De repente, o PSD de Gilberto Kassab se transforma no sonho de consumo do PSDB e do governo federal.

Carlos Newton

Como dizia Vinicius de Moraes em sua genialidade, de repente, não mais que de repente, o partido tipo Frankenstein, criado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab, vai se transformando num sonho de consumo, com o novo PSD sendo disputado pelo governo Dilma Rousseff (leia-se, PT) e pela oposição (leia-se, PSDB).

A boneca cobiçada nesse intrincado jogo de xadrez político é a prefeitura de São Paulo. E o governador Geraldo Alckmin já admite abertamente a possibilidade de uma aliança entre os dois partidos na eleição municipal do ano que vem.

Reportagem de Gerson Camarotti, em O Globo, mostra que Kassab utiliza a recente filiação de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, para forçar a definição de alianças em São Paulo. O criador do PSD tenta impor o apoio dos tucanos à candidatura do atual vice-governador Guilherme Afif Domingos (seu principal aliado na formação do PSD). Caso contrário, ameaça usar Meirelles como trunfo na disputa pela sua sucessão na prefeitura.

Alckmin não pode falar em nome do PSDB nem fechar logo a coalizão, por isso tenta ganhar tempo. “Estamos abertos para construirmos, todos juntos, uma grande aliança em torno de uma proposta para São Paulo, independentemente de nomes” – disse o governador ao repórter Gerson Camarotti, evitando comentários sobre a filiação de Meirelles ao PSD.

Se o PSDB aceitar Afif na cabeça de chapa, o que é até possível, mas altamente improvável, Kassab promete que assumiria o compromisso de apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em 2014, e entraria da disputa como vice da chapa tucana ou mesmo como candidato ao Senado.

Assim, o apoio de Alckmin à aliança com o PSD também pode ser uma estratégia do governador para disputar entre os tucanos a possibilidade de concorrer novamente à Presidência em 2014, o que embolaria totalmente a disputa de bastidores entre os três pretendentes à sucessão presidencial no PSDB: Aécio Neves, José Serra e o próprio Geraldo Alckmin.

Se os tucanos insistirem numa candidatura própria para a prefeitura de São Paulo, ano que vem, o PSD ameaça assumir postura independente. portanto, até a definição das candidaturas, o novo partido fará uma espécie de jogo duplo e trabalhará com as duas opções: Meirelles ou Afif. “Se o PSDB não apoiar a candidatura de Afif, vamos de Meirelles” – avisa o líder do partido na Câmara, deputado Guilherme Campos (PSD-SP).

Tudo isso é muito importante no xadrez da política nacional, porque do desfecho da disputa pela prefeitura de São Paulo depende a própria postura do PSD em relação ao governo federal. Se houver a coalizão com os tucanos, o PSD ficará na oposição ao governo, fortalecendo expressivamente o bloco formado hoje por PSDB, DEM e PPS. Caso contrário, cairá nos braços da presidente Dilma Rousseff, o que é muito provável.

Assim, com a proposta de aliança com os tucanos em São Paulo, o que Kassab pode estar fazendo é ardilosamente buscar a valorização de seu partido Frankenstein, demonstrando que tem grande habilidade política, mas não tem caráter. Porque ou seu partido é oposição ao governo federal ou é da base aliada. Não pode ficar eternamente em cima do muro.

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