De verdade ou de mentirinha?

Carlos Chagas

Dr. Jeckill e Mr. Hide? Juno, o deus de duas faces? Lobo ou cordeiro? Em sua passagem por Brasília, terça-feira, o governador Eduardo Campos emitiu opiniões e conceitos conflitantes, pulando o muro ora para um lado, ora para outro.

Mordendo e assoprando…

Disse o neto de Miguel Arraes que a presidente Dilma e o PT não podem cobrar fidelidade do Partido Socialista. Na verdade, acrescentou, a presidente e o partido dela são devedores, porque o PSB abriu mão de uma candidatura competitiva, de Ciro Gomes, para ajudá-la a se eleger. Também declarou que o cenário econômico ficou pior depois que Dilma alterou as regras dos contratos de energia. Repetiu ser possível fazer mais e avançar em setores como educação, saúde e segurança, tornando-se necessário retomar o crescimento, “pois os primeiros três meses do ano poderiam ter sido muito melhores do que foram”.

Trata-se de um discurso de oposição, de quem se apresenta do lado oposto a Dilma e ao PT. Como explicar, então, que no mesmo périplo pela capital federal, o governador se tenha definido como um aliado do Planalto, debatendo questão importantes para o país? Não negou nem confirmou sua candidatura presidencial, salientando apenas ser ele a controlar o relógio, ou seja, vai definir-se na hora que quiser.

Não parece um bom começo de campanha, ainda que campanha seja, pelo que fala e por suas viagens pelo país. Com um pé em cada margem, Eduardo Campos começa mal, porque pode ser um candidato de verdade, para valer, e tem todo o direito de candidatar-se, assim como pode ser um candidato de mentirinha, apenas para ficar sob os holofotes da mídia e fornecer aos pequenos partidos material de chantagem: ou Dilma lhes abre mais espaços ou poderão apoiar o pretendente dito socialista, porque de socialismo não entende ou esqueceu as lições do avô.

Em vez de preocupar-se, Dilma, Lula e o PT deveriam estar felizes por conta do suposto adversário que apareceu. Afinal, Eduardo Campos não avançou uma idéia sequer destinada a minorar as agruras dos aflitos. Sequer dispõe de mensagem para a classe média. Suas definições visam exclusivamente as elites, junto às quais, aliás, anda passando o chapéu.

UM DIA EXCEPCIONAL

Ontem foi um dia excepcional, no palácio do Planalto. A presidente Dilma recebeu ministros que não conheciam seu gabinete, como Moreira Franco, agora nos Aeroportos, Marcelo Crivella, da Pesca, e Manoel Dias, do Trabalho. Fora os ministros palacianos e alguns especiais, como os da Fazenda, Educação e Planejamento, entre outros, a verdade é que existem ministros sem o menor contacto com a chefe do governo. Trabalham por conta própria, quando trabalham, numa demonstração de que 39 ministérios pesam demais em qualquer administração.

ABERRAÇÃO

Teria sido trágica se não fosse cômica a invasão do plenário e de outras dependências da Câmara por um grupo de cidadãos fantasiados de índios, entre uns poucos realmente nessa condição. A gente fica pensando no que aconteceria no Capitólio caso representantes das tribos Sioux e Apache irrompessem pela Câmara ou o Senado dos Estados Unidos, exigindo a devolução dos territórios que um dia foram seus. No mínimo, apareceria o general Custer…

DESMORALIZAÇÃO

Qual a conclusão a tirar do horror de mortos e feridos durante a maratona de Boston, sem que ainda possam ser apontados os responsáveis pela deflagração de duas bombas caseiras? Primeiro, de que ninguém está seguro, tanto lá como cá. Qualquer débil mental que compre panelas de pressão, pólvora e pregos está livre para praticar atentados contra multidões. Não devem estar nada satisfeitos os responsáveis pelos grupos terroristas do Oriente Médio e adjacências. Vão acabar desmoralizados.

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