Cunha critica a perseguição que sofre de Janot e diz que Dilma sabia de tudo

Cunha explica por que tem esperanças de evitar a cassação

Débora Bergamasco, Mel Bleil Gallo
IstoÉ

Profundo conhecedor dos submundos do poder, Cunha sabe que já foi mais poderoso. Bem mais. Há não muito tempo, comandava uma bancada de mais de 100 parlamentares. Segundo seus adversários, o séquito era alimentado com o que a política tem de mais sedutor para um parlamentar: verbas de campanha e cargos em postos-chave. O peemedebista nega a utilização desses métodos. Hoje, além do isolamento político, Cunha experimenta uma outra situação insólita em sua trajetória como homem público. A convivência com denúncias não é novidade para ele. A diferença é que, agora, as cortes da Justiça não admitem mais suas explicações. Não parece ser um fim com o qual o parlamentar sonhou, semelhante ao que ocorre com Dilma.

Se em algum momento já pareceram feitos um para o outro, Cunha e Dilma são hoje como água e óleo. Atualmente, experimentam o mesmo infortúnio: ambos estão afastados do cargo para o qual foram eleitos. Na narrativa petista, a queda de Dilma significaria a salvação de Cunha. No Congresso, a maioria aposta no harakiri duplo.

Há entre seus mais fieis escudeiros a crítica velada à sua insistência em permanecer no mandato. Hoje, Cunha conversa regularmente com poucos deputados. No seleto grupo, estão Jovair Arantes (PTB-GO), Rogério Rosso (PSD-DF), Carlos Marum (PMDB-MS), Hugo Motta (PMDB-PB), Arthur Lira (PP-AL) e Marcelo Aro (PHS-MG). O presidente afastado tenta justificar a fuga de apoiadores: “A impressão de que estou isolado é porque não estou podendo ter um convívio maior.”

O sr. disse que recebeu o então ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, Jaques Wagner, em outubro do ano passado em três diferentes ocasiões, nas quais ele lhe propôs um acordo para que o sr. livrasse a presidente do impeachment. Em troca ele garantiria sua absolvição no Conselho de Ética da Câmara. Como se deu essa abordagem?
Obviamente que toda conversa política tem sempre os seus meandros, suas idas e vindas. Mas o que aconteceu clara e textualmente é que ele sentou para discutir pontos de governabilidade, tentando uma aliança comigo, para que pudéssemos andar juntos. E para isso, começou a oferecer justamente votos no Conselho de Ética. Ele ofereceu textualmente algo que eu até reputei como ridículo, que foi a interferência do governo para que mantivessem a minha mulher (Cláudia Cruz) e minha filha (Danielle) sobre a ótica do processo do Supremo. O que eu já disse de pronto que eu não acredito nesse tipo de interferência. Não creio que o governo tenha esse controle de quem quer que seja. Refutei.

A presidente Dilma Rousseff sabia das propostas de Jaques Wagner para o sr?
Todas as vezes em que ele esteve comigo, que tocou nesse assunto, ele deixou claro que Dilma sabia das conversas. Que ele relatava todas as conversas e que ela sabia. O que torna um pouco mais grave a situação. E depois desses encontros, existiram parlamentares que ficaram fazendo a ponte. Algumas vezes, Jaques deu exemplos de como o PT poderia me ajudar no Conselho de Ética, como não marcar quórum em determinada sessão para tentar adiar. Ele tentou continuar essa oferta. Isso tudo estou falando simplesmente para rebater essa fantasiosa história de que abri o processo de impeachment por vingança, que é o que eles chamam de desvio de poder.

Aliados de Dilma vazaram a versão de que, na verdade, as conversas de Wagner com o sr. eram para te enrolar até que fossem aprovadas as metas fiscais.
Quando dão uma desculpa dizendo que estavam querendo me enrolar, na verdade estão é confirmando que fizeram a oferta. E enrolar faz parte da natureza deles. Enrolaram o Brasil esses anos todos e deu no que deu. Minha pergunta é: estão querendo dizer que a presidente Dilma era a cabeça de um plano de enrolar o presidente da Câmara no intuito de aprovar um projeto? Na conversa do dia 12 de outubro, na Base Aérea, quando ele (Jaques Wagner) me ligou e marcou, ele saiu do nosso encontro e disse que naquela noite mesmo ainda conversaria com a presidente e que falaria comigo depois. Que era para relatar a conversa a ela. Então, a cada conversa, ele dizia que ia sair e que ia até a presidente para relatar. O que comprova, mais uma vez, que ela participava e sabia de tudo.

