.

Nesta hipótese, a TV a Cabo estará alcançando de 10 a 12% do mercado. Talvez até 15%. Afinal de contas, de acordo com pesquisa divulgada há algum tempo, o número de assinaturas, em 2009 se não me engano, havia subido de 2 milhões para 3 milhões de domicílios.

O cabo avançou, mas a Globo no espaço aberto, não recuou. E é indispensável considerar que a força da Globo é igualmente preponderante no sistema de assinatura.

Esta, creio, a tradução mais lógica para os números revelados pelo Ibope domingo 19 deste mês. Insensato Coração atingiu a média de 41 pontos representando 65% dos aparelhos ligados. Um ponto percentual corresponde, no horário das 21 às 22 horas, a cerca de 1 milhão e 500 mil pessoas, espalhadas pelos 60 milhões de domicílios brasileiros.

A diferença para fechar o círculo até o topo de 100% situa-se nas assinaturas. Porque a taxa de desligados, como é natural, permanece na escala de 20 pontos. Dentro deste critério o Jornal Nacional absorveu 60% do mercado. É bastante interessante estudar-se esse universo da comunicação decorrente de uma elevação de renda nas classes média (verdadeira) e alta porque a assinatura da NET, por exemplo, custa entre 180 e 300 reais por mês, incluindo banda larga.

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