Cubanos não são humanos?

Percival Puggina

Em 2001, em visita a Cuba, fui à embaixada brasileira. Ela se situa no quarto andar do prédio da Lonja del Comercio (Bolsa de Valores), uma bela edificação do século 19. Conversei com o secretário. Eu queria checar minhas observações sobre a realidade do país. Durante a entrevista, entrou na sala uma moça que lhe dirigiu algumas palavras em espanhol e se retirou deixando expedientes sobre a mesa. Quando ficamos novamente a sós, ele explicou que a servidora fora contratada junto a uma das duas agências oficiais através das quais o governo locava mão-de-obra para organizações estrangeiras no país.

O contratante descrevia o perfil da pessoa que necessitava, a agência estabelecia o valor da remuneração e enviava pessoas para entrevistas. No caso, dos 200 dólares com que a embaixada remunerava a agência, a moça recebia o equivalente (em pesos!) a 20 dólares. O restante ficava para seu generoso patrão, o Estado cubano.

Portanto, quando eu leio, em várias fontes, que deve ser nessas mesmas bases o negócio entre Brasil e Cuba (R$ 10 mil mensais por cabeça para o patrão) e uns 10% disso para os médicos, eu não tenho por que ficar surpreso. Ouvi esse relato de viva voz. Há muitos anos sei que o patrão comunista é um velhaco cujos padrões morais causariam horror a um capitalista do século 18. Meu escândalo com seus abusos já é bem antigo.

Que cidadãos daquele país aceitem morar nos rincões brasileiros por uma ajuda de custo miserável vale como certidão, passada em cartório, sobre o que seja viver em Cuba. Não obstante, o convênio firmado com o ministro da Saúde brasileiro ilustrava orgulhosamente a matéria de capa do site da OPAS na última sexta-feira (http://www.paho.org/bra/). Não se trata, ali, de salários e valores, talvez por falsos pudores. E ninguém conseguirá arrancar dos profissionais que vierem informação alguma sobre quanto os Castro lhes estarão pagando para atuarem no Brasil.

E AS FAMÍLIAS DELES???

O leitor deve estar se perguntando: “E as famílias deles? Eles não vêm com a família?”. É óbvio que não. Isto está fora de cogitação. Nestes casos, tratando-se de cidadãos cubanos no exterior, a família costuma ser refém do governo, proporcionando relativa garantia de que o infeliz retornará ao cativeiro. Aliás, estamos diante de um duplo cativeiro porque também no Exterior a situação desses profissionais seguirá disciplina própria, para cujo controle lhes costuma ser imposta fiscalização exercida por agentes do governo cubano.

Normalmente, ao menos, as coisas se passam assim. E mesmo que esses fiscais não venham, mesmo que não se apliquem ao convênio firmado pelo ministro Padilha as regras vigentes em outros países, já está para lá de configurada uma situação de servidão, de escravidão, de exploração indecente do trabalho humano. Ficou muito claro, também, que essa operação está sendo cozida há muito tempo, à socapa, abordada de modo evasivo pelo governo. Ninguém monta uma operação dessas em uma semana. Há objetivos eleitorais focados nas comunidades interioranas e há Foro de São Paulo nisso.

Basta o que se sabe para caracterizar nesse acordo abuso capaz de acionar até os mais ideologicamente focados alarmes dos órgãos de direitos humanos, quer sejam do governo, quer da sociedade. A pergunta que me ocorre nesta sexta-feira chuvosa em que escrevo é a seguinte: “Cubanos não são humanos?”. Que Cuba escravize seus cidadãos é uma coisa inaceitável. E o Brasil convalida isso?

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32 thoughts on “Cubanos não são humanos?

  1. O exposto por Percival são fatos irrefutáveis, mas de que valem os fatos para psicopatas?

    O hediondo encontra em religiões ou ideologias justificativas para sua prática.

  2. De merda somos nós. Que assistimos calados os mandos e desmandos desse governo absurdo, e não fazemos nada para dar um basta nessa impunidade desses políticos safados. Reclamamos demais e ficamos inerte apenas acompanhando. Precisamos de um líder que nos guie para manifestações objetiva e politicamente correta, até a derrubada desse governo insano.

  3. A informação não procede.
    Segundo a ministra de saúde de Cuba o salário será integralmente entregue ao médico.
    Quanto ao primeiro episódio eh mais provável que o articulista foi enganado pelo informante. Tem gente que escuta uma mentira e acredita.

  4. Por falar em psicopatas, me lembro de um filme,que tinha cenas, de uma multidão agredindo e xingando quem lhes ajudava, no inicio no filme a gente acha que são autista, mas no decorrer se descobre que a turba estava no patio do manicômio, dai a gente descobre o que são. Sera que s Diretores das faculdades de medicina de Fortaleza e região, precisam assistir ao filme para não se deixar enganar por doentes mentais?