O sr. sempre aglutinou muitos aliados. Agora se sente abandonado?
Fui afastado pelo STF e estou sendo cerceado. Ele (Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot) entrou com pedido de prisão só porque eu disse em uma entrevista que eu ia à Câmara. Não estou podendo exercer nem a minha autodefesa no Conselho de Ética e nem fazer o que o julgamento político pressupõe, que é estar em corpo a corpo com os parlamentares, que são meus julgadores, para me justificar. Então, se eu não estiver afastado, daqui a pouco eu posso até ser preso por conversar com deputado.

Mas o sr. poderia receber visitas aqui na residência da Presidência da Câmara.
Eu acho que posso exercer quaisquer atividades que não sejam do exercício do mandato. Eu não perdi meus direitos políticos. A impressão de que estou isolado é porque eu não estou podendo ter um convívio maior, o que está prejudicando.

Tem parlamentar que não quer ser visto falando com o sr., nem ser fotografado ao seu lado por que agora não interessa mais ter essa proximidade ? O governo Temer te abandonou?
Não tenho condições de te afirmar isso. Ficam tentando me colocar numa clandestinidade. Essa decisão do Supremo e ameaça de prisão (caso eu vá à Câmara), é uma tentativa de me constranger e criar uma coação contra mim. O governo Michel Temer não tem nem que me abandonar nem que me abraçar. É um processo político interno da Câmara.

O sr. disse em nota que argumentos da sua defesa não foram considerados…
Nesse processo da aceitação da segunda denúncia, a gente sempre reclama da seletividade do procurador (Rodrigo Janot) de me escolher para apresentar rapidamente as suas peças – lembrando que desde a abertura do processo de impeachment , em 17 de abril, ele abriu seis novos inquéritos contra mim. Ele apreciou duas denúncias em três meses, enquanto o presidente do Senado (Renan Calheiros) está há três anos e três meses sem apreciar. Quarta-feira, chegou-se ao julgamento sem decidir todas as peças que deveriam ter sido decididas com relação a este processo. O exemplo mais gritante é: para justificar que eu participei da discussão do tal contrato de Benin (na África) eles dizem que eu teria participado de uma reunião na Petrobras com a presença de um diretor internacional, no dia 12 de setembro de 2010, onde eu teria chegado de helicóptero acompanhado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Então, primeiro: ele nem denunciou o Eduardo Paes. Segundo: minha defesa juntou a comprovação documental de que nem eu nem o tal diretor estávamos na Petrobras naquele dia, que era um domingo de campanha eleitoral e que nem helicóptero pousou naquele dia lá. Ou seja, prova factual de que a reunião não existiu. Apesar de anexar à minha defesa, isso foi ignorado pelo relator (ministro Teori Zavascki), que proferiu o voto aceitando a denúncia dando como justificativa a própria reunião. Ou seja, meus argumentos de defesa são ignorados. Não é um julgamento, é um linchamento, um justiçamento.

O sr. diz que os argumentos da sua defesa estão sendo ignorados, mas fala também ter a certeza de que será absolvido pelo STF. A decisão de acatar sua denúncia foi unânime.
Provavelmente, este vai ser o critério adotado em qualquer desses casos. Ou seja: denúncia apresentada pelo PGR contra qualquer parlamentar será aceita. Mas eu acredito no bom senso durante o processo comprobatório e que poderemos fazer valer nossos argumentos. Acredita que me fizeram três denúncias sem nem me ouvir? Usaram minhas falas públicas em entrevistas jornalísticas como se fosse depoimento de investigado. Espanta-me essa violação.

Sua família está sendo perseguida?
No caso da minha filha, fizeram uma cópia adulterada da ficha do banco excluindo a declaração do que ela realmente era. Ela não tinha nada a ver nem com a conta da minha esposa. Ela tinha apenas um cartão adicional, mas ignoraram. O caso da minha esposa é diferente do meu. Eu nunca disse que a minha esposa não tinha conta (no exterior). Ela detém a conta sim, mas a discussão é que ela não tinha obrigatoriedade de declarar porque, no nosso entender, em 31 de dezembro de cada ano ela tinha um saldo inferior a US$ 100 mil.

