Cristiane, travada, viveu sua tarde de Ronaldo-98 na eliminação do Brasil

A consolação que resta é lutar pela medalha de bronze

Lucas Alvares

A entrada da atacante Cristiane, maior artilheira da seleção brasileira de futebol feminino em Jogos Olímpicos, foi uma aposta de risco do técnico Vadão para a semifinal contra a Suécia. Ao lançar mão de uma jogadora que prima pela força física quando ela, nitidamente, caminhava pesadamente e não conseguia a explosão necessária ao jogo ofensivo, o Brasil – que sofreu também com as limitações de Bia, Andressa Alves e Debinha – ficou preso nas duas linhas de marcação suecas. Além disso, Cristiane se precipitou e tirou de Raquel Fernandes, nos acréscimos da prorrogação, um provável gol decisivo do Brasil.

O empate em 0x0 da prorrogação foi ainda mais grave do que o do tempo normal. Evidenciou a falta de presença de ataque do Brasil, que já havia gritado nos empates contra África do Sul e Austrália. A equipe se posiciona muito bem, tem volume e posse de bola, mas cria poucas oportunidades de gol.

Vadão, que fez ótimo trabalho, cometeu os dois erros decisivos nessa semifinal: lançar Cristiane sem condições de jogo e não repetir a sequência de batedoras de pênaltis da partida contra a Austrália, que parecia afiada. Cristiane, sem pernas, cobrou muito mal o seu. Andressinha, jogadora de bom passe mas de fraca finalização, sentiu a juventude e também não cobrou bem.

Para a disputa do bronze, onde o Brasil deverá atuar novamente sob aplausos da torcida pela entrega que demonstrou ao longo de toda a competição, será preciso corrigir a movimentação de nossa linha de frente, que ficou manjada. Não há mais jogadas de projeção e nem “dobras” nas costas das laterais adversárias. No futebol, como diz o velho clichê, não basta a posse de bola. O que importa, é bola na rede.

5 thoughts on “Cristiane, travada, viveu sua tarde de Ronaldo-98 na eliminação do Brasil

  1. Sim, faltou tutano nas pernas das jogadoras do Brasil na hora de finalizar para o gol.No entanto,o Brasil foi dono do jogo durante os 120 minutos da partida.Visível que, as suecas entraram em campo em busca de levar a partida para os pênaltis. Ganharam,porém sem mérito.

    PS. Este sistema de disputa por vaga através de pênaltis, para mim, além de ser uma tremenda loteria, é por demais injusta e esdrúxula.O Brasil fez melhor campanha,e,não vai disputar o ouro.Francamente!

  2. O time da Suécia sabendo-se inferior, não dava para disputar de igual para igual, então apelaram para ao futebol covarde, com 10 jogadoras se defendendo, diminuindo os espaços das adversárias, o que tornou difícil a penetração das jogadoras do Brasil em sua área, e num contra ataque e com sorte fazer um gol, que não aconteceu. Se o Brasil tivesse feito um gol, as suecas teriam que sair para tentar o empate, aí o time brasileiro teria chances de fazer mais gols. A Suécia, tinha o plano b: levar o jogo para a disputa nos penaltis e tentar a sorte e conseguiram.
    No campeonato brasileiro tem muito time chamado de grande jogando assim.

    • É por essas e outras que não custava nada pelo menos experimentar a sugestão do falecido dr. Sócrates, de realizar partidas com apenas 9 jogadores na linha. Podiam começar fazendo alguns amistosos.

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