  5. Embora concorde inteiramente com o articulista, lembro que esse mesmo processo é o utilizado nas terceirizações realizadas pela estatais, mas quase não se fala nisso. A empresa “dona” de seus empregados os aluga às estatais e esses empregados recebem somente uma fração do que é pago pelas estatais a suas empresas. O caso dos médicos cubanos é, portanto, uma simples terceirização, em que a empresa “dona” é Cuba.

  6. É insustentável tanto o sistema cubano como o tupiniquim. Esperemos que dai saia um movimento de consciência e vergonha na cara ou, ainda, o completo caos.

  7. A grande verdade, ouvi de um italiano em Pisa. Não quero saber quanto vou ganhar, e sim o que posso comprar, viver com dignidade, casa, comida, educação e assistência médica etc.Fui a Nova York, este ano, e conversando com um motorista de
    taxi, fui informado do preço de locação de imóvel de, aproximadamente 50 mº girarem em torno de U$$ 5.000 até U$$ 10.000, isto em Manhattan. Aí na cidade maravilhosa, não foge muito. Viver na zona sul só bilionário. Conclui-se pela relatividade
    das coisas. A teoria da relatividade aplica-se também a economia. O resto é ranço da ditadura militar. São as viúvas!!!!!!!!!

  8. Como de costume, o governo petista está vendendo mais uma mentira como verdade.
    A presidente Dilma, por exemplo, tem tratado as iniciativas e ações governamentais aos solavancos e pontapés, seja qual tema for, caro ou importante, de curto ou longo prazo nos interesses do pais. A população, as organizações de classe, os representantes de entidades comprometidos com os direitos constitucionais, estão fora do alcance das discussões, dos esclarecimentos e dos legítimos propósitos das ações que movem os projetos do poder executivo. Os políticos e os administradores do governo, alardeiam as melhores intenções no lançamento oficial de cada programa, vingando ou não, fazem festas com o objetivo de tirar algum proveito e alimentar os financiadores de campanha. Quem paga muito caro por tudo, somos todos nós. Prevalece a imposição dos devaneios administrados pela presidente. O que está sendo feito é para o bem geral, não pode ser debatido, analisado ou contestado.
    Todos os dias, um direito garantido está sendo surripiado no afogadilho de manobras politicas que visam, a manutenção do poder de poucos e a eleição seguinte dos mesmos. A discussão dos programas de governo, quando já não estão costurados, se dá na maioria das vezes, ou quando o assunto é polêmico ou quando se vê acuado dentro de uma confusão por ele criada. Para dar impressão de legitimidade, usam a mídia em geral, e de maneira mais imediatista os blogs. Como grande parte são subsidiados pelo governo, se posicionam contrários as informações satisfatórias e esclarecedoras nas discussões lançadas. As opiniões divergem como não poderia ser diferente, há os contras, os favoráveis e os sem opiniões. Assim, fica fácil de vender uma mentira como verdade. Reforçando a movimentação dos “debates”, alguns jornalistas ou formadores de opinião se lançam em determinados assuntos por convicção ao juramento profissional ou por interesses não declarados. Logo em seguida, o governo se dá por satisfeito e inicia as trapalhadas que estamos acostumados a ver nos últimos 10 anos. Como a demanda de metas pontuais são muitas e urgentes, na maioria das vezes se transformam nada mais que embustes publicitários ou balões de ensaio, que se repetem várias vezes como solução, sem saírem efetivamente do papel. Tornou-se praxe esta rotina de má fé, para não dizer malandragem inconsequente e sem precedentes para com a nação que fica esperando obras significativas de infraestrutura que nunca são concluídas. Não existe mais espaço para culpar governos passados. Mas isto é irrelevante, tratando-se de governo petista, onde o buraco sempre é mais em baixo, não precisa ser um especialista para constatar que estamos sendo enganados. Falam uma coisa e fazem outra.
    Agora, a bola da vez é a contratação de médicos estrangeiros. Depois de muita patinação, o governo promove goela abaixo a solução para a saúde pública. Contratar mão de obra escrava para preencher a ausência de médico pelo Brasil afora. Na gambiarra emergencial de encontrar uma solução favorável para a saúde, acabam encontrando uma alavanca para a candidatura do governo de São Paulo para o ministro Padilha, e uma maneira de enviar dinheiro para sustentar o fracassado governo cubano.
    Resumo, a saúde pública fica no plano de marketing de um oba oba carnavalesco. E já que devemos ao PT, a arte de ter colocado o Brasil na lista dos países do primeiro mundo, embora essa façanha se dê muito mais em verso e prosa que no mundo real, fica estranho pedir socorro para a OPAS, pedido feito, justamente por aqueles que tem “sociedade” com o Sírio-Libanês. E mais difícil ainda, é dar aceite nas negociações feitas com o governo ditatorial dos irmãos Castro. Tudo feito de maneira temerária em relação as leis vigentes e afrontosa aos princípios que protegem as liberdades individuais.
    Não tem como deixar de ver uma esguelha de natureza ditatorial acachapante na forma de atuação do governo. É hora de perguntarmos, daqui para frente, qual postura irá prevalecer diante das decisões presidenciais, a imposição da ditadura comunista petista ou o Estado democrático de direito? Como ficam aqueles que vivenciaram e combateram ditaduras ao longo da história? Como ficam aqueles que no meio do século passado, sentiram na pele as amarguras da pior das ditaduras e no florescer deste século, veem o nascimento de uma pujante ditadura “popular”? Como ficam aqueles que lutam na surdina por uma ditadura petista? Como ficam aqueles que não aceitam nenhum tipo de ditadura? O Brasil é uma república democrática livre e soberana ou uma ilhota oprimida produtora de tabaco?
    Por fim, o que iremos comemorar nos próximos 7 de setembro?