Os procuradores disseram que dinheiro de propina bancou luxos de sua esposa no exterior. É uma imagem forte para a opinião pública.
Matematicamente isso é impossível. O patrimônio que eu detinha e que foi doado ao trust foi de muitos anos atrás, oriundos de minhas atividades privadas. A prova disso é que estão elencando um valor que teria sido recebido através do trust de 1,3 milhões de francos suíços (R$ 5 milhões). E 2,3 milhões francos suíços foram bloqueados. Ou seja, foi bloqueado 1 milhão a mais do que eles contestavam. Então, como os gastos foram feitos decorrentes desse dinheiro? A defesa dela vai provar exatamente o roteiro do dinheiro.

16 thoughts on “Cunha critica a perseguição que sofre de Janot e diz que Dilma sabia de tudo

      • “Governo de Salvação Nacional”…….kkkkkkkk

        Propina para Temer (O Antagonista)

        Brasil 25.06.16 09:04
        Rodrigo Janot, no ano passado, recusou a delação de José Antunes Sobrinho, da Engevix.

        Na tentativa de abrir outro canal com a PGR, o empreiteiro acrescentou detalhes sobre o pagamento de propina a Michel Temer.

        De acordo com a Época, ele contou “que o coronel da PM João Baptista Lima Filho, sócio da empresa de arquitetura Argeplan e ‘pessoa de total confiança de Michel Temer’, ganhou o principal contrato de construção da usina Angra 3 com a Eletronuclear, no valor de R$ 162 milhões, e se comprometeu a subcontratar a Engevix para realizar a obra.

        Em troca, a empreiteira pagaria R$ 1 milhão para ‘suprir interesses de Michel Temer’”.

        E mais:

        “O repasse foi feito pela empresa Alúmi Publicidades, que prestava serviços de mídia para o aeroporto de Brasília, controlado pela Engevix. Segundo ÉPOCA apurou, houve realmente um pagamento da Alúmi para a PDA Projeto, uma empresa de Lima. A PDA recebeu R$ 1,1 milhão em outubro de 2014, pagos pela Alúmi, na reta final da eleição daquele ano. Procurada por ÉPOCA, a Alúmi confirma o repasse de dinheiro à PDA. Lima confirma o recebimento da quantia. Os dois afirmam, no entanto, que se trata apenas de serviços prestados pelo amigo de Temer, não de propina”.

  1. Como tem muita gente comprometida e apaixonada sem descartarmos dois ministros do STF que se manifestam em suas intervenções francamente favoraveis a Cunha. A possibildade de Cunha ser absolvido no STF não é de todo improvável. Tendo ainda Temer como um trunfo grande. Amississímo de Gilmar que o adora pode influir muito. Sem esquecermos da trama de Temer, Gilmar e Serra para implantartem o semi-parlamentarismo a revelia dos brasileiros.Cunha sabe de muitos segredos dessa gente. Sabe-se também que Cunha é muito generoso. Vide os presentinhos que os deputados receberam para votar a adissibilidade do impeachmet. Foram fardos de dólares. Sim dólares mesmo, para comprar os, os, os….presentinhos.

