Crises de 2015 já começam a ser resolvidas neste mês de outubro

Murillo de Aragão

Com o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, o ano novo político começará. Aí já estaremos em um 2015 curto ou longo, a depender da lua de mel entre opinião pública, imprensa e Congresso com o novo governo e sua agenda.

Qualquer que seja o presidente, o Brasil sai fraturado de uma campanha eleitoral que foi violenta em seu primeiro turno e que promete ser agressiva em sua conclusão. E esse presidente terá de desempenhar papel conciliador pouco visto nos últimos anos na política nacional.

Além da conciliação com aliados e da manutenção de diálogo mínimo com a oposição, a agenda política do governo será repleta de desafios. E ser capaz de estender a lua de mel típica do primeiro ano de uma nova Presidência. Tarefa difícil para os nomes disponíveis.

O primeiro desafio será o de construir ou reconstruir uma base política. Nada fácil para os candidatos. O presidencialismo de coalizão, baseado na entrega de ministérios para os partidos, não funciona bem. Não há uma fórmula fiável ou alternativa.

BASE ALIADA

O Congresso que emergirá das urnas será, como sempre, fragmentado em múltiplos partidos, com lideranças informais e diferenças regionais. A presença no condomínio do poder ainda é a fórmula mínima de proteção para qualquer governo. Mas a sucessão de escândalos mostra que isso tem de funcionar com base em projetos e programas, e não para servir ao clientelismo de sempre.

Terá de convencer a base política e o Congresso para tomar medidas duras de ajuste, visando recompor a nossa ameaçada credibilidade fiscal e econômica. O Congresso é ágil e eficiente para fazer bondades com os cofres públicos. A motivação é quase nula para fazer cortes e sacrifícios. Dependemos de crises para avançar e cortar na carne.

O terceiro desafio é o de administrar as sequelas das denúncias de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que podem devastar algumas lideranças políticas atuais. Imagina-se que, em 2015, dezenas de processos contra políticos e parlamentares cheguem ao STF com potencial para os mensalões do PSDB, do PT e do DEM parecerem furtos de pirulitos na cantina do colégio.

Com o escândalo da Petrobras, podemos ter outras investigações a caminho. O Securities Exchange Office, regulador do mercado acionário norte-americano, está de olho nos acontecimentos no Brasil. A Petrobras é negociada na bolsa norte-americana, e qualquer malfeito tem desdobramentos jurídicos por lá. Um problema adicional de credibilidade a ser gerenciado pelo próximo governo.

OUTRAS INVESTIGAÇÕES

As investigações no Brasil vão atingir duramente as empresas fornecedoras da Petrobras que podem fazer delações e revelações sobre o submundo das operações com a gigante estatal e as relações com os financiamentos a partidos e políticos.

O tema causa arrepios em setores do empresariado brasileiro, pois o juiz Sergio Moro não quer apenas investigar políticos. Ele sabe que suas ações podem resultar na destruição de um modelo opaco e, muitas vezes, ilegal, de relacionamento entre o setor privado e as esferas governamentais. E que existe desde os tempos do regime militar. Não é trivial e pode ser algo parecido com a operação Mãos Limpas, que promoveu um terremoto político na Itália.

Os desafios e reflexões aqui expostos deveriam resultar em um debate sério sobre a reforma política. Algo que deveríamos ter feito de forma organizada tempos atrás. Felizmente, alguns aperfeiçoamentos têm ocorrido de forma espasmódica nas últimas décadas. A crise que vem por aí poderá ser mais uma oportunidade para avançarmos institucionalmente. (transcrito de O Tempo)

4 thoughts on “Crises de 2015 já começam a ser resolvidas neste mês de outubro

  1. Mas, a Operação Mãos Limpas na Itália, no tocante à corrupção, só golpeou a máfia e seus associados carcomidos democratas cristãos, porque daí nasceu e reinou o maior corrupto individual desde que a Itália se unificou chamado BERLUSCONi, que influencia na política até o presente. A corrupção ‘democratizada”, na prática, se transformou numa tremenda concentração corrupta. Ademais, o cardeal Paul Marcinkus, vulgo O GORILA, que foi o chefão do escândalo financeiro do Banco Ambrosiano de Milão, investigado e processado criminalmente pela Operacão citada, foi protegido pelo Vaticano do João Paulo II, vulgo João de Deus cantado e abençoado em verso e prosa aqui, também pelo seu sucessor Bento XVI e pelo governo dos EUA, onde passou a residir impunemente até vir a falecer em 2006 no Arizona. TUTTI BUONA GENTE.

  2. Por falar em Mega-Quadrilha, ontem o Sultão de Paris como de costume contou mentira novamente.
    Disse no seu ar de prepotência franco-tucana-suiça que quem fez o PLANO REAL foi ele…..
    Pegou a mania do covas de contar mentiras……..
    eh!eh!eh

  3. O artigo do jornalista Murilo de Aragão, no tempo e na medida exata, detalha o quadro de total esculhambação em que se encontra o país e os desafios que a curtíssimo prazo irão tolher os que venham a encará-los.
    Como imagem, igual a um terremoto…
    Maior que a hora do espanto, em que alguns petistas ainda tentam tapar o sol com peneira, ignorando o que está acontecendo no plano político e, como sempre, se reportando às nossas reservas com trunfo para sair das maiores calamidades, é hora de estar atento para uma tempestade de muita chuva, limpa, para fazer correr para os esgotos tantas sujeitas apuradas e outras iguais, prestes a serem anunciadas…
    Sei não…
    Trecho do artigo do senhor Aragão, merece profunda reflexão. Permita-me:

    “O tema causa arrepios em setores do empresariado brasileiro, pois o juiz Sergio Moro não quer apenas investigar políticos. Ele sabe que suas ações podem resultar na destruição de um modelo opaco e, muitas vezes, ilegal, de relacionamento entre o setor privado e as esferas governamentais. E que existe desde os tempos do regime militar. Não é trivial e pode ser algo parecido com a operação Mãos Limpas, que promoveu um terremoto político na Itália.”

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