De Jesse James a Obama, os ideais socialistas influenciaram muito os Estados Unidos

Paulo Solon

O socialismo dos irmãos James e dos Young após a Guerra Civil não ocorreu em vão. Em 1912 os socialistas já eram uma poderosa corrente nos Estados Unidos, tendo como candidato às eleições presidenciais um representante chamado Eugene V. Debs, que tinha um tremendo dom para oratória e também um jeito de ser preso onde quer que ele fosse. Debs carreou centenas de milhares de votos, mas os republicanos tinham um duro oponente no candidato democrata Woodrow Wilson.

Nascido na Virginia, Wilson era um crente fanático em segregação, o que o colocava à direita de muitos republicanos de seu tempo. Wilson era também um firme apoiador dos direitos do Estado. Ele se declarava possuidor de um mandato de Deus no sentido de cumprir grandes tarefas e, certamente, isto foi decisivo para um povo supersticioso, ainda que sua experiência política fosse limitada a servir como presidente da Princeton University e como governador de New Jersey.

Mas espertamente se dizia a favor das reformas socialistas da espécie que Roosevelt havia inaugurado, o que fez com que ele ficasse de fora do quadrado conservador. Wilson era a favor da redução de tarifas, uma atitude populista que agradava a classe trabalhadora. Wilson era pois uma figura complexa. Acabou vencendo a convenção democrata de 1912.

Graças aos socialistas, as eleições de 1912 trouxeram mudanças políticas que permanecem até hoje. Ideias que agora, nas eleições presidenciais de 2012, muitos atribuem como socializantes, se devem a Debs e companhia. Tais ideias poderão ser agora até aprofundadas.

Dos socialistas vieram as demandas para os direitos dos trabalhadores, reformas na saúde e segurança, jornada de oito horas de trabalho, que foi instituída nacionalmente durante a administração Wilson, bem como direito de voto para as mulheres.

Não estou certo se também a aposentadoria para militares, após apenas 8 anos de serviço (active duty), indo ou não à guerra, é dessa época. No Brasil os militares precisam de 30 anos para se aposentarem, e a pensão só passa para a filha mulher. Nos Estados Unidos a pensão militar é vitalícia e passa também para os filhos homens.

A eleição de 1912 foi uma confusa mistura de ideias, mas também um curioso exemplo de como os políticos pulam a cerca para roubar ideias do outro lado. Farão o mesmo em 2012? Aguardemos para ver.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *