Dá tudo errado e Dilma adia mais uma vez a reforma ministerial

Gustavo Uribe, Valdo Cruz e Natuza Nery
Folha

Sem conseguir resolver um impasse interno no PMDB pela indicação de ministérios, a presidente Dilma Rousseff adiou para a semana que vem o anúncio da nova configuração da Esplanada dos Ministérios. Mais cedo, ela já havia informado ao vice-presidente Michel Temer que não divulgaria nesta quinta-feira (24) as mudanças programadas na reforma administrativa.

Em nota, a Secretaria da Comunicação Social ressaltou que a presidente tem tido “proveitoso diálogo com os partidos políticos” e que o objetivo é realizar uma reforma política “que a amplie a eficiência e a boa gestão dos recursos públicos”.

“Alguns dos partidos que integram a base aliada solicitaram o adiamento do anúncio para que mais consultas possam ser realizadas”, disse.

DIFICULDADES

O Palácio do Planalto tem encontrado dificuldades para acomodar os ministros aliados do vice-presidente. Para solucionar o impasse, a presidente considera abandonar a fusão entre Aviação Civil e Portos.

A ideia é manter Eliseu Padilha no primeiro ministérios e transferir para o segundo o ministro Helder Barbalho (Pesca), cuja pasta deve ser extinta na nova configuração ministerial.

No início da semana, no entanto, a presidente havia oferecido o novo Ministério da Infraestrutura para a bancada do partido na Câmara dos Deputados.

A possibilidade da petista não fundir as pastas e entregar Aviação Civil e Portos para aliados do vice-presidente irritou o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ).

Ele ameaçou, inclusive, retirar as indicações da bancada peemedebista para o Ministério da Saúde caso a presidente não volte atrás na decisão.

MONTEIRO FICA?

Em um aceno ao mercado, a presidente também deve manter o ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento), indicado pelo PTB e que criticou recentemente as medidas do pacote fiscal que diminuem os repasses ao Sistema S e reduzem a alíquota de abatimento do Reintegra.

O ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) garantiu nesta quinta-feira (24) a permanência de Monteiro no posto em encontro com a bancada do PTB na Câmara dos Deputados.

“Tivemos com o Berzoini e principal ponto da conversa foi dizer que apoiamos a manutenção do Armando Monteiro”, disse o líder da bancada federal, Jovair Arantes (GO).

A pasta chegou a ser oferecida ao PMDB do Senado Federal, que a recusou e passou a reivindicar a Integração Nacional.

FUSÕES DE PASTAS

Dilma estuda também fundir as pastas do Trabalho, Previdência Social e Desenvolvimento Social e extinguir Micro e Pequenas Empresas.

Em uma tentativa de estancar a crise política, a presidente prometeu entregar cinco ministérios ao PMDB, entre eles o da Saúde para garantir o apoio da sigla a seu governo e evitar que dissidentes apoiem o impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados.

A avaliação do Palácio do Planalto, no entanto, é de que o aceno ao PMDB dá fôlego momentâneo ao governo federal, mas não afasta a possibilidade de ser aberto um processo de afastamento da chefe do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Traduzindo: está tudo dando errado na reforma ministerial. Não se fala em cortes de gastos, em redução de cargos comissionados, em extinção do cartão corporativo, em fim da farra das ONGs e tudo o mais. O objetivo do governo não é mais o ajuste fiscal, mas somente evitar o impeachment. Por isso, a confusão reina. E quando Dilma viaja, o Planalto vira um paraíso, parece brincadeira, mas é a realidade. (C.N.)

5 thoughts on “Dá tudo errado e Dilma adia mais uma vez a reforma ministerial

  1. O mais incrível disso tudo é que ninguém fala sobre o real motivo dos partidos quererem tanto ministérios e cargos.
    O motivo é único, ter um ministério na mão para desviar dinheiro.
    Enquanto esse tipo de “articulação” não mudar, não adianta 1000 lava jatos…