  9. Na aula inaugural, a vice-ministra de Saúde de Cuba afirmou os médicos cubanos não vão fazer trabalho semi-escravo no Brasil, como chegaram a acusar representantes de conselhos de medicina. Márcia Cobas disse que os cubanos vão continuar recebendo os salários que GANHAM EM CUBA, além de benefícios sociais, e que não estão aqui para concorrer com os brasileiros.

  10. …e a mula sem cabeça também disse que Fidel é papai noel para os cubanos.
    Márcia Cobas sabe o que tem de falar para a família que ficou em Cuba não sofrer represália e té ser encaminhada ao “paredon”

  11. O mundo não se divide em bons e maus como quer algumas religiões ou ideologias. doutrinas.
    O mundo se divide em meia dúzia de céticos e bilhões de crentes.

  12. Parte dos jornalistas passou dias dizendo o que quis sobre a vinda dos médicos cubanos, sem se preocupar em checar informações ou as consequências de suas ações.

    São escravos, vêm em aviões negreiros, são incompetentes, indolentes e teve até quem disse que as médicas pareciam “empregadas domésticas” (o fantástico é que a tosca em questão achou que estava ofendendo as doutoras mas, no fundo, rasgava preconceito contra uma suposta aparência de trabalhadoras domésticas).

    Muito jornalista também deu voz de forma passiva e servil ao corporativismo médico desmiolado, ou seja, ouviu e transmitiu aberrações sem questionar. Que é a função primordial dele.

    Isso alimentou um bando de filhos das classes média e alta, com formação política zero, conhecimento histórico inexistente, pouco senso crítico e zero de autocrítica. Que depois de bem “fundamentados”, levaram seus jalecos brancos para a porta de aeroportos a fim de repetirem o que ouviram.

    Em suma, todo e toda jornalista que ajudou a inflar o monstro da xenofobia e do preconceito ou se omitiu diante disso tem sim uma parcela de culpa nesse show de horrores e de vergonha alheia.

    Parabéns colegas, a gente é o máximo.
    Leonardo Sakamoto

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  13. Revista Veja aplaudiu médicos cubanos na época de FHC

    Postado em: 26 ago 2013 às 22:36

    Revista da Editora Abril afirma que “o milagre veio de Cuba” numa reportagem de 1999, quando o presidente era FHC e o ministro da Saúde, José Serra, ao descrever a situação de municípios que não tinham médicos. Hoje, cubanos que chegaram para trabalhar em cidades sem médicos são chamados de escravos e de espiões comunistas por Veja

    Numa reportagem publicada na edição número 1.620, de 20 de outubro de 1999, a revista Veja elogiou a vinda de médicos cubanos ao Brasil. “O milagre veio de Cuba”, chega a colocar o texto, depois de descrever a precária situação do, na época, único hospital do município de Arraias, em Tocantins.

    A matéria explica o motivo pelo qual o hospital ficou fechado por quatro anos depois de ser inaugurado, em 1995: “Faltavam médicos que quisessem aventurar-se naquele fim de mundo”. Foi quando a cidade “conseguiu importar cinco médicos da ilha de Fidel e, assim, abrir as portas do hospital”.

    Infelizmente, a situação de hoje não é muito diferente. O governo da presidente Dilma Rousseff, com Alexandre Padilha no ministério da Saúde, anunciou a contratação de quatro mil médicos cubanos para trabalhar em 701 municípios que não foram escolhidos por nenhum profissional inscrito no programa Mais Médicos.

