Criar partido fica difícil: Campos sinaliza recuo

Pedro do Coutto

São dois fatos políticos importantes diretamente vinculados à sucessão presidencial de 2014: a decisão antecipada pela declaração do ministro Joaquim Barbosa do Supremo quanto a tramitação do projeto de lei que restringe ao máximo a criação de novos partidos: as declarações do governador Eduardo Campos, publicadas pela Folha de São Paulo, de que não deseja atrapalhar o governo Dilma Rousseff.
O primeiro fato configurado abala a candidatura da ex-senadora Marina Silva, que atinge 16 pontos de acordo com o Datafolha. O segundo consolida-se pelo fato de o presidente da Corte ter se manifestado a favor da continuidade da tramitação do projeto no Senado. Ele ainda não votou, mas falou. A tese da competência do Congresso para legislar sobre matéria já recebeu cinco votos. Barbosa será o sexto. E faltam ainda votar o ministro Celso Melo e a ministra Carmen Lúcia. O sexto voto já assegura a vitória da tese.
Relativamente a Eduardo Campos, ele afirmou não querer atrapalhar a administração da presidente Dilma Rousseff. Nosso objetivo, disse, é ajudar o governo, não prejudicar. Frisou não se considerar um crítico e que as observações que faz também são feitas por muita gente da própria equipe econômica. Estou torcendo para a economia dar certo. Quero contribuir, já que todo mundo está discutindo.
Eduardo Campos inclusive sugeriu à presidente da República que faça como Fernando Henrique Cardoso que no seu segundo período, em 2002, reuniu os principais pré-candidatos à  sua sucessão para informá-los do acordo firmado com o FMI. O governador de Pernambuco deu um exemplo que difere da panorama atual. Em 2002, FHC, já reeleito, não poderia mais ser candidato. Mas no momento a presidente que ocupa o cargo disputa a reeleição.
OPOSIÇÃO???
Seja como for, um candidato que se apresenta como de oposição, e não seria possível outro alinhamento, dizer que não deseja atrapalhar e sim ajudar, está sinalizando que deve desistir de se opor. Se for para ajudar uma adversária, não faz sentido o aparente discurso de oposição. O recuo possivelmente é um reflexo dos números da recente pesquisa do Datafolha, na qual alcançou somente 6 pontos contra 51 destinados a Dilma Rousseff. A diferença, muito grande de descontar, torna-se ainda maior em face de seu novo posicionamento. Tornou propício o momento de nova pesquisa, pelo menos em uma rodada retirando seu nome do páreo. Para quem iriam seus votos?
O Senado, claro, vai aprovar tranquilamente o projeto já aprovado pela Câmara que coloca obstáculos de porte ao surgimento de novas legendas. O tempo de acesso aos horários de propaganda política será mínimo, como muito pequena a participação na distribuição dos recursos financeiros do Fundo Partidário. Qual será o rumo a ser adotado por Marina Silva? Eis aí uma pergunta interessante. Pois, de um momento para outro, o quadro principal poderá ficar restrito a Dilma Rousseff e Aécio Neves. Nesta hipótese, o primeiro turno ficaria equivalente ao segundo. Esta hipótese favorece bastante a candidatura da presidente, uma vez que com 51 pontos, mantida para amanhã a tendência de hoje, é muito mais fácil manter tal índice do que Aécio Neves avançar de 14 pontos para um patamar pelo menos 36 degraus mais alto.
Foram dois fatos políticos que devem ser considerados com atenção porque podem ter grande influência no processo sucessório. Na esfera do Rio de janeiro, chama atenção a restrição de prefeitos do PT à candidatura do senador Lindberg Farias. Foram dez prefeitos a se pronunciar a favor do vice Luiz Fernando Pezão.
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2 thoughts on “Criar partido fica difícil: Campos sinaliza recuo

  1. “ALTERNÂNCIA NO PODER” – Hélio Fernandes (Em 14.06.2013)
    Mestre Evandro [Lins e Silva] sempre me dizia: “Helio, se você chegar pela primeira vez num país, não conhecer nada do seu sistema de governo, pergunte: Existe alternância de poder? Se existir, você está numa democracia”.
    ………………………………………………….

    Digo eu:

    O PODER é permanente – é dos donos da riqueza. Não se alterna.

    O GOVERNO é que é periódico – alterna-se.
    O GOVERNO é a burocracia, a gerência do PODER.
    O GOVERNO detém apenas pequena fração do PODER.

    Habitantes:
    -ELITE => menos de 10%;
    [No andar de cima => Cidade Sorriso]
    -POVO => mais de 90%.
    [No andar de baixo => Vale de Lágrimas]

    Desde a Grécia Antiga (em Atenas), existem os
    conceitos PODER[Kratos], GOVERNO[Archer] e DEMO[povo].

    KRATOS => cracia => exercício do PODER:
    -Aristocracia => Poder dos melhores [áritós];
    -Plutocracia => Poder das classes ricas;
    -Democracia => Poder do Povo [?].

    ARCHER(arquêr) => arquia => exercício do GOVERNO:
    -Monarquia => Governo de um só [o monarca];
    -Oligarquia => Governo de poucos;
    -Anarquia => Governo nenhum.

    O Estado Nacional, Republicano, Democrático de Direito configurou-se no séc. XVIII, com as Revoluções Americana e Francesa, após o lançamento do livro “O Espírito das Leis”, contendo a proposta do fatiamento do poder do Rei Absoluto, em 3 FUNÇÕES DO ESTADO (e não ‘poderes’): aLegislativa, Executiva e Judiciária, nesta ordem.

    É apenas grandiloqüente e duplamente redundante a definição de Abrahan Lincoln: “DEMOCRACIA É O GOVERNO DO POVO, PELO POVO E PARA O POVO”.
    É lorota o dito nas Constituições: “O Poder emana do Povo
    e em seu nome é exercido”, porque o PODER emana
    das elites burguesas, OS CAPITALISTAS, e em seu nome é exercido.

    Esta Democracia nasceu burguesa – revolucionária, então,
    pois destronou o Feudalismo e a Monarquia Absoluta.
    Tornou-se de Direita, Autoritária, Corrupta, Depravada.

    Chega de definições gramurosas – e falsas!

  2. Ainda não perceberam que o povo não vai com a cara desse tal de Aecio? Ele é semelhante ao Cesar Amaia (apelidado assim pelo bravo Helio Fernandes), que jamais deixa de ser municipal. O netinho Aecio não tem como desgrudar de Minas, ainda que pilhado em falta pela lei seca no Rio. Eta mineiro religioso de São João Del Rei!
    Certa vez fui chamado por um grande amigo do serviço diplomático do Brasil, e que tinha sido consul em Varsóvia, para ver a procissão do Senhor Morto em São João Del Rei, onde ele morava. Fomos seguindo aquele impressionante cortejo medieval noturno, que contava com a presença de Tancredo Neves. Meu amigo nunca me declarou o que pretendia, nem eu perguntei.
    De repente meu amigo me puxou dizendo: “agora podemos ir embora que o Tancredo já me viu. Em Minas você nada consegue se não seguir uma procissãozinha.”
    O problema para o Aecio é que o Brasil não é Minas Gerais.

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