Cuidado com a reforma

Carlos Chagas

Leão X, flor do jardim da família Médici, era um papa ameno, patrocinador das artes. Entendeu construir uma nova e monumental Igreja de São Pedro, em Roma. Conseguiu levantar a imponente estrutura que seus sucessores completaram, mas, como precisava de muito dinheiro, estimulou ainda mais a venda de indulgências e a difusão de relíquias sagradas.

O povo pagava para poder pecar e em seguida fugir das penas do inferno e do purgatório, assim como gastava suas economias pagando entrada para ver de perto uma palha da sagrada manjedoura, uma moeda das trinta do Judas, um espinho da coroa de Cristo, fios de cabelo de Nossa Senhora e pedacinhos da cruz onde o Salvador fora sacrificado.

Ficou tão escandalosa a comercialização da fé que um obscuro monge alemão insurgiu-se, encontrou 94 proposições para contestar a Santa Madre Igreja e pregou a Reforma que até hoje divide o cristianismo.

Por que se conta esse episódio marcante na História da Humanidade? Porque daqui a pouco aparecerá um Martinho Lutero caboclo e acabará com a farra da venda de ilusões em que se lança o governo, desde a posse de Lula no palácio do Planalto.

Venderam para o povo a imagem de ser o Brasil um país tão maravilhoso que até o presidente dos Estados Unidos decidiu facilitar a concessão de vistos para brasileiros gastarem seu rico dinheirinho lá em cima. Aceita-se que mais de 30 milhões de pobres e necessitados ascenderam à classe média. Que o bolsa-família vem acabando com a miséria. Que o desemprego é coisa do passado. Que de potência emergente passamos a membros do clube dos ricos. Que o petróleo do pré-sal nos garante a supremacia no mundo energético e que nem devemos preocupar-nos com a crise na Europa, incapaz de nos atingir.

Seria bom ir com calma. Essas celebrações das conquistas das duas administrações dos companheiros lembram as indulgências e as relíquias dos tempos do papa Leão X. Faltava veracidade àquele leilão de passaportes para a outra vida, como faltam agora evidências concretas de haver o Brasil superado o estágio da pobreza, da miséria, da doença e do desemprego.

Se vier por aí uma Reforma expressa nas urnas de 2014, ninguém se queixe. Será decorrência dos excessos e da inconsistência da ilusão atual. Quanto a quem vestirá a batina do monge, tanto faz. Lutero foi uma conseqüência dos exageros eclesiásticos.

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DE VOLTA AO TRABALHO

Nos tribunais superiores, começou o retorno de seus ministros a Brasília, ainda que sessões, mesmo, só a partir do primeiro dia de fevereiro. Mas já estão por aqui muitos dos integrantes do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Superior Tribunal Militar e do Tribunal Superior do Trabalho. Sem esquecer o Tribunal Superior Eleitoral.

Cada um desses tribunais enfrentará pautas carregadas, este ano, a começar pelo julgamento dos 38 mensaleiros, na mais alta corte nacional de Justiça.

Vai ser difícil ao Congresso centralizar as atenções da mídia, mesmo que só no fim de fevereiro retome suas atividades. Sendo 2012 ano de eleições municipais, imagina-se estar perdido o segundo semestre, bem como meio esmaecido o primeiro.

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