De deputados até influenciador digital de 15 anos: Bolsonaro bloqueia opositores em rede social

Charge do Duke (domtotal.com)

Marlen Couto
O Globo

O bloqueio de opositores tem sido prática recorrente do perfil do presidente Jair Bolsonaro no Twitter. Não à toa, o tema já é alvo de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, embora se trate de um perfil verificado e da maior autoridade do país, não é possível ter acesso à lista completa de contas bloqueadas nem dimensionar sua extensão, porque a informação não é pública.

Diante disso, a consultoria Arquimedes mapeou, em parceria com o O Globo, contas relevantes de políticos e influenciadores que nos últimos meses indicaram em seus próprios perfis terem sido bloqueados.

PERFIS – O levantamento localizou ao menos 15 perfis com número de seguidores superior ao patamar de dez mil. A lista inclui quatro deputados federais — Alexandre Padilha (PT-SP), Natália Bonavides (PT-RN), Pedro Uczai (PT-SC) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) — e a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP), antiga aliada do presidente.

Também é integrada por jornalistas, pesquisadores, influenciadores tanto do campo da esquerda quanto da direita, e um youtuber. Procurado para comentar os bloqueios, o Palácio do Planalto não respondeu.Um dos casos com maior repercussão é o do influenciador Kaique Brito, de 15 anos.

Em junho, o adolescente da periferia de Salvador, conhecido por fazer dublagens com discursos de políticos, expôs o bloqueio em um vídeo intitulado “os dias de glória chegaram”, que teve mais de 132 mil curtidas no Twitter, em que aparece dançando diante da tela que informa o bloqueio feito pelo perfil de Bolsonaro.

CRÍTICAS – A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora da Universidade de Bath (Reino Unido), está no grupo de brasileiros que não têm acesso às postagens do perfil de Bolsonaro no Twitter. A pesquisadora acredita que o bloqueio tenha acontecido após fazer críticas ao presidente em março de 2019, quando ele postou um vídeo com uma cena de golden shower para atacar blocos de Carnaval.

Rosana avalia que a prática de bloquear opositores reforça que o presidente quer falar para convertidos e contraria a possibilidade de contestação, que é princípio em qualquer democracia: “Pelo princípio de universalidade, todos os cidadãos brasileiros têm que ter acesso à comunicação do governo”.

Foi justamente o argumento de que Bolsonaro usa o Twitter como canal do governo que levou a deputada Natália Bonavides a entrar com uma ação no STF. Ela defende que a conta do presidente não pode ser considerada de natureza pessoal, já que é usada para divulgar atos de sua gestão. O caso ainda aguarda análise do relator, o ministro Alexandre de Moraes.

“CARÁTER OFICIAL” – Em novembro, o procurador-geral da República, Augusto Aras, acatou o argumento da defesa de Bolsonaro e justificou que as publicações do presidente “não têm caráter oficial e não constituem direitos ou obrigações da Administração Pública”.

Pedro Bruzzi, da Arquimedes, chama a atenção para a falta de transparência em relação aos bloqueios feitos por contas de autoridades: “Seria adequado que os cidadãos ao menos pudessem ter acesso à base de contas bloqueadas por cada perfil verificado”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
A exemplo do que faz na vida real, Bolsonaro (leia-se Carluxo & o Gabinete do Ódio) tenta criar um mundo à parte nas redes sociais, no qual propaga apenas as boas ações do mandatário, ainda que imaginárias, e versões dignas de uma obra de ficção bizzara. Se for contra a sua linha de ação, é “democraticamente” bloqueado. Esse é o diálogo aberto da atual gestão. Nenhuma surpresa. (Marcelo Copelli)

14 thoughts on “De deputados até influenciador digital de 15 anos: Bolsonaro bloqueia opositores em rede social

  1. Incrível esse artigo. Opositores lamentando terem sido excluídos da rede social de um oponente. Cada um abre as portas do seu baile para quem quiser ou gostar. É da história da humanidade. Ta na hora desses reclamantes frequentarem “buteco” novamente e sair de casa pra conversar!.

  2. Sr. Newton

    De novo a Quadrilha do Fhcorrupto nas páginas policiais, eles não dão descanso para os cofres públicos.
    Depois de roubarem merendas escolares, agora vão pra cima das crechês…
    Veja a que ponto chegou a Quadrilha do FHC
    Eles não tem mais limites.

    “Entidade ligada a vice de Covas pagou lojinhas investigadas na máfia das creches com verba pública”

    Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/breves/entidade-ricardo-nunes-fornecedores-mafia-creches-sp/

  3. Ora, ora essa! Quem vai conviver com um ouriço na cueca, podendo se livrar dele?
    Se Bolsonaro gostasse de administrar “sacos de intriga”, ele teria continuado com Moro, que era apenas um.
    Se um inimigo a distância azucrina, imagina “dentro de casa”, mesmo que virtual.

  4. Ia comentar mas o rodapé do Coppelli disse tudo o que eu ia dizer…
    Nosso governo é o exemplo vivo do fator de “dissonância cognitiva”.

  5. A midia não consegue viver sem Bolsonaro.

    Quanto ao 02, praticamente toda a impren$a o odeia. A humilhação que ele impôs usando apenas o seu smartphone é imperdoável. Foi pior que o 7×1.

  6. Uau se eu não tenho o direito de só me dar com quem eu quero então prefiro morrer. O direito de escolha é de caráter pessoal, não sou obrigado a gostar de todo e nem de que todo mundo goste de mim. Neste ponto estou com o boçal, a gente só dá importância a quem a gente acha importante ou gosta, o resto das pessoas que sigam suas vidas sem a minha participação.

  7. Bolsonaro é remunerado com dinheiro público, bolsotrouxa. Qual a similaridade de um agente público com um blog como a TI, que não é chapa branca no estilo Terça Livre? 🙂

  8. Atenção, Carlossp, sabemos que és um robô humanoide, como tantos que frequentam a TI. Se continuar tirando onda, será democraticamente deletando.

    Mire-se no exemplo de Eliel, que também é robô, mas de geração mais avançada e respeitosa.

    CN

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *