Crianças serão as maiores vítimas em caso de epidemia de dengue

Paulo Peres

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, alertado sobre a possibilidade de ocorrer uma das maiores epidemias de dengue no próximo verão, decretou estado de alerta para a doença e anunciou um pacote de medidas, as quais esperamos sejam implantadas também nas demais prefeituras do Estado e, principalmente, não carreguem fins eleitorais ou novas fontes de corrupção. 

As principais medidas do pacote são o aumento de visitas a residências, uso de 40 carros fumacê e a instalação de 30 pontos de hidratação de doentes, sendo que dez funcionarão 24 horas. Imóveis fechados e abandonados também não escaparão da vistoria de agentes de saúde, dizem. 

A maior preocupação é com as crianças, adverte o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Fernando Bozza, porque “menores de 15 anos não estão imunes aos vírus que devem circular no período, especialmente as crianças. Observamos ao longo dos últimos anos, especialmente a partir de 2008, um agravo significativo de casos graves nesse grupo. Pensando no pior cenário, de 1 milhão de doentes, é preocupante porque o número de leitos pediátricos é bastante limitado”.

Indivíduos nascidos depois de 1986 nunca foram expostos aos vírus tipo 1 – que chegou ao Rio em 1986 – e ao tipo 4, novidade para todos os residentes, que chega agora. Em 2002 e em 2008, circularam as variações tipo 2 e tipo 3, imunizando boa parte da população, mas ainda podem deixar vítimas. “Vivemos no Brasil uma situação que é chamada hiperendêmica. Temos a circulação de três sorotipos, praticamente, no país inteiro”, explicou Bozza. “A circulação depende da quantidade de pessoas que não são imunes àquela variedade. Quem teve dengue tipo 1 em 1986 está imune a essa variação, mas não ao tipo 4. As crianças não são imunes a nenhum dos dois”.

O diagnóstico rápido de casos graves pode ajudar a diminuir os casos fatais da dengue no estado, uma das maiores no país, segundo o Ministério da Saúde. Este ano, a doença já matou, entre janeiro e junho, 85 pessoas – 157% a mais que no mesmo período de 2010 – e está acima de taxas verificadas em países asiáticos com a Índia, diz o pesquisador.

Fernando Bozza salienta que, “enfrentar a doença requererá o combate ao mosquito transmissor por parte da população, mas também diagnóstico e tratamento imediato, que dependerá do esforço dos médicos e dos gestores de saúde. Será necessária a criação de protocolos de atendimento e capacitação dos profissionais de saúde da rede pública e privada, no próprio local de trabalho, porque muitas vezes quando se recebe um paciente grave, percebe-se que ele tinha sinais de alerta há dias, passou por um hospital, por uma emergência e ainda não tinha sido tratado”.

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