  2. Falando um pouco dos que estão ‘vivos’ politicamente….

    Operador ligado a Temer admite ter recebido R$ 1 milhão da Engevix

    Delator da Lava Jato, sócio da empreiteira afirma que o dinheiro era propina por obra na usina nuclear Angra 3
    DANIEL HAIDAR
    24/06/2016 – 19h53 – Atualizado 24/06/2016 20h41
    O empresário José Antunes Sobrinho, um dos donos da construtora Engevix, é mantido em prisão domiciliar a poucos metros da força-tarefa em Curitiba. Vem de Antunes a acusação, em uma proposta de delação premiada, de que o presidente interino Michel Temer foi o beneficiário de R$ 1 milhão de propina, paga pela Engevix, como recompensa por um contrato de R$ 162 milhões da empreiteira com a Eletronuclear. ÉPOCA revelou o caso no fim de abril. Temer negou as acusações na ocasião. Na proposta de delação, Antunes conta que o ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, sócio da empresa de arquitetura Argeplan e “pessoa de total confiança de Michel Temer”, ganhou o principal contrato de construção da usina Angra 3 com a Eletronuclear, no valor de R$ 162 milhões, e se comprometeu a subcontratar a Engevix para realizar a obra. Em troca, a empreiteira pagaria R$ 1 milhão para “suprir interesses de Michel Temer”, de acordo com Antunes.
    A proposta de delação premiada revela detalhes sobre o caso. Lá, Antunes diz que pediu para que uma prestadora de serviços da Engevix fizesse o pagamento para Lima, para disfarçar. Segundo a proposta de delação, o repasse foi feito pela empresa Alúmi Publicidades, que prestava serviços de mídia para o aeroporto de Brasília, controlado pela Engevix. Segundo ÉPOCA apurou, houve realmente um pagamento da Alúmi para a PDA Projeto, outra empresa de Lima. A PDA recebeu R$ 1,1 milhão em outubro de 2014, pagos pela Alúmi, na reta final da eleição daquele ano. Procurada por ÉPOCA, a Alúmi confirma o repasse de dinheiro à PDA. Lima confirma o recebimento da quantia. Os dois afirmam, no entanto, que se trata apenas de serviços prestados pelo amigo de Temer, não de propina.

    Com as revelações do executivo, o dinheiro pode ser rastreado pelos investigadores para que seja verificado se Temer foi de fato beneficiado, como afirma Antunes – o que, novamente, o presidente interino nega com veemência. Pouco tempo depois do pagamento da propina, Lima fez viagens ao Panamá e ao Uruguai, dois conhecidos paraísos fiscais usados por operadores da Lava Jato para esconder dinheiro.
    (…)….

    http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/06/empresario-ligado-temer-e-acusado-de-receber-r-1-milhao-em-propina.html

  3. O Claudio Humberto virou petista ???
    Lava Jato
    Machado tem 3 provas de encontro com Temer em Base Aérea
    Delator deve apresentar testemunhas e registros de GPS de carro
    Publicado: 24 de junho de 2016 às 14:48
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    Delator da Operação Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado deverá indicar à Procuradoria-Geral da República (PGR) três tipos de provas de seu suposto encontro com o presidente interino Michel Temer. Machado diz ter encontrado com o peemedebista na Base Aérea de Brasília, em setembro de 2012, por cerca de 15 a 20 minutos
    Segundo reportagem do jornal O Globo, existem testemunhas do encontro; registros do aluguel de um carro na capital federal pela Transpetro; e marcadores de GPS referentes aos itinerários feitos.
    Em sua delação, o ex-Transpetro contou à força-tarefa da operação que Temer pediu doação para a campanha de Gabriel Chalita a prefeito de São Paulo depois de o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) ter manifestado previamente a Machado a intenção de Temer. Ainda segundo o depoimento, Machado diz ter conseguido R$ 1,5 milhão com empreiteira que tinha contratos com a estatal e o dinheiro foi repassado ao diretório nacional do PMDB. Machado afirmou que os políticos que o procuravam sabiam que a origem do dinheiro era de propina.
    De acordo com o jornal, Machado deve entregar provas do que delatou até o próximo dia 4, prazo dado pela PGR.

    ( Diário do Poder ).

    Mais em :
    http://extra.globo.com/noticias/brasil/machado-devera-apresentar-provas-de-encontro-com-temer-em-base-aerea-19572388.html

