De olho no mercado dos EUA, governo não perde tempo e oferece incentivo para plantação de cana e estocagem de etanol.

Carlos Newton

Com a decisão de os Estados Unidos abrirem seu gigantesco mercado para o álcool brasileiro, as perspectivas do setor sucroalcooleiro são auspiciosas. Durante três décadas, o governo dos EUA insistiu na política protecionista, enquanto seus agricultores plantavam extensas áreas com cana de açúcar nos Estados mais quentes, como Califórnia e Flórida. Mesmo assim, não conseguem competir com o etanol brasileiro.

Mesmo com a sobretaxa de 54 cents, que vigorou desde o governo Reagan, o negócio era tão bom que durante os últimos 30 anos o Brasil seguiu exportando álcool para nos Estados Unidos de duas maneiras: diretamente ou através do Caribe. Como não havia sobretaxa para o álcool caribenho, nossos navios partiam para lá, faziam um pit-stop, trocavam a nota fiscal e seguiam para os States. Simples assim.

A taxa de US$ 0,54 centavos por galão sobre o etanol importado do Brasil acabou agora em janeiro. O Planalto está atento ao lance e já tomou as providências iniciais, da maior importância. Primeiro, o governo federal agiu acertadamente ao abrir a possibilidade de conceder subsídios de até R$ 500 milhões por ano para estimular a formação de estoques de etanol no Brasil, segundo a Medida Provisória nº 554. 

Os termos destas operações ainda serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional, mas o subsídio ficará disponível por um período de cinco anos, o que representa a disponibilização de recursos de até R$ 2,5 bilhões pela União no total.

Agora, o governo acertou também ao determinar a abertura pelo BNDES de uma linha especial de crédito, batizada de Prorenova, no valor de R$ 4 bilhões, com vigência até o fim deste ano, para incentivar a produção de cana-de-açúcar.

O objetivo é suprir, em parte, a falta de investimentos na produção de etanol, que vinha caindo em razão direta da baixa rentabilidade. Mas agora o quadro mudou inteiramente, e o mercado do etanol nos EUA é cada vez maior, com o sucesso dos carros flex por lá.

A situação é altamente promissora para o Brasil. Nos Estados Unidos, os subsídios pagos às distribuidoras que fazem a mistura de etanol à gasolina custam ao Tesouro cerca de US$ 6 bilhões por ano, e a tarifa de US$ 0,54 sobre cada galão importado para o país impedia que o etanol brasileiro chegasse ao mercado dos Estados Unidos com preços competitivos, o que desestimulou os produtores brasileiros.

Além disso, os Estados Unidos usam muito milho para produzir álcool, que sai muito mais caro do que o etanol da cana de açúcar. Em consequência, começou a faltar milho no país e o preço das rações disparou. Na verdade, o que conta é o baixo uso de energia fóssil para produzir a mais elevada quantidade de energia renovável possível, algo que a cana faz melhor do que qualquer outra matéria-prima.

Mas agora a conversa é outra. E a cana de açúcar vai preencher muita terra improdutiva por esse Brasil a fora, não somente para exportação, mas também para o consumo interno, que também está em expansão. O único dado negativo de toda essa história é a desnacionalização do setor aqui no Brasil. Cientes do imenso potencial do álcool combustível brasileiro, investidores estrangeiros estão comprando as grandes usinas nacionais. Mas não faz mal. Com as fortunas que acumularam, nossos usineiros podem reinvestir no ramo que tanto dominam, pois não faltará freguês em busca de etanol.

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