Cunha só livra Dilma do impeachment se for salvo primeiro

http://ejesa.statig.com.br/bancodeimagens/7r/nw/yp/7rnwypgoetmhqu078ye31pd06.jpgLuiz Carlos Azedo e Julia Chaib
Correio Braziliense

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em negociações com o Palácio do Planalto, condicionou o indeferimento do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff apresentado pela oposição à realização de uma operação de salvamento do seu mandato pelo governo, conforme o Correio antecipou na segunda-feira (12/10).

Cunha pretende utilizar o poder monocrático de decidir sobre o impedimento da presidente da República para barganhar apoio no Conselho de Ética da Câmara, que vai examinar o pedido de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar impetrado pelo PSol e pela Rede, com a subscrição de mais de 50 deputados.

O presidente da Câmara joga com o poder de barganha que adquiriu com as liminares dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki e Rosa Weber a favor de mandados de segurança impetrados por deputados do PT. Ao sustarem o rito regimental proposto para apreciação em plenário de suas decisões, deram a Cunha o poder monocrático de acolher ou rejeitar os pedidos de impeachment. Agora, o parlamentar negocia a própria blindagem no Conselho de Ética com o governo e a oposição.

GUERRA E TRÉGUA

“Não tenho trégua porque não tem guerra. Não há nem guerra, nem trégua. O que há é que eu tenho que cumprir a minha função obrigatória de dar curso ao que é a minha obrigação funcional no momento. Se isso é o fato de você ter que tomar decisões e essas decisões podem significar guerra para uns e trégua para outros, é uma questão de interpretação”, disse ontem.

Desde a sexta-feira (9/10), o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, vem mantendo negociações de bastidores com o presidente da Câmara, com quem o Palácio do Planalto busca um acordo para sepultar de vez a ameaça do impeachment. Cunha negaceia. Está convencido de que os vazamentos de informações sobre as investigações realizadas pelo Ministério Público sobre ele partiram do governo.

LAVA-JATO

Para Cunha, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, trabalham juntos para a cassação de seu mandato.

Deputados petistas, na terça-feira (13/10), ameaçaram pedir a prisão dele caso deferisse o pedido de impeachment apresentado pelo ex-deputado Hélio Bicudo, fundador do PT, e o jurista Miguel Reale Júnior. Nas conversas com Wagner, Cunha teria exigido a substituição do ministro, que nunca contou com a simpatia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem muitos desafetos no PT por causa dos rumos da Operação Lava-Jato.

O presidente do Conselho de Ética da Casa, deputado José Carlos Araujo (PSD-BA), anunciou ontem que o presidente da Casa não terá tratamento diferenciado (leia mais na página 4). Araújo pretende iniciar a apreciação da representação contra Cunha em 27 de novembro. Até lá, Cunha tenta construir sua blindagem. O conselho tem 21 integrantes, sendo 9 do bloco comandado pelo PMDB de Cunha. O bloco liderado pelo PT tem 7 deputados. Juntos, os dois blocos terão ampla maioria: 16 votos para barrar a cassação. O regimento da Câmara também prevê punições brandas por quebra de decoro, como a simples advertência verbal. Cunha é acusado de mentir na CPI da Petrobras, onde negou ter contas bancárias na Suíça.

Mas o acordo do Palácio do Planalto com Cunha não é tão simples assim. Primeiro, já passam de 30 os deputados petistas que subscreveram o pedido de cassação, embora nenhum deles integre o Conselho de Ética. Segundo, os vazamentos sobre o inquérito da Lava-Jato não estão sob controle do Palácio do Planalto. Terceiro, José Eduardo Cardozo é principal interlocutor de Dilma Rousseff junto a Rodrigo Janot.

2 thoughts on “Cunha só livra Dilma do impeachment se for salvo primeiro

  1. Bem que Brizola sabia quem era essa peça, quando queria ser secretário de habitação, Brizola disse que jamais daria cargo a este sujeito, agora ele mostrou quem é, político deste país é igual nota de R$ 3,00, ninguém acredita mais.

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