Crise se agrava, Fux cancela reunião dos três Poderes e Bolsonaro se isola ainda mais

 O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, participa da primeira edição anual do Fórum Nacional Tributário.

Fux desiste de mediar uma conciliação com Bolsonaro

Fernanda Vivas, Márcio Falcão e Rosanne D’Agostino
TV Globo e G1 — Brasília

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, anunciou nesta quinta-feira (5) o cancelamento da reunião que haveria entre os chefes de poderes. A decisão de se fazer a reunião foi anunciada em 12 de julho, quando Fux e o presidente Jair Bolsonaro se encontraram na sede do STF. A reunião foi motivada pelos constantes ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral e a ministros do Supremo.

Nos últimos dias, Bolsonaro passou a reiterar diariamente as críticas ao sistema eleitoral e aos ministros e, nesta quarta (4), chegou a ameaçar agir fora da Constituição. O presidente tem dito frequentemente, inclusive, que pode não haver eleições em 2022 se não houver voto impresso, tese já rechaçada pelos chefes dos demais poderes.

DISSE FUX – “O presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Mores. Sendo certo que, quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro. Além disso, sua excelência [Bolsonaro] mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do plenário bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro”, afirmou Fux.

Na sequência, o presidente do STF fez o anúncio: “Diante dessas circunstâncias, o Supremo Tribunal Federal informa que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os chefes de poder,

Ainda no discurso, o presidente do STF afirmou que “o pressuposto do diálogo entre os poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes”. Disse ainda que “diálogo eficiente” pressupõe “compromisso permanente com as próprias palavras”, o que, na visão de Fux, “infelizmente, não temos visto no cenário atual”.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS – A declaração é uma reposta aos ataques feitos pelo presidente e à ameaça de que pode atuar fora da Constituição, uma vez que foi incluído como investigado no inquérito que apura a disseminação de notícias falsas e ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal.

A TV Globo apurou que as falas de Bolsonaro contra ministros do tribunal foram tema de uma conversa dos magistrados antes do início da sessão desta quinta-feira do Supremo. Ministros da Corte defenderam uma resposta oficial do tribunal ao presidente. Causou preocupação na corte a sinalização do presidente de que pode não atuar nas quatro linhas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou, nesta quinta-feira (5), que “ameaças vazias” e “agressões” não vão impedir a Corte de exercer a missão de defesa da democracia e do Estado de Direito, previstas na Constituição.

A declaração de Moraes, que não cita nomes, foi feita horas depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que a hora do ministro “vai chegar”.

DISSE BOLSONARO – “A hora dele [Moraes] vai chegar. Porque está jogando fora das quatro linhas da Constituição há muito tempo. Não pretendo sair das quatro linhas para questionar essas autoridades, mas acredito que o momento está chegando”, declarou Bolsonaro. “Não dá para continuarmos com ministro arbitrário, ditatorial”, acrescentou.

Nesta quarta-feira (4), Moraes determinou a inclusão do presidente como investigado no inquérito que apura a divulgação de informações falsas. A decisão de Moraes atendeu ao pedido aprovado por unanimidade pelos ministros do TSE na sessão da última segunda (2).

A apuração levará em conta os ataques, sem provas, feitos pelo presidente às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral do país. Mesmo após ser eleito, Bolsonaro tem feito nos últimos três anos reiteradas declarações colocando em dúvida a lisura do processo eleitoral.

OUTRA INVESTIGAÇÃO – O inquérito das fake news foi aberto em março de 2019, por decisão do então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, para investigar notícias fraudulentas, ofensas e ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Em outra frente, também nesta quarta-feira, a ministra Cármen Lúcia enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de parlamentares para que seja aberta uma investigação contra Bolsonaro por suas declarações na live do dia 29, em que questionou a segurança das urnas eletrônicas, sem apresentar provas consistentes.

22 thoughts on “Crise se agrava, Fux cancela reunião dos três Poderes e Bolsonaro se isola ainda mais

  1. As ruas do Rio e São Paulo estão infestadas de bandidos armados assaltando e encarcerando os cidadãos. Tornou-se um problema de segurança nacional.
    Por anda o governo federal com sua inteligência custosa ao país, chefiada por 4 estrelas da reserva supostamente experiente, onde está o presidente que só se preocupa em criar problemas, fazer ameaças e corromper as instituições.
    Se o governo está infestado de militares, use-os no combate ao crime – essa me parece a mais adequada ocupação para eles.

