Datena, apresentador da Band, diz que foi convidado a se candidatar a prefeito de São Paulo pelo PSD.

Carlos Newton

Era só o que faltava. Cada vez se fala mais na possibilidade da candidatura do apresentador de TV José Luiz Datena para a prefeitura de São Paulo. Na semana passada, Datena informou à Band sobre o convite do PSD, mas disse que não havia iniciado as negociações, e que provavelmente não concorrerá a nada.

Mas o prefeito Gilberto Kassab, por meio de sua assessoria de imprensa, ressalvou que, “em que pese ser um excelente apresentador, não há convite para que ele concorra pelo recém-criado PSD à prefeitura em 2012”. Na verdade, o partido ainda não tem registro na Justiça Eleitoral e nem pode falar em candidaturas.  

Especula-se também que outro apresentador, Luciano Huck, estaria disposto a ser candidato à Presidência da República, vejam a que ponto chegamos. E geralmente a idéia da candidatura não parte da própria personalidade famosa, mas de algum político que tenta levar alguma vantagem, quase sempre em função do repasse de votos via legenda.

O eleitor vota em quem é famoso não somente por gostar dele, mas à vezes usa a oportunidade para fazer um protesto. Assim, muitos votos dados a Titirica simplesmente demonstraram a insatisfação do eleitorado com os rumos da política. Foi assim com o rinoceronte Cacareco,em São Paulo, com o bode Cheiroso, em Recife, e com o macaco Tião, no Rio de Janeiro. Os três animais foram campeões de votação. Agora, com a urna eletrônica, isso não é mais possível. Ou vota-se nos candidatos reais, ou branco ou nulo.

A política sempre estará aberta a quem é famoso. Até deputado federal, o trajeto é até fácil, como o comprovam tantos exemplos, como Moacir Franco, Agnaldo Timóteo, Frank Aguiar, Popó, Cidinha Campos, Romário, Stephan Nercessian, Bete Mendes, Miriam Rios, é um nunca-acabar. Mas geralmente para-se por aí. Eleição para senado, prefeitura, governo estadual ou federal é outra conversa. Silvio Santos já chegou a aceitar ser candidato á Presidência pelo PFL, mas não pôde concorrer, por impedimento da burocracia eleitoral.

Nos Estados Unidos é a mesma coisa. Mas lá os famosos podem até chegar à Presidência da República, o que nunca aconteceu aqui. O ator Arnold Schwarzenegger, que governou a Califórnia em dois mandatos, tinha condições de fazer como Ronald Reagan e chegar à Casa Branca, mas não conseguiu, porque é norte-americano naturalizado, só pode ser candidato, no máximo, a governador.

No Rio, o grande campeão de votos é o apresentador Wagner Montes. Toda pesquisa eleitoral para prefeito do Rio ou governador sempre dá ele na frente, mas nunca aceitou concorrer. Prefere ficar como deputado estadual, acumulando com o programa na TV Record, ganhando dos dois lados.

Se Datena for candidato a prefeito de São Paulo, pode até ganhar, em função da divisão entre os diversos candidatos, entre eles outro personagem famoso, Netinho de Paula, líder do grupo Negritude Junior, que em 2010 quase se elege senador, o que faria ele uma grande exceção.

Mas será que, para Datena, valerá à pena a candidatura? E Luciano Huck, o que vai fazer da vida?

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