Datafolha: 89% continuam a ler jornais mesmo com a Internet gratuita

Pedro do Coutto

Ampla pesquisa do Datafolha, publicada na Folha de São Paulo, revela que 89% dos que lêem jornal estão dispostos a continuar comprando e lendo os jornais mesmo que, na WEB, o acesso a eles seja gratuito. O que não acontece sempre. Na própria Folha, o acesso é restrito a seus assinantes. Nada contra a cobrança. Mas uso o resultado da pesquisa para acentuar uma realidade que sempre focalizei: a tela, seja do cinema, da TV, da Internet, é para ver. A página, seja de jornal, revista ou livro, é para ler.

Ler na tela só para efetuar uma pesquisa, setor na qual a Internet é insuperável. Mas existe mais uma diferença, também essencial, entre o jornal e a web. Na Internet, você busca aquilo que deseja achar. O jornal oferece informação e opinião que você não espera receber. No caso, o fator surpresa é predominante.

Por esta e outras razões, a reportagem da Folha de São Paulo é extremamente importante. Foram mobilizados 400 pesquisadores que entrevistaram 7 mil pessoas, das várias classes sócio-econômicas. Sem esta divisão, qualquer levantamento termina sendo distorcido. As preferências e hábitos não são os mesmos. A cultura, da mesma forma que o consumo e a percepção. Ponto difícil porque implica, na melhor forma, separar a emoção da razão. Mas este é outro assunto.

Colocados os diversos fatores no liquidificador que conduz à síntese, para lembrar o filósofo Hegel, surgem as novas descobertas. Por exemplo: no país 73 milhões de pessoas leem jornais. A média de leitor por exemplar é de 2,7.Assim, a Folha que, em agosto, circulou com a média diária de 291,6 mil, de fato alcançou 900 mil leitores. O Globo circulou com a média diária de 270,1 mil. Oitocentos mil leitores. O Estado de São Paulo com a média de 251 mil e 300, portanto atingiu em torno de 750 mil pessoas. Esta diferença é básica para se entender e traduzir o mercado de informação. A circulação (bancas e assinaturas) é outra coisa. O total de leitores, outra.

O Datafolha, com a qualidade de sempre, comprovada no plano eleitoral, indagou em qual meio o público em geral prefere obter informações e opiniões. Eis o resultado: nos jornais 41%; na Internet 17%; na televisão aberta 16; nas revistas 4% e finalmente no celular, taxa de 1%.

Preferem se informar – foi o tema. A pergunta não afasta a audiência de televisão que é de 94%. Ocorre, como se deduz, que a televisão é vista mais sob o ângulo da diversão, campo em que pontificam as novelas e as partidas de futebol. Assim, a imensa maioria assiste televisão, mas prefere se informar pelos jornais impressos no velho papel. Nem os telejornais, tampouco os programas de rádio, inclusive os de alta audiência, substituem ou deslocam a imprensa de Gutemberg para segundo plano.

Qual a razão?A meu ver muito simples. Quem lê o jornal tem a certeza de que o texto não lhe fugirá das mãos. Ao contrário da TV e do rádio. No jornal você pode ler e reler quantas vezes desejar. Não acontece o mesmo com o rádio e a televisão. Quanto à Internet, surge sempre a impressão de que se não ler rapidamente, a mensagem escapará de seu campo de visão.                                        

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Um outro assunto. Excelente, também na mesma edição da FSP, a matéria de Suzana Singer, na função de ombudsman do jornal, criticando o fato de sua direção ter sido a primeira página falsa (de publicidade) superpondo-a à capa redacional de sempre. Foi no dia 9 de outubro. Perfeita a crítica. É uma coisa horrorosa. Inclusive o eterno impulso dos leitores é, de plano, afastar os encartes desse tipo. Eu sempre faço assim. A melhor mensagem publicitária, a meu ver, é aquela que ocupa de 70 a 80% de uma página, mas nela, seja qual for, garante alguma informação aos leitores. Ótimo o texto de Suzana Singer.

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