Cristovam estranha o silêncio do Planalto sobre corrupção, diz que “Dilma é refém” e já admite assinar o pedido de CPI.

Carlos Newton

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), integrante da Frente Suprapartidária Contra a Corrupção e Impunidade, está estranhando o silêncio do Palácio do Planalto diante das manifestações de apoio ao combate à corrupção. Segundo ele, essa omissão do governo é preocupante.

Cristovam diz que o Partido dos Trabalhadores parece ter “ojeriza à bandeira ética”, e considera a presidente Dilma Rousseff como “refém de seus aliados”. Cristovam assinala que suas esperanças estão acabando em relação ao governo e que, se nada for feito, não só assinará a CPI da Corrupção, como também ajudará na coleta de assinaturas.

Em entrevista ao repórter Bruno Góes, de O Globo, o senador do PDT afirma estar preocupado quando vê que o governo não percebe a importância de uma frente que tenta apoiar a presidente na luta contra a corrupção. “É preocupante. Passa a impressão de que não está querendo que essa luta vá adiante. Essa é a sensação que eu tenho hoje ao escutar, entre aspas, o silêncio do Palácio do Planalto em relação às posições desse grupo. Mas o que mais me surpreende é quando eu vejo o Partido dos Trabalhadores na defensiva. O PT entregou a bandeira ética a outras pessoas. Essa sempre foi uma bandeira muito clara do Partido dos Trabalhadores e, de repente, ele parece incomodado com o fato de que existem outras pessoas defendendo a ética”, acrescenta.

Cristovam ainda não assinou o requerimento da CPI da Corrupção, porque acredita que seria melhor dar uma chance à presidente Dilma Rousseff para assumir a faxina. “Se nós fizermos uma CPI, acontecerá uma de duas coisas. Uma: a CPI não avança nada, como a maioria das CPIs. Aí vai ser ruim para o próprio Congresso. Duas: a CPI avança e a presidente vai ter que tomar providências, porque a CPI descobriu mais corrupção. Vai ser bom para o Brasil, mas vai ser ruim para a Presidência. Então, quero dar um tempo à presidente. Mas confesso que, aos poucos, estou perdendo a esperança de que a presidente queira fazer isso”, desabafa.

Em sua opinião, parece que a presidente Dilma está parando no meio do caminho. “E se essa parada realmente acontecer, se nós nos convencermos de que ela parou, aí a CPI pode ser o caminho para libertar a presidente. Porque a impressão que fica é de que ela, parou por estar cercada de pessoas que não querem que a luta contra a corrupção continue. Essas pessoas não querem. A presidente quer. Então, ela está prisioneira. O melhor caminho era ela fazer tudo isso, essa limpeza, essa faxina, sem precisar de CPI, sem precisar do Congresso. Mas se eu sentir que é necessário assinar a CPI para libertá-la, não tenha dúvida de que eu não só assinarei, como vou pedir a outras pessoas que assinem também”, adverte Cristovam Buarque.

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