    Diferente de quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso firmou o convênio com Cuba, no entanto, desta vez a revista cobriu o assunto escancarando seu preconceito. Chamou o que antes era “a tropa vestida de branco de Cuba” de “espiões comunistas”. O colunista Reinaldo Azevedo os chamou de escravos.
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  14. Nós já avacalhamos a máfia italiana. Quem se lembra do Tomaso Busceta? Aqui, nem o comunismo bolivariano-petralha-cubano do Foro de São Paulo dará certo. Mesmo o governo petralha tendo financiado a Rodovia Cocaleira e desprotegido a fronteira, para facilitar o tráfico de drogas e armas para os seus irmãos das FARC; mesmo o governo petralha tendo feito acordo econômico exclusivamente com as grandes potências denominadas Bolívia, Venezuela, Líbia, Irã e, mais recentemente, Guiana (por onde roubam o nosso valiosíssimo minério nióbio); mesmo o governo petralha tendo hostilizado os EUA e a UE; mesmo o governo petralha não tendo feito acordo comercial com a China; mesmo o governo petralha tendo perdoado as dívidas de países africanos governados por ditadores corruptos; mesmo o governo petralha tendo se aproximado dos banqueiros e empreiteiros para foder a classe média; mesmo o governo petralha tendo torrado o nosso dinheiro em esmolas à Cuba; ainda assim o Brasil resiste. Os petralhas não conseguirão acabar com o Brasil, embora continuem tentando. Nós, brasileiros trabalhadores honrados e dignos é que ficaremos livres dos petralhas. Não há mal que sempre dure. Hitler teve fim. Stalin teve fim. Os senhores feudais irmãos Castro, da Ilha-presídio, terão fim. Hugo Chavez teve fim (graças a Deus, mais rápido). Maduro ficará podre. Evo cocaleiro e Correia passarão, porque ninguém aguenta esses messiânicos de araque por muito tempo. O primeiro passo para derrotar as ditaduras bolivarianas acaba de ser dado pelo valoroso brasileiro Eduardo Saboia.

  15. Corem diante desta negra, doutores! Ela tem o que os senhores perderam

    “Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor”, afirmou Nelson Rodrigues, 45.

    “Nossa motivação é a solidariedade”, assegurou Milagros Cardenas Lopes, 61

    “Viemos para ajudar, colaborar, complementar com os médicos brasileiros”, destacou Cardenas em resposta à suspeita de trabalho escravo. “O salário é suficiente”, complementou Natasha Romero Sanches, 44.

    Poucas frases, mas que soam como se estivessem sendo ditas por seres de outro planeta no Brasil que vivemos.

    O que disseram os primeiros médicos cubanos do grupo que vem para servir onde médicos brasileiros não querem ir deveria fazer certos dirigentes da medicina brasileira reduzirem à pequenez de seus sentimentos e à brutalidade de suas vidas, de onde se foi, há muito tempo, qualquer amor à igualdade essencial entre todos os seres humanos.

    Porque gente que não se emociona com o sofrimento e a carência de seus semelhantes, gente que se formou, muitas vezes, em escolas de medicina pagas com o imposto que brasileiros miseráveis recolheram sobre sua farinha, seu feijão, sua rala ração, gente que já viu seus concidadãos madrugando em filas, no sereno, para obter um simples atendimento, gente assim não é civilizada, não importa quão bem tratadas ejam suas unhas, penteados os seus cabelos e reluzentes seus carros.

    Perto desta negra aí da foto, que para vocês só poderia servir para lavar suas roupas e pajear seus ricos filhinhos, criados para herdar o “negócio” dos pais, vocês nao passam de selvagens, de brutos.

    Vocês podem saber quais são as mais recentes drogas, aprendidas nos congressos em locais turísticos, custeados por laboratórios que lhes dão as migalhas do lucro bilionário que têm ao vender remédios. Vocês podem conhecer o último e caro exame de medicina nuclear disponível na praça a quem pode pagar. Vocês podem ser ricos, ou acharem que são, porque de verdade não passam de uma subnobreza deplorável, que acha o máximo ir a Miami.

    Mas vocês são lixo perto dessa negra, a Doutora – sim, Doutora, negra, negrinha assim!- Natasha é, eu lhes garanto.

    Sabem por que? Por que ela é capaz de achar que o que faz é mais importante do que aquilo que ganha, desde que isso seja o suficiente para viver com dignidade material. Porque a dignidade moral ela a tem, em quantdade suficiente para saber que é uma médica, por cem, mil ou um milhão de dólares.

    Isso, doutores, os senhores já perderam. E talvez nunca mais voltem a ter, porque isso não se compra, não se vende, não se aluga, como muitos dos senhores, para manter o status de pertenceram ao corpo clínico de um hospital, fazem com seus colegas, para que dêem o plantão em seus lugares.

    Os senhores não são capazes de fazer um milésimo do que ela faz pelos seres humenos, desembarcando sob sua hostilidade num paìs estrangeiro, para tratar de gente pobre que os senhores nao se dispõem a cuidar nem querem deixar que se cuide.

