Datafolha: trinta anos transformando perguntas em respostas

Pedro do Coutto

A Folha de São Paulo publicou na edição de primeiro de maio ampla reportagem sobre os trinta anos de existência do Datafolha, instituto de pesquisa do grupo empresarial dirigido por Otávio Frias Filho. Muito importante a data para o país face a importância do trabalho realizado à disposição da sociedade. Da mesma forma que o IBOPE, o Datafolha ajudou o país a conhecer a si mesmo. Transformou dúvidas e enigmas em respostas claras sobre tendências e comportamentos. Esteve sempre presente nas disputas políticas, o que é essencial para a credibilidade das empresas, pois, de todas, a pesquisa eleitoral é a única que pode ser comprovada na prática. Basta confrontar o prognóstico com o resultado oficial.

O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, lembra que, nas eleições de 89, o instituto foi o único a apontar que o segundo turno seria decidido entre Fernando Collor e Lula, que superou Brizola na reta de chegada por 16 pontos contra 15. Collor havia fechado o primeiro turno com 29% dos otos. São acertos assim que asseguram a credibilidade de quem realiza pesquisas. O Datafolha não realiza pesquisas por encomendas. Só por iniciativa própria. Isso garante a divulgação de todos os trabalhos, já que, por encomenda, quando o resultado não agrada a quem encomendou, a divulgação aberta, claro, fica prejudicada. Esta hipótese, portanto, não faz parte do esquema de trabalho do Datafolha. Sua liberdade é total. Não quero dizer com isso que levantamentos de outros institutos não sejam verdadeiros.

Em matéria eleitoral, Mauro Paulino lembra, ainda, os acertos em identificar as viradas finais de Luiza Erundina sobre Paulo Maluf na disputa de 88 pela Prefeitura da cidade de São Paulo e o arremate de Mário Covas, dez anos depois, sobre o mesmo Paulo Maluf na disputa pelo governo estadual. O mais importante de tudo, porém, é o acervo que o Datafolha lega à opinião pública brasileira. São 5 485 levantamentos feitos com base em 7,7 milhões de entrevistas.

INFLUÊNCIA
Diversos resultados influíram diretamente na vida nacional. O apoio maciço, por exemplo, às eleições diretas para presidente da República, em 83, quando o Datafolha começou, que se tornou a alvorada da abertura política a partir do governo Sarney. Da mesma forma, a apoteose popular em favor da chapa Tancredo Neves-Sarney, uma clara extensão da enorme mobilização popular pelo retorno do voto direto. Inclusive já em 85, primeiro ano de seu mandato, o presidente Sarney restabelecia as eleições diretas para os prefeitos das capitais, que haviam sido suprimidas pela ditadura militar.

Mas além das disputas eleitorais, é enorme o acervo do Datafolha desvendando o comportamento social brasileiro e suas preocupações. Na edição de primeiro de maio da FSP, por exemplo, o Datafolha revela que, em 83, a principal preocupação da sociedade era com a inflação que disparava: 26%. Hoje, desceu para 7 pontos. A maior preocupação passou a ser que os jovens se envolvam com drogas: 45%. O dobro do que era há 30 anos.

De outro lado, cresceu sensivelmente a preocupação com a segurança: 26% temem a invasão de sua residência, 16% têm como maior preocupação sofrerem assalto nas ruas. São dados a serem levados em conta, pois são capazes de nortear a ação dos governos no campo das políticas públicas. Se a pesquisa publicada agora incluísse a área da saúde certamente ela reuniria grande parte das preocupações da opinião pública, tais são os obstáculos e dificuldades que envolvem o setor fundamental à vida e à integridade humana. O acervo do Datafolha está à disposição de todos.
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