Datafolha explica:Dilma Roussef 59, Lula 50, FHC 16 por cento

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha, comentada brilhantemente por Bernardo Mello Franco, Folha de SãoPaulo domingo 22, explica claramente as razões da popularidade que DilmaRousseff herdou de seu antecessor e sua ampla aprovação no final do primeiro ano de mandato. Nada menos que 59% consideram seu governo entre ótimo e bom. Trinta e três por cento regular, o que a meu ver significa abstenção, neutralidade. Apenas 6% acham seu desempenho ruim e péssimo. Fração muito pequena. Dividindo-se o maior pelo menor, afastando-se o neutro, nos deparamos com um coeficiente dos mais altos. Superior a 9 pontos.

As razões estão contidas nos números que, a exemplo de Freud em tantas questões e citações, esclarecem possíveis dúvidas. As respostas convergem para um plano de percepção. No final do segundo mandato, a aprovação de Fernando HenriqueCardoso foi de somente 16 pontos. No mesmo período em cotejo, a de Lula atingia 50%. Mais de 3 vezes do que o presidente que o havia derrotado duas vezes. Tem que haver alguma razão lógica, já que sem lógica não se faz nada, não se conclui por coisa alguma concreta.

A meu ver, encontra-se na política salarial e,na oferta de emprego. No período FHC, os salários perderam feio para ainflação. No governo Lula, empataram, sendo que o mínimo ganhou disparado doIBGE. O desemprego com FHC – dados da memória do IBGE – atingiu 10%. Com Lula, baixou para 6,1%. Cada ponto vale 900 mil pessoas, já que a mão de obra ativa brasileira é de 92 milhões de pessoas. Dilma Rousseff manteve o patamar e passa à população o empenho de ampliar o mercado de trabalho. Daí sua popularidade.

E não é só na baixa renda. Ao contrário. O Datafolha publicou estes números, Bernardo Mello Franco os destacou na reportagem. A aprovação da atual presidente atinge 59% entre os que possuem nível  superior. Mais do que entre os de nível médio, 57%. Cresce nos de nível fundamental, 61 pontos. Vamos ver, agora, por renda mensal: 53 pontos entre os que ganham acima de dez salários mínimos. Entre osque percebem de 5 a 10 SM, o ponteiro do Datafolha aponta 61%. Entre os que têm remuneração de 1 a 5 SM, a aprovação fica em 59%. Nesta faixa, em certos casos, existe a dificuldade de as pessoas se definirem. Mas isso não é fator importante.

Fator importante, decisivo até, está no confronto entre duas perguntas que completam o levantamento. Para 36%, o desemprego vai diminuir, contra 32% que pensam o contrário. Agora vejam bem: para 46%, a inflação vai aumentar. Apenas diminuirá, este ano, na percepção de 16%. Para 35%, fica como está. O que se deduz? Que o emprego é mais importante, na visão existencial da maioria, do que a taxa do IBGE. O endividamento tampouco angustia.

O que angustia é não ter salário para cumprir os compromissos assumidos. O povo revelou, com estas respostas, um sentido moral bem mais elevado do que aqueles que pressionam os preços em demasia. Identificou em Lula e identifica em Dilma aliados. E, no lado tucano, apresença de adversários. Se não desfizer essa nuvem, a oposição não vencerá nas urnas de 2014.

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Um outro assunto.

A presidente DilmaRousseff, como os jornais anunciaram, resolveu demitir Sérgio Gabrielli da presidência da Petrobrás. Está claro. Ele havia inclusive anunciado que não seria candidato às eleições deste ano. O Globo, na segunda-feira, informou que Maria das Graças Foster, diretora de Energia e Gás, assume a 13 de fevereiro.Vale lembrar que Gabrielli, meses atrás, como revelou a revista Veja, visitou José Dirceu no escritório político que ele mantinha (ou mantém) no Hotel Naoum,em Brasília. Fica claro no desfecho que a rota José Dirceu não é a melhor para chegar ao Palácio do Planalto.

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