    Os senhores nao gritaram, não xingaram nem ameaçaram com polícia aos Roger Abdelmassih, o estuprador, nem contra o infleiz que extorquiu R$ 1.200 para fazer o parto de uma adolescente pobre, nem contra os doutores dos dedos de silicone, nem contra os espertalhóes da maternidade paulista cuja única atividade era bater o ponto.

    Eles não os ameaçaram, ameaçaram apenas aos pobres do Brasil.

    Estes aì, sim, estes os ameaçam. Ameaçam a aceitação do que vocês se tornaram, porque deixaram que a aspiração normal e justa de receber por seu trabalho se tornasse maior do que a finalidade deste próprio trabalho, porque o trabalho é um bem social e coletivo, ou então vira mero negócio mercantil.

    É isto que estes médicos cubanos representam de ameaça: o colocar o egoísmo, o consumismo, o mercantilismo reduzidos ao seu tamenho, a algo que não é e nem pode ser o tamanho da civilização humana.

    Aliás, é isso que Cuba, há quase 55 anos, representa.

    Um país minùsculo, cheio de carências, que é capaz de dar a mão dos médicos a este gigante brasileiro.

    E daí que eles exportem médicos como fonte de receita? Nós não exportamos nossos meninos para jogar futebol? O que deu mais trabalho, mais investimento, o que agregou mais valor a um país: escolas de medicina ou esteiras rolantes para exportar seus minérios?

    É por isso que o velhissimo Fidel Castro encarna muito mais a juventude que estes yuppies coxinhas, cuja vida sem causa cabe toda dentro de um cartão de crédito.

    Eu agradeço à Doutora Natasha.

    Ela me lembrou, singelamente, que coração é algo muito maior do que aquele volume que aparece, sombrio, nas tantas ressonâncias, tomografias e cateterismos porque passei nos últimos meses.

    Ele é o centro do progresso humano, mais do que o cérebro, porque é ele quem dá o norte, o sentido, o rumo dos pensamentos e da vida.

    Porque, do contrário, o saber vira arrogância e os sentimentos, indiferença.

    E o coração, como na música de Mercedes Sosa, una mala palabra.

  16. No pais existem governos, locais, que oferecem remuneração aos médicos inferiores aos que receberão os respeitosos médicos cubanos. Há que se lembrar que existem instituições mundiais de médicos que vez por outra, pratica ação humanitária “grátis”. Como são de origem de países não socialistas, ninguém pergunta quanto vão ganhar, se trazem suas famílias. Existe no mundo 58 nações cujos governos contrataram médicos cubanos. No país já existiu experiência em São Paulo, e como não era governo do PT e para atendimento no estado metrópole do pais, era maravilhoso nos olhos daqueles que conheceram a iniciativa inclusive a revista “olha”. E o sucesso da empreitada foi tamanha que, hoje, poucos são aqueles que se dizem e são detentores da informação se omitem de fazer so um pequeno relato da experiência de sucesso. Se fosse um fracasso, teríamos esses chamados membro do “PIG” escarafunchando as entranhas dos infelizes que teriam sofrido os maus tratos para belos e longos depoimentos. Mas como não tem, omitem-se em relatar as experiências de dos demais países. Mas no mesmo caminho omitem-se em expor o trabalho escravo a que são submetidos, os chamados voluntários dos milionários grades prêmios de formula um, da copa das confederações e copas do mundo etc… Por que esse eventos geram milhões aos órgãos da chamada grande imprensa. E no seu olhar, sentem-se humilhados quando conhecem culturas onde existem pessoas que se sentem felizes saírem de suas pátrias e usarem suas habilidades para minimizar o sofrimento daqueles que pagam para que alguns se formem médicos na universidades publicas, mas não tem direito de ser tratado pelos mesmo com o respeito que juraram quando se formaram. Isso lembra o verso “ta vendo aquele prédio moço. Ajudei a construir”. Que venham os médicos de CUBA.

  17. O profissional deve trabalhar COM amor.
    Deve ser frequentemente avaliado por seus órgãos de classe, se especializar e atualizar-se sempre, porque a Medicima necessita desta atualização permanente.
    Quem se diz trabalhar POR amor é um cabotino adestrado. O profissional deve ser capacitado e receber salário digno, pagar seus impostos, e ser remunerado dentro dos honorários dignos da profissão. Quem trabalha por casa e comida, numa república democrática de direito, é, infelizmente, um reles escravo.
    A situação ilegal e anti-ética desses médicos (?!) cubanos deveria nos deixar a todos, no mínimo, constrangidos.