  4. Esses dois jornalistas são de ” Petistas ” ??? Ou a Repúclica Temeriana é essa mesmo ????… Mais Renan se vira nos 30.
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    Roberto Pompeu de Toledo: Os cinco ases
    Entre tantos nomes citados na delação de Sérgio Machado, tende-se a misturá-los e igualá-los. É um erro. As estrelas incontestes são Renan Calheiros, José Sarney, Romero Jucá, Edison Lobão e Jader Barbalho, todos do PMDB
    Por: Augusto Nunes 24/06/2016 às 18:50
    Publicado na versão impressa de VEJA
    O catatau de 377 páginas que contém a delação premiada do ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, divulgado na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal, revela o bas-fond da política brasileira como poucas vezes se viu num documento oficial. São citados 24 políticos, de oito partidos. Até para o presidente interino Michel Temer sobra uma rebarba, e grave, com a denúncia de que interferiu junto a Sérgio Machado em favor de contribuição ao candidato à prefeitura de São Paulo Gabriel Chalita, em 2012. Mas o protagonismo cabe ao quinteto formado pelos senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Edison Lobão e Jader Barbalho e pelo ex-senador (e ex-presidente da República) José Sarney. Entre tantos nomes citados, tende-se a misturá-los e igualá-los. É um erro. As estrelas incontestes são esses cinco, todos do PMDB. Depois do que se lê no depoimento de Machado, o fato de continuarem exercendo influência, quatro deles ainda em altas funções, rebaixa e desqualifica a política brasileira para nível ainda mais baixo e desqualificado do que aquele em que já se encontrava.
    A Operação Lava Jato tem oferecido memoráveis lições sobre como funciona o poder no Brasil. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o primeiro dos delatores, ensinou que doações de empresas a políticos não são doações ─ “são empréstimos, a ser pagos com altos juros”. Sérgio Machado agora esclarece três pontos que já se adivinhavam, mas nunca tinham vindo de fonte tão autorizada, assim resumidos nos autos: “1) Políticos indicam pessoas para cargos em empresas estatais e órgãos públicos e querem o maior volume possível de recursos ilícitos, tanto para campanhas eleitorais quanto para outras finalidades; 2) Empresas querem contratos e projetos e, neles, as maiores vantagens possíveis, inclusive por meio de aditivos contratuais; e 3) Gestores de empresas estatais têm duas necessidades, uma a de bem administrar a empresa e outra a de arrecadar propina para os políticos que os indicaram”.
    Sérgio Machado foi indicado para a Transpetro, em 2003, sob o alto patrocínio do poderoso quinteto, com destaque para Renan, primus inter pares. No ano anterior ao término de seu mandato no Senado, ele arriscara uma candidatura ao governo do Ceará e perdera. Era da turma, era de confiança, e estava desempregado. Machado, cuja função seria encaminhar os “por fora” recebidos das fornecedoras da Transpetro aos políticos, não os decepcionou. Renan levou, ao longo dos doze anos em que seu afilhado comandou a estatal, 32 milhões de reais, Lobão 24 milhões, Jucá 21, Sarney 18,5 e Jader, pobrezinho, 3 milhões.
    Jader “pressionava muito por propinas”, delata Machado, mas, segundo transparece no depoimento, tinha vida muito enrolada. Numa ocasião, pediu que os parceiros arcassem com uma dívida de 300 000 reais que tinha com um advogado. Renan, Lobão e Machado entraram com 100 000 cada um. Mais adiante, exigiu que Machado arcasse com uma dívida que contraíra com o banco BVA. Machado não encontrou jeito de fazê-lo, e a relação entre os dois se deteriorou.
    Lobão, entre os cinco, figura como o que ia mais direto ao ponto. Ao assumir o Ministério de Minas e Energia, em 2008, disse a Machado que agora, tendo a Transpetro sob sua jurisdição, ganhara direito à maior bolada. Desde o ano anterior (e até 2014), quatro dos integrantes do quinteto (Jader excluído) recebiam boladas mensais. Renan recebia 300 000, Jucá 200 000. Lobão pediu 500 000. Machado não teve como chegar a essa quantia, e o acerto ficou nos mesmos 300 000 de Renan.
    Os mensalões eram entregues em espécie, e a operação de entrega revela o ambiente mafioso entre nossos personagens. Tanto o entregador do dinheiro quanto o recebedor agiam sob codinome. Um papel com o codinome do entregador, o local e a hora da entrega era fornecido por Machado ao político, pessoalmente, em Brasília, a cada mês ou cada dois meses. Machado fazia tudo direitinho, como exigiam os patrocinadores, mas não esquecia de si próprio. Sua parte nas propinas era depositada num trust na Suíça, que, em 2012, somava quase 73 milhões de reais. O toque de humor, ou rasgo de franqueza, foi dar ao trust o nome de Tartufo, o personagem de Molière que encarna o mais célebre hipócrita da literatura universal. Hipocrisia cabe, mas é pouco. Espelha apenas um dos atributos do grupo, talvez o mais inofensivo.

    http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/roberto-pompeu-de-toledo-os-cinco-ases/

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