Cunha no corredor da morte, à espera da decisão inevitável

Fotomontagem de Neto Sampaio, reprodução do Google

Bernardo Mello Franco
Folha

Para quem se gabava de mandar e desmandar na Câmara, deve ter sido um baque e tanto. Com o mandato por um fio, o deputado Eduardo Cunha sofreu duas derrotas em apenas 12 horas. Fracassou na disputa pela presidência da Casa e não conseguiu usar a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para melar seu processo de cassação.

O deputado-réu tentava anular outro revés, sofrido no Conselho de Ética. Em junho, depois de oito meses de manobras, o órgão conseguiu enfim aprovar o parecer que pede sua cassação por quebra de decoro. Cunha evocou uma série de miudezas para contestar o resultado. Entre outros detalhes, alegou que a votação deveria ter sido feita pelo sistema eletrônico, e não por chamada nominal.

RETARDANDO – A queixa atrasou o processo por mais um mês. Durante este período, o peemedebista acionou sua tropa de choque para alongar debates até o infinito, sempre com a intenção de adiar a votação do relatório. Contou com a ajuda do presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que patrocinou manobras para protegê-lo. Em abril, o paranaense já havia declarado que o correntista suíço merecia uma “anistia” por ter comandado o processo de impeachment.

MÁS NOTÍCIAS – Apesar do empenho para se salvar, Cunha viveu nesta quinta (14) um dia de más notícias. Na madrugada, seu candidato à presidência da Câmara, Rogério Rosso (PSD-DF), foi massacrado por Rodrigo Maia (DEM-RJ). No início da tarde, a CCJ rejeitou o relatório que o favorecia por 48 votos a 12. Alguns de seus aliados mais antigos, como o notório Paulinho da Força (SD-SP), nem apareceram na sessão.

As duas derrotas empurraram o deputado-réu para o corredor da morte. Seu destino deve ser ir a plenário em agosto, depois de duas semanas de recesso branco. Ao deixar a CCJ, Cunha anunciou uma última cartada: vai recorrer ao Supremo para tentar parar o processo. É difícil que funcione. Nas últimas três vezes em que tentou a sorte no tribunal, ele perdeu por unanimidade.

3 thoughts on “Cunha no corredor da morte, à espera da decisão inevitável

  1. ”O deputado-réu tentava anular outro revés, sofrido no Conselho de Ética. Em junho, depois de oito meses de manobras, o órgão conseguiu enfim aprovar o parecer que pede sua cassação por quebra de decoro. Cunha evocou uma série de miudezas para contestar o resultado. Entre outros detalhes, alegou que a votação deveria ter sido feita pelo sistema eletrônico, e não por chamada nominal.”

    Assisto, sempre que possível, os embates nas comissões. os de Cunha, em ambas as comissões, assisti-os todos.

    Quanto aos expedientes usados por Cunha, tranquilamente, afirmo que são normais e legais: estão escritos e aprovados. Já foram utilizados também por outros e serão pelos próximos, num futuro próximo.

    No entanto, para tentarem cumprir com suas obrigações, ou seja, expurgar Cunha, um grupinho de incapazes mentais e imorais, tiveram de RASGAR o regimento da casa, “avacalhando” as comissões. Ora, se a comissão de constituição e justiça precisa desconhecer e deturpar artigos de leis e do próprio regimento, não pode merecer tal identificação.

    Seria interessante que o autor do artigo, por justiça e para avaliarmos seus conhecimentos e posições, explicasse o que desejou dizer por “Cunha evocou uma série de miudezas para contestar o resultado.”

    Assim, poderia reduzir ou eliminar o sentimento que guardei, quanto a atuação das comissões e dos parlamentares e suas deliberações.

    Os argumentos de alguns bem identificados, foram utilizados na defesa Dilma quando da aprovação do impeachment, mas ao contrário.

    Na minha modesta análise, o conjunto de parlamentares, para vencer Cunha, teve de se utilizar da famosa “mão grande”, ou seja, passando por cima de tudo.

    É o jogo dos incapazes. na falta de argumentação e diante da lei, vale tudo. A democracia também se presta para isso.

  2. E ai STF ???????

    Quinta-feira, 14/07/2016, às 18:38, por Matheus Leitão
    Pedido de investigação sobre Maia no STF só terá andamento após recesso
    O pedido de investigação feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre o envolvimento do novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com suposto caixa dois de campanha só deverá ter prosseguimento no Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto, após o recesso do Judiciário.

    Para pedir a investigação, Janot se baseou em mensagens trocadas entre Maia e o empresário Léo Pinheiro, dono da OAS, sobre uma doação de campanha em 2014. No entanto, apesar da mensagem, não foi registrada doação oficial na Justiça Eleitoral e a Procuradoria suspeitou de caixa dois.

    À época da divulgação do pedido de Janot, Maia afirmou, por meio da assessoria, que as doações da construtora OAS foram feitas ao diretório nacional do DEM e transferidas para a candidatura de seu pai, Cesar Maia, ao Senado. Ele também disse que todas as doações estão registradas e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

    O pedido de investigação foi enviado ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, mas ele entendeu que não havia nenhuma relação com o esquema de fraudes na Petrobras. Um novo sorteio foi realizado e o caso ficou com o ministro Luiz Fux.

    Em junho, o ministro Fux decidiu pedir informações aos envolvidos antes de decidir sobre o pedido de abertura de inquérito, que também citava o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) e o senador Romário (PSB-RJ). Romário e Jutahy negaram o recebimento de qualquer doação ilegal.

    Para o ministro, como as suspeitas estão em mensagens trocadas com empreiteiros, é preciso antes analisar os argumentos das partes sobre as conversas.

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