  18. Quem acreditar que Fidel Castro repassará integralmente os salários recebidos do governo brasileiro por cada “peão médico” – limpinhos de impostos!! -… Hummm… também deve crer em Fada do dente.
    Se eles foram selecionados por sua “capacidade de robotização”, obviamente não se furtarão à obediência servil aos irmãos Castro.
    São escravos? Sim! Médicos? Não sabemos… Não se submeteram a um prova de revalidação.
    Eles abdicaram de pensar.

  19. Alguns comentaristas espertamente estão se utilizando do aspecto emocional para insistir em colocar a categoria dos médicos brasileiros contra a população, evitando condenavelmente mencionar a omissão de governos passados e atual com relação à Saude Pública!
    De forma política e ideológica, portanto, repudiável, abordam esta questão como se a solução estivesse nas mãos dos médicos cubanos e porque vieram apenas pelo ideal da Medicina, e não pelo dinheiro oferecido e oportunidade de saírem de seu país e aproveitarem momentos de liberdade, negada pelos comandantes Castro.
    Neste caso específico, Cuba ainda se aproveita da condição de mantê-los a cabresto com suas famílias detidas, enquanto que embolsa grande parte dos salários combinados à contratação vergonhosa dessas pessoas como foi elaborada.
    Admito que sejam bem-vindos, que se distribuam pelos rincões deste Brasil, mesmo com as dificuldades que vão enfrentar e carência de material de todo o tipo, mas rejeito veementemente esta campanha sórdida como querem fazer contra os médicos brasileiros, generalizando irresponsavelmente e acusando uma categoria de profissonais que ainda faz das tripas coração para levar adiante um mínimo de atendimento médico aos necessitados.
    Esta não é a forma de se querer resolver os impasses que há anos estão incrustados na desorganização que se transformou o SUS, jogando brasileiros contra brasileiros, ao contrário, esta maneira é deplorável e beira à traição contra o povo e País!
    Não aceito que a ideologia sobreponha as questões nacionais, a população, os problemas que o nosso País enfrenta, caracterizando esta atitude de culparem os médicos como abominável e de alto risco ao atendimento à população e segurança aos profissionais de saúde brasileiros.
    Os apoiadores deste movimento estão enganados, erram de forma absoluta, e criam a discórdia e divisão entre o povo ao discriminarem os médicos brasileiros como estão fazendo.
    Bem-vindos os médicos estrangeiros, que façam um bom trabalho, se conseguirem, mas loas aos médicos brasileiros, e acusações para quem deve recebê-las, os governos incompetentes e incapazes, omissos e irresponsáveis quanto à Saúde Publica no estágio que se encontra, e por culpa única e exclusivamente de péssimos presidentes que desgraçadamente estamos elegendo!

  20. Caro Francisco Bendl, saudações
    Trago uma história que muito me comoveu, para contar. Ela aconteceu em 1997, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso, através do seu ministro da Saúde José Serra, implementou o programa “Médico Em Sua Casa”. O médico cubano Josué Jesús Matos foi um dos que atenderam ao chamamento/convocação do programa, tendo ido atuar na cidade (super pobre, seus habitantes nunca haviam visto um médico) de Mucajaí/Rondônia, 60 kms distante de Boa Vista.
    Lá … ele enfrentou mil casos de malária (a cidade tinha nove mil habitantes), atendia em média cem pessoas/dia. Até que um dia conheceu uma brasileira, apaixonou-se por ela e casaram. Foi a Cuba com ela, apresentou-a a família, etc, e retornaram, numa boa. Mas … a resistência dos políticos da cidade foi imensa e ele não mais pode atuar. Pensou em abandonar tudo. Até que fizeram uma lista, na qual três mil cidadãos exigiam sua permanência. Ele ficou. Naturalizou-se. Candidatou-se a prefeito. Foi eleito, com 4698 votos, pelo PSL. Um médico cubano eleito prefeito!!! Pergunto. Por que Lula não prosseguiu com este programa “Médico Em Sua Casa”??? Milhares de excluídos de tudo foram beneficiados!!! Mas … muitos preferem examinar Leis e Sistemas … e outros “impeditivos”. Tiro o chapéu para o FHC!!! Os médicos cubanos atuam em 103 países, aí incluindo-se Inglaterra, Portugal, Haiti, Paquistão, etc. Eu, há bons anos, percorro cidades cujas realidades são inaceitáveis, vejo o sofrimento e a morte, de perto!!! E … o Josué Jésus Matos ganhava um salário de Três Mil Reais; metade para ele, metade para o governo de Cuba. Perguntado se isto era justo, respondeu: “Sim, pois é com a outra metade que o governo do meu país consegue formar outros médicos e espalhá-los pelo mundo, como eu”.
    Nosso médicos …recusaram-se a ir nas 701 cidades escolhidas pelo governo. Então … que se calem e não agridam, como aconteceu com o médico cubano negro, alvo de xingamentos no aeroporto de Guararapes/Recife. A foto chocou-nos a todos. E mais, os jornais e tvs mostraram alguns dos nossos médicos torcendo pelo fracasso dos cubanos. “Se eles errarem, não os socorreremos, deixaremos os pacientes morrerem, para que a sociedade veja a incompetência deles”. Isto … não tem nome. Ou … é monstruosidade mesmo. Coisa doentia. Tenho dois médicos na família. São ótimos, são competentes … mas desde que trabalhem por aqui mesmo. Socorrer quem nada tem, quem sequer sabe o que é a visita de um médico … nem pensar.
    “Médico Cubano Virou Prefeito”
    “Adorado Pela Cidade”
    Palmas para o Fernando Henrique.
    Palmas para o José Serra.
    E palmas para o governo cubano.
    Quem não tem médicos não quer saber de teorias ou sistemas. Quer viver, ou sobreviver, pelo menos ser alvo da atenção de alguém.
    Quem, como eu, visita e conhece a fome e a miséria de muitas cidades brasileiras, há décadas, nega-se a participar de celeumas que não contribuem para nada de positivo. Só acirram ânimos, praticam desrespeitos mútuos e … preferem ignorar a realidade dos pobres deserdados e excluídos.

