Cunha não aceitará acordo, porque Dilma nada tem a oferecer

Carlos Newton

Os jornais, sites e blogs fazem as mais criativas especulações sobre a possibilidade de acordo entre a presidente Dilma Rousseff e seu maior inimigo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O assunto é revoltante, tenebroso e sinistro, mas não pode ser levado a sério. Uma coisa é a fantasia, o desejo, a pretensão, outra coisa muito diferente é a possibilidade, que somente se caracteriza quando existem condições plausíveis de concretização.

No caso do acordo entre os dois arqui-inimigos, não existe a menor possibilidade de se chegar a um denominador comum, como se dizia antigamente. O deputado Eduardo Cunha tem dois produtos a oferecer – o boicote ao impeachment e a aprovação do ajuste fiscal, incluindo CPMF, mas sem garantia total de entrega. E a presidente Dilma tem muito pouco para dar em troca, e sem a menor garantia de entrega.

TROCA-TROCA

Como compensação pelos serviços a serem prestados, Cunha exige diversas mercadorias: 1) a intervenção do governo na Conselho de Ética e no plenário da Câmara, para que ele não seja cassado nem perca a presidência da Mesa; 2) a suspensão da perseguição que o procurador-geral da República Rodrigo Janot move contra ele; 3) uma certa compreensão do Supremo Tribunal Federal, que garanta a eterna lentidão do julgamento dos processos contra ele; 4) a blindagem da mulher e da filha que têm contas abertas no exterior.

Sonhar ainda não é proibido, mas acontece que Dilma Rousseff não tem condições de atender essas demandas de Cunha.

DILMA SEM PODERES

Com a ajuda de Lula e do PT, Dilma pode até tentar pressionar o Conselho de Ética e o plenário, para evitar a cassação dele, mas é impossível mantê-lo na presidência da Câmara. Dilma também não tem como interferir junto ao procurador-geral Rodrigo Janot, que ontem mesmo entregou novas provas contra Cunha. Também não pode pressionar o Supremo. Se isso fosse possível, a desmoralização das instituições brasileiras teria chegaria a um tal ponto de ruptura que alguém teria de chamar o General Villas Bôas para botar ordem na casa, conforme reza a Constituição.

Por isso, não haverá acordo, a não ser que outras milionárias contas secretas sejam abertas no exterior, se é que vocês me entendem, como dizia o genial jornalista Maneco Muller, o Jacinto de Tormes.

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PS – E se alguém me esculhambar dizendo que estou defendendo um golpe militar, vou logo esclarecendo: intervenção militar é prevista na Constituição e nada tem ver com ditadura militar. (C.N)

17 thoughts on “Cunha não aceitará acordo, porque Dilma nada tem a oferecer

  1. Também torço para que este ponto de vista de Carlos Newton esteja correto. Afinal um acordo de bastidores entre Cunha e o governo PilanTra seria a maior imundície já vista neste país.

  2. Este Eduardo Cunha sabe que não tem saída, que acordo quer fazer com Dilma, será que ela controla o STF, isto seria uma vergonha nacional, o Brasil é maior que todos estes que estão no poder, o Brasil está uma vergonha, é por isto que os bandidos riem quando vão presos, assim como a cara de pau de deputados envolvidos nesta operação da lava jato, são cínicos, não tem medo da justiça, aliás, com esta justiça nenhum deles ficará temeroso, a não ser com juízes regionais, estes fazem um trabalho decente para o país.

  3. Prezado Newton.
    Estamos precisando de uma atitude mais enérgica da FFAAs.
    Domingo e segunda tem manifestações pelo país.Esperamos que o povo tire a bunda do sofá e compareça.
    Um abraço.

  4. Prezados, procuro ver a Política Nacional como um todo, isenta de paixões e aprendi com o Buda a não ter expectativas em nada, analisar os fatos como eles se mostram … deste modo, tudo é possível em terras tupiniquins desde o advento do PT=Poderes. Se Maluf em SP apoiou Haddad, por que Cunha e Dilma não podem se aliar ? Não defendo nem um, nem outro, o que acontecer daqui para frente é carma de ambos e do Brasil, mas não vejo Intervenção Militar no horizonte, só se houver ameaça de guerra civil, caso contrário as tropas ficam nos quartéis.