  2. Fala de Boçalnalha em 1993 sobre urnas:

    “Esse Congresso está mais do que podre. Estamos votando uma lei eleitoral que não muda nada. Não querem informatizar as apurações pelo TRE. Sabe o que vai acontecer? Os militares terão 30 mil votos e só serão computados 3 mil”.

    jmb, deputado federal de primeiro mandato (PPR-RJ), Jornal do Brasil, 21 de agosto de 1993

    https://www.google.com/amp/s/oglobo.globo.com/epoca/ha-25-anos-bolsonaro-defendeu-informatizar-apuracao-das-eleicoes-para-combater-fraudes-23160301%3fversao=amp

  3. O presidente do Supremo Tribunal Federal,infelizmente,está jogando lenha na fogueira.
    A melhor maneira de esvaziar essa crise é ignorar as ameaças do Chefe do Executivo.

    • Cesar-Fortaleza,para implantar uma ditadura,ele precisaria de ter apoio.
      Quem apoia Bolsonaro,a não ser um grupo de alegres e alguns militares reformados?

      • Caro de Werneck.

        Nos acostumamos aqui, com suas análises e posições lúcidas, inteligentes e legalistas.

        Provavel que Bolsonaro não tenha o apoio que julga ter.
        Ainda bem, senão teríamos já bolsocali I instalado no poder.

        Poderíamos seguir seu conselho: cai que ladra não morde.

        Mas se encontrar alguém disposto a lhe alcan ar uma dentadura afiada??

        A rrspondabil7dade do presidente e zelar e guardar a constituição.

        Se entendemos que é isto que Bolsonaro está fazendo, podetem9s seguir sua posição, mas os fatos dem9stram exatamente o contrário.

        O STF também agride a constituição?? Certamente mas o outro velho ditado duz:
        Dois erros não fazem um acerto.
        Abs

  4. Sr. Rue de Sablons,
    Concordo plenamente.

    O ignóbil tá virando suco de satanás daqueles bem ralo.
    Pior que aqueles sacolés de fundo de quintal de quinta categoria.

    Já era! O Demônio derreteu mais que lava vulcânica.

    Que Deus nos ajude a extirpar este câncer!

    Um forte abraço,
    José Luis.

  5. Assim postou Werneck:

    “O presidente do Supremo Tribunal Federal,infelizmente,está jogando lenha na fogueira.
    A melhor maneira de esvaziar essa crise é ignorar as ameaças do Chefe do Executivo.”

    Sablons contestou:

    “Discordo. O Chefe do Executivo está colocando em perigo o nosso sistema democrático. É hora de cassar esse cara.”

    Werneck retrucou:

    “Bolsonaro não tem apoio das Forças Armadas,do mesmo modo,que os ministros do STF,carecem totalmente de apoio popular.O povão está farto de ver os privilégios infindáveis dos Magistrados Brasileiros.”

    Digo eu, com relação às postagens de ambos, pois estabeleceram um bom debate na TI:

    Penso que, se o presidente do STF, se mantiver calado enquanto Bolsonaro destila a sua bile, indiretamente dará razão ao presidente, haja vista eu ter com meus botões que, “quem cala consente”.
    Ou os tais poderes são mesmo independentes e harmônicos entre si ou o Brasil vai se transformar em um balaio de gatos, literal e metaforicamente falando!

    Por outro lado, lembro a Sablons que o congresso é quem tem o poder de cassar Bolsonaro, e não o Supremo.
    A decisão não compete aos ministros, porém à admissão pela Câmara, se vai ou não concordar com a decisão da Alta Corte, a respeito do envolvimento de Bolsonaro contra a democracia, no entendimento de Alexandre de Moraes.

    Conforme a posição de Werneck, advogado e residente em Brasília, no núcleo desta crise sem fim – desconheço a profissão de Sablons e onde reside -, ao afirmar:
    “O povão está farto de ver os privilégios infindáveis dos Magistrados Brasileiros.”