  21. Em princípio, Almério, meu caro, obrigado por dirigires o teu comentário diretamente a mim.
    Em sequência, considero apropriada e pontual a tua história a respeito dos estrangeiros que vêm para nosso País, ajudam na construção do mesmo, casam-se com uma brasileira, têm filhos e vivem felizes para sempre.
    A tua inteligência e perspicácia percebem que não sou contra esta vinda de cubanos que ajudarão quem precisa de atendimento médico, apesar de que somente suas presenças não serão suficientes para resolver os impasses na Saúde, falta de material, hospitais e postos de saúde, além de maquinário e aparelhos necessários para diagnósticos precisos.
    Sou contrário à forma como foram contratados, mas causa-me indignação e revolta esta campanha que ora está em curso para responsabilizar os médicos brasileiros pelos problemas nesta área.
    O médico cubano que citas como exemplo de dedicação para uma população carente, possibilita encontrarmos casos idênticos de médicos brasileiros que também fizeram o mesmo anonimamente, e que continuam no seu sacerdócio sem chamarem à atenção das autoridades por conta de sentimentos nobres que norteiam a maioria desses profissionais.
    Se pesquisarmos sobre a atuação de médicos em cidades desconhecidas e escondidas pela distância de centros maiores, e que se esforçam para manter a saúde nessas localidades, encontraremos outros Jesus brasileiros, como o mesmo aconteceria na África com relação a cubanos, brasileiros, americanos, franceses, italianos, alemães, russos…e não são acusados de responsáveis pela saúde em seus países de origem ter seus problemas.
    Esta é a questão, meu caro Almério e mestre, de apontarmos quem nos deixou nesta situação de precisar de gente de fora para ajudar na solução de impasses internos, criados pela omissão de nossos governantes, mas não porque os profissionais da saúde do Brasil se negam a ir para localidades distantes das grande cidades como os estão acusando injusta e levianamente!
    Obrigado pela tua participação e fato apontado como lembrança das boas obras que estrangeiros fazem neste Brasil no seu interior e também nas cidades maiores e capitais. Devemos valorizá-los, sim, na razão direta que não podemos esquecer do quanto milhares de médicos trabalham sem condições em benefício do povo brasileiro, e pelo simples motivo de honrarem seus diplomas, e de colocarem seus talentos e vocações à disposição dos necessitados!
    Eu estranhava a tua ausência, Almério, neste debate que tomou um curso diferente do que deveria, mais para o lado ideológico e tendencioso que prático e adequado mas, eis o meu amigo e, como sempre, abrilhantando este espaço democrático como poucos o conseguem.
    Um forte e cordial abraço, caríssimo.