  2. Em nota, a Secretaria da Comunicação Social ressaltou que a presidente tem tido “proveitoso diálogo com os partidos políticos” e que o objetivo é realizar uma reforma política “que amplie a eficiência e a boa gestão dos recursos públicos” – todos sabem que Dilma não está nem aí para a eficiência e boa gestão dos recursos públicos, mas está apenas tentando, cada vez mais desesperadamente, evitar a sua saída do poder por imcompetência administrativa e política. O pior é que no próprio processo ele mostra novamente esta incompeténcia. Deixar os partidos indicarem quem querem para ocupar as pastas é abrir mão de todos os critérios de competência, e negociar com eles quais ministérios serão ou não cortados, e para qual partido irão, é a confissão da sua impotência.
    Dilma caiu na esparrela armada pelo PMDB. Deveria ter resolvido e anunciado os cortes de pastas e cargos comissionados para depois negociar o que ficaria com quem.
    E a cada semana que adia uma reforma cada vez menos significativa, perde mais credibilidade (se é que ainda tem alguma) da capacidade do seu governo como capaz de tomar as medidas estruturais que se impõem para evitar a derrocada econômica total do país.

  3. PERFIL BRIZOLISTA INCOMODA, NÃO TENHAM DÚVIDA

    No site debatesculturais.com.br/ruim-com-dilma-no-poder-pior-sem-ela-em-campanha apontei, como aqui na Tribuna, o perfil político da presidente Dilma Rousseff​ como maior incômodo das cúpulas. E antevia como positivo, antes de iniciar a campanha vitoriosa à reeleição, que a disputa seria das mais apertadas.

    A crítica de Delfim Netto, apontada como incoerente pelo Deputado André Figueiredo​ no congressoemfoco.uol.com.br/noticias/outros-destaques/as-trapalhadas-de-delfim-netto e a ira de Ataulfo Merval de Paiva, comentada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, mostram que as agitações se levantam como poeira sacudida pelo estilo da presidente que, descontadas as limitações pessoais e de poder, paga seu preço mais pelas qualidades do que pelos defeitos: http://www.facebook.com/sigajandira2/videos/1050843238283671/?pnref=story

    As ações e posturas de Dilma​, com as ressalvas que se possa expor quanto aos rumos propostos e os descontos de crises (no meu entender sobressai aos antecessores recentes FHC e Lula), causam inquietações e perplexidades inegáveis pelas distinções que registrei em 11/11/2014 (vários links), ao observar como a presidente já vinha resistindo a pressões na formação do atual governo http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1550161535200112&set=t.100006188403089&type=3&theater

    O CASO DO HELICÓPTERO — As forças obscuras sabem que por meios formais como cassação ou impeachment podem fortalecer Dilma Rousseff ao contrário de aniquilar: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1663692713846993&set=a.1382649428617991.1073741827.100006188403089&type=3&theater&notif_t=like

  4. COMO É GOSTOSO LER UMA NOTICIA COMO ESSA AINDA MAIS VINDO DE UMA REVISTA CHAPA BRANCA

    CHUPEM PETRALHAS! JÁ ESTÃO NO DESESPERO! CARREGUEM A MALA SEM ALÇA DA DILMANTA E VÃO JUNTO COM ELA PARA OS QUINTOS DOS INFERNOS!

    CARTA CAPITAL
    “Seria melhor ter perdido a eleição”, diz senador petista
    Vice-presidente do Senado, Jorge Viana é o primeiro a expor em público angústia do PT com Dilma Rousseff. Presidenta se aproxima do PCdoB
    Dilma Rousseff comandou várias negociações políticas nos últimos dias para montar um novo ministério e fortalecer-se contra tentativas de impeachment. Conseguiu até uma vitória no Congresso como há tempos não obtinha, ao manter vetos de leis polêmicas. Mas se a presidenta tem motivos para arriscar suspiros de alívio, o mesmo não vale para o PT. Ou para todo o PT.
    Há semanas é possível ouvir, em conversas ao pé do ouvido, lamúrios petistas sobre o futuro do governo e o fardo de estar no Palácio do Planalto hoje em dia. Um deles resolveu desabafar abertamente. “Para salvar o governo, a única solução é piorar o governo. Seria melhor ter perdido a eleição”, disse a CartaCapital Jorge Viana (AC), vice-presidente do Senado.
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    O pessimismo de certos petistas nasce de um drama existencial.

    Distante da base social lulista inconformada com o ajuste fiscal, explica um ex-colaborador de Dilma e do ex-presidente Lula, a mandatária só tem uma saída para contornar sua fragilidade política: ceder aos conservadores. É direita, volver.