    Concordo em gênero, número e grau.
    Mas, de modo que eu me engaje totalmente no que escreveu Werneck é fundamental à Justiça, ironicamente, que o mesmo seja dito do legislativo!
    Queiramos ou não, as demais instâncias do Judiciário trabalham, prolatam sentenças, acompanham as ações promovidas por advogados que representam suas partes.

    No entanto, temos um congresso corrupto, inútil, vagabundo, que age somente à base do toma lá dá cá, e que sejam atendidos em suas conveniências e interesses pessoais e partidários.

    Agora, se observarmos mais atentamente, o erro clamoroso, imoral e antiético, de o presidente da República escolher quem deseja para o Supremo, escancarou-se, mostrou-se em todo o seu apogeu de incompatibilidade com a Justiça e com o poder Judiciário!

    A guerra levantada por Bolsonaro contra o Supremo tem apenas uma razão, que ele esconde porque o presidente não é sincero, mas um dissimulado, mentiroso:
    Quer porque quer tirar os ministros nomeados por Lula e Dilma, que, na sua ótica obtusa, pretendem derrubá-lo do poder!

    Se, alguém de fora, sem conhecimento de causa, examinar esta insatisfação e vontade do presidente, dar-lhe-á plena razão!
    Depois que o Supremo inocentou Lula, reconduzindo-o às disputas eleitorais, as dúvidas contra o Supremo a respeito de sua tendenciosidade e parcialidade ficaram nítidas, onde dificilmente a Alta Corte pode contestar!

    Agora, eis o dano, a lesão, o prejuízo para o povo e Brasil, a continuação deste processo ignóbil, de nomear ministros para o STF pelo presidente da República!
    Ou o congresso muda essa “concessão” dada ao chefe do executivo (?!), cujo intuito é protegê-lo juridicamente, e ter ao seu lado as decisões finais e irrecorríveis do Supremo ou jamais iremos ter um Judiciário HONESTO, IMPARCIAL E ISENTO!

    Vou mais longe:
    O modo como Bolsonaro quer virar o jogo em seu benefício, ignorando as regras estabelecidas há tempo, voltou-se contra ele, através da atuação de alguns magistrados do STF, que não participaram do patético teatro liberando Lula e condenando Moro!

    Sablons quer a cassação de Bolsonaro. Tem o meu apoio integralmente.
    Mas, a aproximação com o Centrão definitivamente colocou uma pá de cal em cima de nossas aspirações, pois mesmo que o STF condene Bolsonaro, o impeachment quem decide é o congresso.

    Ora, se o Centrão detém a maioria, e o presidente da Câmara é um dos representantes mais radicais desse grupelho de malfeitores, Bolsonaro está tranquilo, pois não será impedido de seguir presidente.

    Enfim:
    Ou mudamos o processo de nomeação dos ministros para tribunais superiores;
    ou alteramos e eliminemos os privilégios, mordomias, regalias, penduricalhos e outros meios ILEGAIS, que aumentam substancialmente os vencimentos desses dois poderes;
    ou exigimos que o congresso cumpra a vontade do povo ou jamais vamos resolver qualquer impasse entre entre eles mesmos.

    Pior:
    quando se desentendem, sobra para quem, para quem, para quem?
    Quem respondeu o povo, acertou!

    • Bendl. Nos crimes comuns, admitida a acusação contra o Presidente da República, por 2/3 da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal.
      Já perante o Senado Federal, ocorre nos crimes de responsabilidade.

  6. Concluo, conforme se observa facilmente:

    Assistimos uma guerra de cocô!
    Imoralidades contra imoralidades.
    Um joga excremento no outro querendo ter razão.

    Se o STF hoje não tem a confiança e respeito do povo, o culpado é o presidente da República, pois foi quem os escolheu e nomeou;
    Se o Supremo atua contrário à CF e contra a própria Justiça, lembro que seus ministros devem reconhecimento e agradecimento aos seus padrinhos.

    Bolsonaro quer para si um grupo todo seu.
    Nomeou um patético adulterador de currículo;
    quer colocar um “terrivelmente evangélico”, que possui o mesmo pecado do seu colega, de enaltecer as suas “qualidades” profissionais advindas de Salamanca, Espanha.

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