  22. Caro Francisco Bendl !!!
    Você tem, como disse John Cassavetes, três metros de altura!!! Apenas eu fico daqui a lamentar que os debates (que são lidos em universidades) tomem rumos que só apresentam uma discórdia sem um propósito útil … digamos assim. Pessoas apresentam leis e sistemas, travando um campeonato do “eu sei mais do que você” e … abandonam por completo a sensibilidade, o olhar para o outro. Não pretendo cansar os leitores deste “blog incomparável”(graças a comentaristas como você e outros bravos escritores), mas se eu contar o que tenho visto por este Brasil, há décadas, certamente seria posto em dúvida.
    No hospital de um plano pago, caro amigo Bendl, um médico brasileiro receitou uma injeção como remédio para uma dor nas costas de um paciente. A dor prosseguiu. O sujeito foi então para o hospital público do Andaraí e foi atendido por um venezuelano, que receitou um medicamento … e o homem ficou bom rapidamente! Naquela ocasião, havia dez médicos venezuelanos trabalhando no hospital, em condições terríveis, como sabemos.
    Já contei aqui a experiência dos cubanos da Fundação Ataulpho de Paiva. Eles vinham nos ensinar sobre vacinas, conheci muitos deles durante anos, meu irmão era o Superintendente lá. Vinham e voltavam, eram pessoas sorridentes, trabalhavam felizes. Meu irmão conheceu Fidel, que interessou-se pelo trabalho de vacinas no Brasil. Foi com o então ministro da Saúde Alceni Guerra. Fidel atendeu meu irmão numa sala pequena, havia um ventilador … serviu café e brincou, dizendo que o café cubano era da melhor qualidade, melhor do que o nosso (rsrs).
    Na saída, foi acompanhado por Fidel, passou por outras salas, viu as pessoas trabalhando sorridentes. Há pobreza, e que pobreza!, em Cuba. Mas … eles vivem da maneira deles, e parecem felizes. Você mesmo escreveu um (sábio!!!) artigo aqui, perguntando pela razão de os cubanos não se revoltarem contra os Castro. Francisco, conheci em Ananindeua/Pará, pessoas que moram em barracos, convivem com ratos e outros insetos que chamam de carapanãs. A diarreia lá, mata. Existe fome. Mas … vivem alegres, na realidade deles! Praticamente ninguém tem problemas no coração. Eu já bebi cafezinho com eles!!! Viva Darcy Ribeiro!!! Um gigante compreendedor das realidades, que abandonou tudo por um ideal tão lindo!!! Eu … se conseguir ser meio por cento do Professor Darcy … serei feliz e realizado. Mas … neste mundão … olhar pelo outro … deve obedecer leis, regras, sistemas, agressões, xingamentos. E neste debate … eu não entro
    Abraço sempre fraterno para você, do
    Almério

  23. Caríssimo Almério,
    Tu és um AVATAR, então, meu amigo, se eu tenho três metros de altura e, és o meu!
    A tua experiência sobre os rincões brasileiros e mais este caso que tu nos contas de Cuba, significam que barreiras políticas e ideológicas, econômicas e socias, não deveriam impedir que o ser humano seja enaltecido por ele mesmo, ora.
    Temos um carinho especial pelos cubanos, Almério, na razão inversamente proporcional da rejeição que nutrimos pelo regime ditatorial que lá existe, mas o povo é maravilhoso como igualmente é o brasileiro.
    Olha, certamente os médicos solteiros que vieram nesta leva se engraçarão pelas mulheres brasileiras e suas curvas irresistíveis e se casarão com elas, reproduzindo fielmente a história anterior que contaste mas, até lá, será indiscutível que somarão esforços no sentido de amenizarem o sofrimento dos nossos compatriotas abandonados, largados à própria sorte pelos governos incompetentes e incapazes.
    Eu muito gostaria que houvesse intervenção na Saúde, que técnicos efetivos cuidassem de sua organização, aperfeiçoassem-na, proibissem que a arrecadação a esta área fosse desviada de seu destino, e que a Saúde tivesse a prioridade devida e importãncia merecida pelo Estado.
    Portanto, acredito que ela ter chegado a este patamar de caos e falência, tenha sido engendrado propositadamente a título eleitoreiro, que não deve recair sobre os médicos que vieram com tanta disposição para nos auxiliar a esperança de solução, assim como não devemos desmerecer os nossos profissionais por não estarem em certas localidades, mas pressionar as autoridades a respeito de darem atenção adequada tanto para os médicos de fora quanto aos brasileiros.
    E que todos nós nos demos as mãos e trabalhemos em prol deste gigante Brasil, explorado, violentado, prejudicado, mal tratado, menosprezado, ainda assim um colosso como País e Nação, que muito nos orgulha e que me coloca a postos quando constato que parte dele, uma categoria de profissionais tão importante quanto a médica está sendo agredida e ofendida, se tem sido ela a possibilitar que este país gigantesco ainda esteja respirando e tenha saúde para reagir aos desmandos que é vítima, da insensatez de seus dirigentes, da insensibilidade de seus governantes, corrupção e desonestidade dos parlamentares, que permeiam nossos Poderes Constitucionais, lamentavelmente!
    Almério, sempre é uma honra trocar idéias contigo, afora eu aprender e reconhecer a minha insignificãncia perante tão importante professor!
    O meu abraço forte e cordial.

  24. Meu prezado Mauro Júlio Vieira,
    Lamento profundamente, mas tens toda a razão!
    E, ela é tão vasta, que não há margem para discussão sobre a tua declaração acima.
    Um abraço, meu caro.

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