    Não seria melhor, então, estar na oposição a uma gestão Aécio Neves (PSDB-MG), a atacar o ajuste fiscal que ele certamente faria e a ver o tucano enrolar-se com parlamentares metidos na Operação Lava Jato e hoje aliados ao PT mas que, governistas por vocação, estariam na base de apoio do PSDB?

    Ao menos, haveria perspectiva de futuro para o partido, algo inexistente hoje, pensam vários petistas.

    Um exemplo de concessão dilmista aos setores conservadores. No início do mês, uma portaria do Ministério da Educação criou um Comitê de Gênero para propor ideias para enfrentar o preconceito a partir da educação. Na segunda-feira 21, o recuo.

    O comitê agora será de Combate à Desigualdade, definição sem o mesmo poder simbólico. O passo atrás foi dado após o governo negociar uma trégua anti-impeachment com dois expoentes da bancada evangélica, os deputados Marco Feliciano, do PSC, e João Campos, do PSDB.

    Em nota oficial, deputados do PT ligados aos temas educação e mulheres manifestaram “inconformismo” com o recuo. “Desmanchar a luta pela igualdade de gênero no contexto das outras desigualdades é, na prática, ceder aos setores mais conservadores da sociedade”, diz o texto.

    Outra seara de “concessões” de Dilma é a reforma ministerial. Ela aceita acabar com três pastas da área social e juntar tudo numa só, encabeçada pela Secretaria Geral da Presidência, que passaria a ter outro nome, Ministério da Cidadania. Desapareceriam as pastas dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial e das Políticas para as Mulheres.

    Após passar o primeiro mandato a resistir às pressões fisiológicas do PMDB, agora Dilma topa dar ao partido o Ministério da Saúde, um orçamento de 100 bilhões de reais por ano. Um dos favoritos para o cargo é o deputado Manoel Junior, da Paraíba. Que vem a ser uma espécie de laranja do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, desafeto de Dilma.

    A contrariedade no PT com Dilma é tamanha que o líder do partido na Câmara, Sibá Machado, um acreano como Jorge Viana, defendeu que, na reforma ministerial, deveriam ser demitidos Joaquim Levy (Fazenda), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça). Disse isso em reunião com outras lideranças partidárias na quarta-feira 23.

    Em meio à gélida relação com seu próprio partido, Dilma Rousseff tem se aproximado de uma outra sigla de esquerda de sua base aliada. Na segunda-feira 21, recebeu dirigentes e parlamentares do PCdoB em jantar no Palácio da Alvorada.

    Um dos presentes contou a CartaCapital que Dilma ouviu a sugestão de trocar Levy e Mercadante. Reação dela, de acordo com este relato: impassível sobre o caso do ministro da Fazenda, mas não tão assertiva em relação ao chefe da Casa Civil.

    É do PCdoB, aliás, um dos mais aguerridos parlamentares anti-impeachment. O ex-ministro dos Esportes e deputado Orlando Silva, um dos vice-líderes do governo na Câmara e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), não perde a chance de enfrentar os defensores do “Fora Dilma”.

    Quando o líder do DEM, Mendonça Filho, pressionava Cunha dias atrás para se pronunciar sobre o tratamento a ser dado aos pedidos de cassação da presidenta, Silva chamou a frente parlamentar do impeachment de “um bando de provocadores” e o DEM, de “golpista” e “legítimo herdeiro da Arena”, o partido da ditadura militar.

    Em agosto, em bate-boca com outro deputado demista, Rodrigo Maia, Silva havia disparado: “Se a oposição quiser fazer guerra política, vai haver guerra política. Se quiser fazer enfrentamento, vai haver enfrentamento.”

    Na Câmara, Silva tem dito ser preciso matar no nascedouro qualquer pedido de impeachment. Não permitir sequer que seja instalada uma comissão especial para examinar o assunto.

    Para isso, não basta reunir só 171 deputados, quórum capaz de barrar no plenário a abertura de um processo de cassação, ao final dos trabalhos da comissão especial. Seria necessário ter o apoio imediato de 257 deputados, metade do total de 513, para evitar até mesmo a criação da comissão.

    É esse o objetivo de Dilma Rousseff na reforma ministerial. Montar uma tropa que barre a instalação da comissão especial. Nem que para isso tenha de sacrificar o PT, ao tirar espaço do partido para entregar a outro aliado.

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