    Considerando que em Política “até a raiva é combinada”, os envolvidos são ótimos atores. Se o ex-governador Tarso Genro falou publicamente contra um possível acordo entre Dilma e Cunha é porque “tem coelho nesse mato” como se dizia antigamente, um político experiente como Tarso não iria jogar conversa fora numa hora dessas.

    Não os vejo como arqui-inimigos, mas sim atores brilhantes que estão aí, até hoje, desafiando eleitores que gostam mesmo é de telenovelas (nada contra)… em sua grande maioria, como se a vida fosse uma grande ficção. Cada um escolhe o seu caminho e os eleitores brasileiros, até agora, escolheram não se envolver com as intrigas palacianas, até porque nada podem fazer, o que talvez seja uma atitude sábia…

    Corremos o risco de até 2018, continuarmos com os dois brilhando no palco da vida política tupinambá … (nem só de tupiniquins vive Pindorama).

    Relaxemos, tensão faz mal à saúde !

    • Sua análise está bastante realista. Entretanto não levas em conta a deterioração fulminante da economia que está levando o país para uma crise sócio-econômica “nuncadantes” experimentada. Com esse quadro é impossível empurrar o governo até 2018 sem convulsões, pois comer, dormir sem desespero pensando nas contas atrasadas, ter condições de cuidar da saúde, etc, são funções vitais. E isso não está garantido nos próximos anos pela lógica nefasta da política econômica imposta por lula, dima e asseclas.

  5. Marco Aurélio Mello, do STF, defende renúncia de Dilma, Temer e Cunha

    Renúncia coletiva O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, defende uma forma “não traumática” para o país superar a crise: a “renúncia coletiva” da presidente Dilma Rousseff, do seu vice Michel Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Falo isso como cidadão e em uma perspectiva utópica, já que seria algo impensável para os atuais detentores dos poderes”, diz ele. Para o ministro, “o mal maior, a crise econômica,” está sendo deixado “em segundo plano” por “interesses políticos”.

    Fonte: http://painel.blogfolha.uol.com.br/2015/10/16/marco-aurelio-mello-do-stf-defende-renuncia-de-dilma-temer-e-cunha/

  6. Newton, ninguém vai te esculhambar porque lembraste o General Villas Bôas para “botar ordem na casa”. Mesmo porque falas como jornalista aventando uma hipótese. Todos sabemos que isso não está na pauta das Forças Armadas, conseqüentemente do Exército. O General Villas Bôas há algum tempo disse com todas as letra enfatizando: A presidente Dilma é a Comandante em Chefe das Forças Armadas.Tem mais, a chantagem de Cunha dizendo que vai jogar merda no ventilador se refere a Lula e Temer principalmente. Dilma nada tem a ver com o dinheiro desviado da “Lava Jato”. Não sou eu que digo. Vi na TV Senado o senador Tasso Jeirissati dizer que Dilma é honesta. Hoje vejo na Internet Pedro Taques procurador e hoje governador de Mato Grosso dizer a mesma coisa: Dilma é honesta. Faz a ressalva: Mas pode ser investigada. Digo eu: Podendo ser investigada pode eventualmente ser condenada. O certo é que a acomodação que estão engendrando é para salvar Lula e alguns petistas. No PMDB é para salvar Temer, Cunha e a quadrilha que “comeu cangica em sua mão”. Cunha está determinado: se eu for para forca levo uns 50 comigo. Registrem e não esqueçam: Eduardo Cunha é bandido, bandido mesmo. Não tem um mínimo de escrúpulo. Tem mais é um homem de sorte: Mais um pouquinho em 1992 teriamos chegado ao poder. O Brasil estremeceria do Oiapoque ao Chui. Duvido que essa turma estivesses sacaneando o povo brasileiro. Na hora do paredão certamente eu seria convocado e minha mão não tremeria.

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